UOL Viagem

24/03/2008 - 17h04

Dólar fecha a R$ 1,746, maior taxa desde 15 de fevereiro

Após iniciar o dia em baixa refletindo as firmes altas das bolsas de valores --com a elevação da oferta de compra do banco Bear Stearns pelo JPMorgan e o aumento acima do esperado das vendas de imóveis usados nos EUA em fevereiro--, o dólar inverteu o sinal e terminou o dia em alta em relação à moeda brasileira. As cotações foram pressionadas pela queda de preço do petróleo no mercado internacional e por um fluxo cambial negativo (com saídas de recursos superando as entradas).

O dólar comercial avançou 0,87% e fechou cotado a R$ 1,746. Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o dólar negociado à vista subiu 0,81%, para R$ 1,746. As cotações são as mais altas desde 15 de fevereiro (quando o dólar valia R$ 1,754). O giro total à vista somou cerca de US$ 3,812 bilhões.

Segundo operadores consultados, um grande fundo de investimentos americano teria prosseguido com o desmonte de posições no Brasil iniciada na semana passada e com as remessas de recursos ao exterior. Além disso, um grande banco americano teria vendido sua participação em uma empresa internacional de crédito e também feito remessas, pressionando o dólar.

O recuo do petróleo, de outro lado, incomoda por estar ligado à desaceleração da economia dos EUA. O barril de petróleo negociado em Nova York fechou em baixa de 0,96%, a US$ 100,86. Os preços do petróleo nos EUA retrocedem do patamar recorde de US$ 111,80 registrado em 17 de março, por causa da fuga de investidores dos mercados de commodities provocada por temores ligados à queda de consumo nos EUA devido ao desaquecimento econômico.

Como o sistema de informações eletrônicas do BC (Sisbacen) ficou fora do ar por mais de 3h30 hoje, o Banco Central acabou não realizando o tradicional leilão diário de compra de moeda. Segundo o BC, além do Sisbacen, o Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB) também teve interrupção dos serviços causada por um problema na rede elétrica da distribuidora de energia de Brasília (CEB), que atende o Banco Central.

Pela manhã, os investidores reagiram bem - sustentando firmes altas nas bolsas - à proposta do JPMorgan de aumentar sua oferta pelo Bear Stearns, com o objetivo de tentar convencer os acionistas do Bear Stearns a vender suas ações. O JPMorgan quintuplicou sua oferta, para US$ 10 por ação do Bear Stearns. Os números da proposta poderiam fazer com que o valor da compra ultrapassasse US$ 1 bilhão.

Além disso, as vendas de imóveis usados nos EUA subiram em fevereiro pela primeira vez em sete meses, refletindo queda de 8,2% no valor dos imóveis, a maior desaceleração dos preços já registrada pela Associação Nacional de Corretores de Imóveis. As vendas subiram 2,9% para uma taxa anual de 5,03 milhões. Economistas previam vendas de 4,85 milhões no mês passado. (Silvana Rocha)

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