Viagem

Grã-Bretanha cogita restringir vistos de estudante

12/11/2009 18h26

O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, anunciou nesta quinta-feira planos para endurecer as leis de imigração e tornar mais difícil a entrada de imigrantes ilegais no país.

Em um discurso em Londres, o premiê disse que o governo vai estudar uma possível restrição a vistos de estudante para evitar que eles sejam usados por pessoas que querem entrar no país para trabalhar ilegalmente.

Uma das possíveis medidas a serem adotadas seria a concessão de vistos de estudante com direito a trabalhar apenas para estudantes de graduação ou pós-graduação.

Os vistos de estudante britânicos, concedidos a pessoas matriculadas tanto em cursos superiores quanto em cursos rápidos de línguas, dão direito de trabalhar por até 20 horas semanais, mas muitos estudantes ultrapassam esse limite ou acabam ficando ilegais no país após o término do curso.

Segundo dados do governo britânico, um em cada sete pedidos de visto para o país é para estudantes. No último ano fiscal, foram concedidos 242 mil vistos de estudante para a Grã-Bretanha, mas outros 100 mil foram recusados.

Profissões
Em seu discurso, Brown anunciou ainda uma mudança na lista de profissionais de fora da Europa que poderão receber vistos de trabalho no país. Entre os profissionais que poderão ser prejudicados estão engenheiros e chefs de cozinha.

O premiê disse que o sistema de pontuação para a concessão de vistos para imigrantes qualificados, introduzido no ano passado, contribuiu para a queda de 44% na entrada de imigrantes no país.

Segundo ele, o novo sistema garantiria novos cortes no número de imigrantes chegando ao país e manteria, ao mesmo tempo, a flexibilidade do mercado de trabalho na Grã-Bretanha.

As declarações do premiê ocorrem em meio aos altos índices de desemprego no país por conta da crise econômica global e às críticas às políticas de imigração do governo.

Segundo os últimos dados, 2,46 milhões de pessoas, ou 7,8% da população economicamente ativa, estão desempregadas hoje na Grã-Bretanha.

Em junho, o Partido Nacional Britânico (BNP, na sigla em inglês), de ultradireita, que defende uma maior restrição à imigração, conseguiu votos suficientes para eleger pela primeira vez dois representantes no Parlamento Europeu.

O principal partido de oposição no país, o Partido Conservador, favorito para as eleições gerais previstas para o ano que vem, também propôs uma limitação ao número de imigrantes no país.

O Partido Trabalhista, de Brown, sempre defendeu uma posição mais aberta em relação à imigração e a ideia de que a chegada de imigrantes é positiva para a cultura e para o mercado de trabalho do país.

'Tabu'
Em seu discurso nesta quinta-feira, o premiê disse que o problema da imigração deve ser discutido e não é uma questão exclusiva para "os partidos marginais" ou um "um assunto tabu".

"Nunca concordei com o elitismo preguiçoso que não reconhece a imigração como uma questão, ou que classifica qualquer um com preocupações sobre a imigração de racista", afirmou Brown.

"Esta é uma questão que está no coração de nossa política, uma questão sobre o que significa ser britânico e sobre os valores que nos são caros e as responsabilidades que esperamos daqueles que chegam ao nosso país, de como assegurar as competências de que precisamos para competir na economia global e de como preservamos e fortalecemos nossas comunidades", disse o premiê.

Segundo ele, as opiniões sobre a imigração variam conforme seu efeito sobre as pessoas. "Se o principal efeito da imigração sobre sua vida é tornar mais fácil encontrar um encanador, ou ser atendido por médicos ou enfermeiros estrangeiros em seu hospital local, você provavelmente vai pensar mais sobre os benefícios da imigração do que sobre os possíveis custos", disse.

"Mas as pessoas querem garantias de que aqueles que chegam aceitarão suas responsabilidades assim como seus direitos de viver aqui - obedecer a lei, falar inglês e dar suas contribuições", afirmou.

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