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Na Itália, cidade destruída por vulcão tem bordel e vestígios de morte

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Pompeia foi devastada pelo vulcão Vesúvio (no fundo da foto) no ano de 79 d.C. Imagem: MaRabelo/Getty Images/iStockphoto

Marcel Vincenti

Colaboração para o UOL, em Pompeia

2019-07-12T04:00:00

12/07/2019 04h00

Não faltam sítios arqueológicos incríveis na Itália, como o célebre Coliseu de Roma. Poucos lugares deste país europeu, porém, têm tanto potencial para surpreender o turista quanto Pompeia, a aproximadamente 30 quilômetros de Nápoles.

Trata-se, afinal, da cidade fantasma mais famosa do planeta.

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Vista aérea do sítio arqueológico de Pompeia, no sul da Itália Imagem: Ildo Frazao/Getty Images/iStockphoto

Pompeia era um importante centro urbano do Império Romano quando, no ano de 79 d.C., foi destruída por uma erupção do vulcão Vesúvio.

Milhares de seus habitantes morreram durante o desastre, que fez a cidade sumir do mapa. O local ficou totalmente coberto por material vulcânico por mais de 1.600 anos: foi só no século 18 que um amplo trabalho de escavações começou a revelar sua estrutura para o mundo.

Ouço todas estas histórias de uma extrovertida guia napolitana chamada Flavia, que me conduz pelas ruas e entre as ancestrais edificações de Pompeia.

Lauz83/Getty Images/iStockphoto
A estrutura de Pompeia pode ser vista com clareza pelos turistas que visitam o sítio arqueológico Imagem: Lauz83/Getty Images/iStockphoto

É simplesmente fascinante ver como Pompeia, apesar de arruinada pela natureza, ainda exibe parte de seu formato original com muita clareza, com um plano urbano de traçado extremamente planejado.

Cruzo vias nas quais ainda é possível observar os espaços nos quais funcionavam os antigos negócios locais (esta urbe constituía um movimentado entreposto comercial do Império Romano para produtos que chegavam à península pelo mar e tinham Roma como destino), além das casas de antigos moradores abastados: em muitas destas residências, ainda são visíveis chãos decorados por mosaicos, vestígios de afrescos nas paredes e jardins rodeados por colunas.

Os mortos

Diversas das ruas desembocam no antigo fórum de Pompeia, onde se localizam as ruínas de um templo dedicado a Apolo.

Marcel Vincenti/UOL
Corpos dos mortos de Pompeia são vistos dentro do sítio arqueológico italiano Imagem: Marcel Vincenti/UOL

Flavia me conta que, alguns anos antes da erupção, mais precisamente em 62 d.C., a cidade foi atingida por um forte terremoto, que destruiu parte de sua estrutura.

Segundo ela, por causa do abalo, boa parte da população se mudou para outras paragens. Milhares de pessoas, porém, tomaram a decisão de permanecer, e pereceram sob a fúria do Vesúvio em 79 d.C.

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Lindos mosaicos decoram o interior de algumas residências de Pompeia, na Itália Imagem: photooiasson/Getty Images/iStockphoto

Os restos mortais de mais de 1.000 destas pessoas foram encontrados durante o processo de escavações.

Graças a uma técnica de molde de gesso envolvendo parte dos esqueletos, o público tem a chance ver (e se impressionar com) o formato dos corpos de alguns dos falecidos (como mostra a foto acima), exibidos dentro do sítio arqueológico de Pompeia.

Bordel e falos

Outro local famoso de Pompeia que atrai bastante as legiões de turistas que visitam o sítio arqueológico diariamente é um dos antigos bordéis da cidade.

Trata-se de uma casinha apertada, onde ainda é possível ver os quartos onde os clientes se encontravam com as mulheres que ali trabalhavam. Pinturas sobre as portas mostram posições sexuais que podem fazer corar o viajante mais pudico.

Darko Mlinarevic/Getty Images/iStockphoto
Pinturas eróticas marcam o interior de antigo bordel de Pompeia Imagem: Darko Mlinarevic/Getty Images/iStockphoto

Flavia também me mostra, entre as ruínas, imagens referenciais a Priapus, uma deidade relacionada à fertilidade e que cuja representação tem um pênis gigantesco.

E, no caminho, ainda ingresso, fascinado, em uma enorme casa pública de banhos, também com lindos vestígios de afrescos.

Edificações imperdíveis

Há outras edificações que o turista deve tentar visitar em Pompeia. Uma delas é Casa dos Vettii, uma luxuosa residência com afrescos magistrais.

A Casa do Fauno, por sua vez, se espalha por uma área de quase 3.000 m², exibindo uma réplica de uma estátua do personagem mitológico Fauno (cujo original se encontra no Museu Arqueológico Nacional de Nápoles, que preserva diversas relíquias encontradas em Pompeia).

Edward Haylan/Getty Images
O sítio arqueológico de Pompeia, perto de Nápoles, exibe lindas obras arquitetônicas Imagem: Edward Haylan/Getty Images

E o Grande Teatro foi um centro de espetáculos que tinha capacidade para receber até 5 mil espectadores.

O mais impressionante, porém, é se deparar a todo o momento, durante o trajeto, com a silhueta do Vesúvio no horizonte, como se ele estivesse observando a todos nós mortais aqui embaixo.

O Vesúvio ainda é um vulcão ativo. E vê-lo desde o interior da cidade que ele destruiu gera um certo frio na barriga.

Pompeia é, sem dúvida, é um lugar que causa emoção em quem a visita.

COMO IR

Uma das maneiras mais práticas de ir até Pompeia é pegar a linha ferroviária Circumvesuviana Napoli-Sorrento, na cidade de Nápoles, e descer na estação Pompei Scavi-Villa dei Misteri.

Se o orçamento permitir, entretanto, vale muito a pena contratar uma agência turística, no Brasil ou na Itália, que ofereça transporte e, principalmente, um guia turístico para explorar o sítio arqueológico. Com um guia, você poderá ter uma melhor ideia de como era a cidade antes da erupção do Vesúvio.

Mais informações: http://pompeiisites.org/en/info/?l=pt

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