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26/11/2007 - 16h58

Dólar sobe a R$ 1,824, maior taxa desde 4 de outubro

O dólar à vista fechou hoje em alta pela sexta sessão consecutiva na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), cotado a R$ 1,8245 (alta de 1,14% no dia). No mercado interbancário de câmbio, o dólar comercial também permaneceu em alta pelo quarto dia útil seguido e encerrou a R$ 1,824, valorização de 1,11% hoje. No mês, dólar à vista acumula ante o real altas de 5,10% na BM&F e de 5,07% no interbancário. O dólar comercial de hoje é a maior taxa desde 4 de outubro passado, quando valia R$ 1,825.

Além da volatilidade em Wall Street e do índice Bovespa, que reflete incertezas com os efeitos dos problemas no setor de crédito sobre a economia norte-americana, a expectativa sobre eventual atuação do Tesouro Nacional comprando dólares em mercado para formação do fundo soberano continuou a dar fôlego à trajetória de correção dos preços, segundo os operadores consultados pela Agência Estado.

Fundo soberano

Ainda que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, considere um "absurdo" atribuir a volatilidade do dólar nesses últimos dias no mercado brasileiro às notícias de que o governo criará um fundo soberano, os operadores afirmam que esse fator favoreceu o movimento de redução de posições vendidas desde a semana passada. Mantega deu essa declaração hoje à tarde.

Para Mantega, o motivo da valorização da moeda norte-americana, que superou R$ 1,80 hoje, é bem identificável: a expectativa de que haverá novas perdas nos Estados Unidos por causa dos problemas no setor de crédito de risco (subprime) e o desmonte de operações de carregamento ("carry trade") gerado pela deterioração da divisa dos EUA. No mercado global de moedas, às 16h54, o euro subia 0,14%, a US$ 1,4857; e o dólar caía 0,21%, a 108,09 ienes.

O ministro antecipou que a idéia é que o fundo soberano faça aplicações em ações de primeira linha, "com pequena parte das reservas internacionais". "Não muda nada na maior parte dos ativos brasileiros", disse Mantega. O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, é contra a utilização dos dólares das reservas para a criação do fundo. Mantega disse que o assunto será discutido hoje com Meirelles, em audiência às 18 horas, no Ministério da Fazenda. Mantega negou que serão criados dois fundos como chegou a ser veiculado na imprensa.

Contratos futuros

Como essa discussão coincide com a proximidade do fim de mês, os investidores concentraram negócios hoje nas rolagens de contratos futuros de câmbio na BM&F, em que as apostas na alta das taxas voltaram a prevalecer. Assim, o volume de negócios de dólar no mercado à vista foi bem fraco e somava cerca de US$ 1,6 bilhão por volta das 16h30.

Nos EUA, rumores sobre possíveis demissões pelo Citigroup trouxeram inquietação aos investidores e, por volta das 16h (de Brasília), as ações do Citibank caíam 3,15%. As Bolsas em Nova York exibiam baixa. O índice Bovespa recuava 1,01% às 16h55.

No leilão de câmbio realizado à tarde, o Banco Central pagou taxa de corte de R$ 1,8285 e teria aceitado duas propostas, de dois bancos. Cinco propostas tiveram suas taxas declaradas, que iam de R$ 1,828 a R$ 1,830. Doze instituições não informaram as taxas.

Segundo operadores de câmbio, o fluxo comercial hoje teria sido positivo, estimado em cerca de US$ 300 milhões. No entanto, a redução do superávit da balança comercial no mês seria outro fator de pressão sobre o dólar. O superávit da balança comercial na quarta semana de novembro foi de apenas US$ 139 milhões. (Silvana Rocha)

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