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16/01/2008 - 16h58

Dólar fecha em alta, a R$ 1,773, com temores nos EUA

O dólar permaneceu em alta hoje, pressionado pelas incertezas sobre a economia dos Estados Unidos, que mantêm os mercados globais sob cautela. O balanço do banco JP Morgan do quarto trimestre abaixo do esperado e a forte queda dos preços de petróleo em meio aos sinais de recessão na economia norte-americana justificaram venda de dólares aqui e lá fora. A inflação ao consumidor nos EUA veio quase em linha com as previsões dos analistas e a produção industrial norte-americana foi melhor do que a esperada, favorecendo a desaceleração das perdas nas Bolsas em Wall Street.

O dólar comercial subiu 1,20% e fechou cotado a R$ 1,773. Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o dólar negociado à vista terminou o dia valendo R$ 1,772, com apreciação de 1,14%. O giro total à vista somou cerca de US$ 2,149 bilhões.

O Departamento do Trabalho dos EUA informou que o índice de preços ao consumidor (CPI) subiu 0,3% em dezembro ante novembro, levemente acima das previsões de alta de 0,2%. Já o núcleo do índice avançou 0,2% em dezembro, em linha com as previsões. Em 2007, os preços ao consumidor subiram 4,1%, o maior avanço anual desde 1990. O núcleo do CPI subiu 2,4% no ano passado.

Do lado corporativo, após o prejuízo de US$ 9,83 bilhões do Citigroup no quarto trimestre e do resultado pouco abaixo do esperado da Intel, anunciados ontem, o JP Morgan também trouxe hoje um balanço considerado fraco. O balanço do JP Morgan aponta queda de 34% no lucro no quarto trimestre, para US$ 2,97 bilhões, ou US$ 0,86 por ação, enquanto o faturamento cresceu 7%, para US$ 17,38 bilhões. Analistas previam lucro de US$ 0,93 por ação, com faturamento de US$ 17,05 bilhões. O banco dobrou sua provisão para perdas com crédito para US$ 2,54 bilhões, evidenciando as dificuldades do consumidor. No caso da Intel, o lucro cresceu 51% para US$ 2,3 bilhões, ou US$ 0,38 por ação (ante previsão de lucro de US$ 0,40 por ação), com base em faturamento de US$ 10,7 bilhões, no quarto trimestre.

A produção industrial nos EUA ficou inalterada em dezembro, depois de um crescimento de 0,3% em novembro, informou o Fed. A estimativa média dos economistas ouvidos pela Dow Jones previa queda de 0,2%. Nos 12 meses encerrados em dezembro, a produção industrial cresceu 1,5%.

No início do dia, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que o momento é de atenção. Segundo ele, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou que a equipe econômica ficasse "bastante vigilante" aos movimentos da economia internacional para, se for necessário, tomar medidas. Em sua primeira entrevista após retornar de um período de férias, Mantega assegurou que, por enquanto, não há necessidade de o governo tomar atitudes para enfrentar a crise nos mercados internacionais, agravada ontem com os dados negativos sobre as vendas no varejo e inflação no atacado nos EUA, além das perdas apuradas pelos bancos. Mantega avaliou que o Brasil está muito bem posicionado para enfrentar essa piora do quadro, tanto do lado dos fundamentos econômicos quanto do mercado interno, que podem compensar eventuais perdas para os exportadores brasileiro. Mantega previu que o Brasil terá um crescimento robusto em 2008, em torno de 5%.

Mais cauteloso, o presidente do Banco central, Henrique Meirelles, disse no início da tarde em São Paulo que o crescimento do Brasil neste ano vai depender muito do impacto da crise nos Estados Unidos. "Se os EUA tiverem um problema grave isso não é bom para ninguém, vai afetar todo mundo, inclusive o Brasil." Meirelles ressaltou, porém, que não há ainda nenhuma necessidade de medidas específicas. (Silvana Rocha)

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