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24/04/2008 - 17h28

Dólar sobe a R$ 1,67 após registrar queda de 5% no mês

De São Paulo
Após acumular queda de mais de 5% em abril, o dólar teve hoje uma sessão de alta em relação ao real, apenas a terceira do mês. A apreciação da moeda americana hoje refletiu, de acordo com operadores consultados, muito mais um ajuste técnico do mercado do que uma reversão de trajetória. A recuperação do dólar nos mercados internacionais de moedas e preocupações com notícias no Brasil também motivaram compras da divisa. O dólar comercial subiu hoje 0,72% e fechou a R$ 1,67. Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o dólar negociado à vista avançou 0,77%, para R$ 1,6708.

A forte recuperação do dólar no mercado externo, especialmente em relação ao euro, estimulou compras de moeda no mercado cambial brasileiro. Nos Estados Unidos, a melhora do índice de atividade manufatureira da distrital do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) de Kansas City e a inesperada queda nos pedidos de auxílio-desemprego feitos na semana passada no país ampliaram a sensação de que o Fed teria argumentos para evitar novos cortes de juros, o que motivou compras de dólar. Na Europa, a queda além do esperado do índice IFO de ambiente para os negócios na Alemanha também contribuiu para reduzir momentaneamente o interesse pelo euro. Às 16h46, o euro recuava 1,04%, a US$ 1,5682.

No Brasil, várias notícias teriam justificado a compra de dólar. A interrupção temporária das exportações de arroz do estoque regulador público gerou preocupações com eventuais desdobramentos para outros produtos, com impacto negativo sobre a balança comercial. As incertezas sobre os objetivos da reunião mensal realizada hoje pelo Conselho Monetário Nacional, diante dos comentários recentes sobre possível aumento da alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para aplicações de estrangeiros em renda fixa e títulos do Tesouro gerou cautela nos investidores, que por isso decidiram comprar dólares. E a compra pela Cosan dos ativos da Esso no Brasil, que pode vir a gerar um fluxo financeiro negativo de curto prazo, também contribuiu para a alta da cotação.

Em meio a essas notícias, o mercado cambial deixou para segundo plano as dúvidas que surgiram no mercado sobre a extensão do atual ciclo de aperto monetário (alta da Selic, taxa básica de juros), após a divulgação da ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central da semana passada. A ata mostrou deterioração das expectativas de inflação para 2008 e 2009, o que sugere a possibilidade de um aperto monetário mais forte e longo do que o esperado inicialmente. Na prática, se isso se confirmar, aumentaria a diferença entre o juro brasileiro e o de outros países, tornando as aplicações financeiras nacionais mais atrativas, o que provocaria elevação do fluxo de dólares. (Silvana Rocha )

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