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15/08/2007 - 16h38

Dólar fecha acima de R$ 2 pela primeira vez desde maio

São Paulo - A moeda norte-americana terminou o dia com taxa superior a R$ 2 pela primeira vez desde o dia 4 de maio. O dólar comercial disparou 2,32% no mercado interbancário e fechou a R$ 2,031. No pregão viva-voz da Bolsa de Mercadorias & Futuros, o dólar negociado à vista registrou alta de 2,27%, para R$ 2,03.

Em agosto até o momento, o dólar comercial acumula ante o real ganho de 7,92% (na BM&F, a alta do mês é de 7,86%). Por causa desse salto do dólar, o Banco Central não fez o leilão de compra de moeda, pelo segundo dia consecutivo. A pressão novamente tem origem nas preocupações dos investidores com a saúde da economia norte-americana e o contágio do setor de crédito imobiliário de alto risco sobre outros segmentos de crédito.

Pela manhã, o Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) interveio, depois da ausência de ontem, para assegurar a liquidez, o que foi bem recebido nos mercados, mas não dissipou a volatilidade nas bolsas. Os mercados de ações caíram desde a Ásia, Europa, Estados Unidos e Brasil, embaladas por novas notícias que elevam o risco de crédito. Em Tóquio, o Banco Mitsubishi UFJ Financial anunciou perdas de cerca de 5 bilhões de ienes em produtos securitizados que podem conter financiamentos imobiliário de risco. Na Austrália, as perdas no Yield Alpha Fund foram recalculadas e podem superar 80%.

O mercado reagiu também ao rebaixamento da recomendação do Countrywide pelo Merrill Lynch - que levantou a possibilidade de concordata se a companhia perder acesso ao financiamento de curto prazo - e a retirada da taxa de administração de 2% do fundo hedge Global Equity Opportunities, do Goldman Sachs, para novos participantes. O Goldman também reduzirá à metade sua taxa de desempenho.

Em contrapartida, no Canadá, a Coventree Inc. encontrou compradores para boa parte de sua dívida lastreada em ativos, o que foi uma boa nova. Para muitos fundos, que exigem antecedência de 45 dias em aviso para saques, hoje é último dia para investidores apresentarem pedidos de resgate e logo as instituições terão calculadas suas necessidades de financiamento para fazer face ao movimento. (Silvana Rocha)

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