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Buenos Aires promove passeio pelo bairro que viu o papa crescer

Andrew Medichini/AP
Vida de Papa Francisco é foco de passeio Imagem: Andrew Medichini/AP

Natalia Kidd

De Buenos Aires

27/04/2016 13h12

Buenos Aires convida para uma caminhada que refaz os passos do papa Francisco, em um percurso guiado rumo à sua infância e adolescência por lugares do bairro portenho de Flores, que marcaram sua vida e sua singular personalidade.

O passeio, organizado pelo Entur, o órgão que cuida do turismo na capital argentina, parte todas as quintas-feiras às 15h da basílica de San José de Flores, a igreja que a família Bergoglio frequentava e na qual Jorge Mario sentiu seu chamado ao sacerdócio.

Logo depois de entrar, o visitante já se depara com o ponto exato onde aconteceu aquele chamado que, com o tempo, impactaria tanto a vida da Igreja: um confessionário de madeira de onde, no dia 21 de setembro de 1953, Jorge saiu com a convicção de que abraçaria o sacerdócio com quase 17 anos.

Naquele dia, ele comemoraria com amigos o Dia do Estudante e da Primavera, mas sentiu a necessidade de passar primeiro pela igreja para se confessar.

"Nessa confissão, ele comenta que alguém o esperava e esse alguém era Deus. Ele diz: 'Tive a sensação de que Deus tinha me olhado com misericórdia e me escolhido'. Vendo essa história em perspectiva, podemos dizer que ele não se equivocou", disse à Agência Efe Daniel Vega, guia do Circuito Papal desde maio de 2013, quando o programa foi lançado pouco tempo depois de Jorge Mario se tornar Francisco.

A basílica, um templo de estilo neoclássico que data de 1883, exibe agora sua recente restauração, finalizada há um ano e meio, e deixa ver muitas das imagens que marcariam o jovem, entre elas a de São José, a do Sagrado Coração de Jesus e a da Divina Misericórdia.

Nesta igreja, ele, mais tarde, continuou exercendo a função de arcebispo de Buenos Aires, especialmente para presidir as festas patronais.

Curiosamente, a programação da festa de 19 de março de 2013, dia de São José, anunciava a sua presença, que ao final não pôde ser concretizada. Isso porque, nesse mesmo dia, Bergoglio dava início formalmente a seu pontificado em Roma.

A visita guiada segue pelas ruas de Flores, um bairro tradicional na zona oeste da capital e que soube acolher as famílias de imigrantes trabalhadores de classe média, como os Bergoglio. O bairro, que antes era conhecido por ter "casinhas baratas" hoje é o bairro do papa.

"Flores não tinha atrativo turístico marcante. Quando o papa foi eleito, os próprios moradores ficaram alvoroçados. Agora, chega gente do mundo todo para conhecer o lugar e as lembranças", comentou Vega.

"Aqui nasceu o Papa"
Chegando à rua Varela, no número 268, é possível ver a fachada de uma casa com uma placa que indica que ali nasceu o homem que se tornaria papa, algo que até pouco tempo atrás era um mistério que nem o próprio papa queria contar. A ideia era "não incomodar os atuais proprietários do imóvel", mas um historiador descobriu e revelou o endereço.

No entanto, os Bergoglio não moraram muito tempo lá. Eles se mudaram para uma casa vizinha, na rua Membrillar, 531, onde Jorge viveu até aos 22 anos, quando entrou para o seminário. A casa, completamente remodelada hoje em dia, também tem uma placa que lembra que ali viveu o pontífice.

O guia conta que o jovem Jorge Mario escondeu da família sua verdadeira vocação e disse que estudaria Medicina. A mãe montou um quarto para ele pudesse estudar melhor, mas um dia descobriu que a mesa estava repleta de livros de religião. Repreendido pela suposta mentira, ele teria dito: "Não, mamãe, estudo medicina... medicina para a alma".

"E o papa teve namoradas no bairro?", pergunta um turista curioso. A poucos passos da casa de Amalia, o guia diz que provavelmente sim. Amália foi a mulher que, pouco depois de Jorge Mario ser eleito papa, declarou ter sido sua "namorada" e que recebeu dele uma carta de amor quando ambos tinham 12 anos.

Alguns metros depois, crianças brincam e quebram o silêncio deste aprazível bairro em uma pequena praça que outrora foi o lugar onde Jorge e seus amigos brincavam. Uma gravura fixada lembra que Jorge "corria atrás da bola com seus amigos" no local, embora alguns digam que o mais velho dos irmãos Bergoglio não levava muito jeito para o futebol.

O passeio chega à entrada de Bajo Flores, uma favela do bairro onde Jorge Mario começou seu trabalho pastoral, em 1992. O fim da caminhada, que dura quase três hores, apesar de o site do Entur estimar uma hora e meia, é o colégio Nossa Senhora da Misericórdia, onde Jorge fez o jardim da infância e a primeira comunhão.

Já como arcebispo, ia todo 24 de março rezar a missa e tomar o chá com as freiras, que contam que quando ele acabava fazia questão de lavar a própria xícara. Há quem diga também que o pequeno Jorge aprendeu a contar subindo e descendo os degraus da igreja do colégio.

Essa não é a única opção para quem quer conhecer mais da vida do pontífice. Um segundo circuito a pé, também gratuito e organizado pelo Entur, convida a descobrir locais do centro da cidade importantes para o papa, enquanto um terceiro, feito de ônibus, integra muitos outros pontos significativos para entender a vida simples e cotidiana que o "papa argentino" levou em sua Buenos Aires querida.

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