Viagem

Público do tango cai 70% na Argentina

Veronica Smink

Da BBC Mundo em Buenos Aires

A crise financeira internacional e a pandemia de gripe suína tiveram um impacto tão profundo na Argentina que até a efervescente indústria do tango foi afetada.

O problema é que, desde o início da crise, houve uma diminuição dramática no número de turistas estrangeiros.
  • BBC

    Entre os maiores frequentadores dos shows de tango estão os brasileiros


"No momento, constatamos uma queda de cerca de 70% no número de pessoas que vêm aos nossos shows", afirmou Luis Veiga, presidente da entidade que reúne as casas de tango argentinas.

Algumas casas de tango tiveram que ser fechadas temporariamente, e fala-se até em fechamento definitivo caso a situação não melhore.

Dança lucrativa

O tango é visto por muitos como a alma e o coração da Argentina e é também uma lucrativa fonte de divisas.

Turistas em Buenos Aires costumam jantar em casas de tango ou mesmo ter aulas-relâmpago da dança argentina.

A indústria do tango cresceu significativamente desde que a economia argentina quebrou, no fim de 2001.

Com a desvalorização do peso, Buenos Aires se tornou uma cidade barata para turistas estrangeiros, que passaram a visitar a capital aos milhares.

Com isso, o número de casas de tango se multiplicou. Estima-se que entre 2007 e 2008, a Argentina tenha lucrado cerca de US$ 80 milhões com o estilo musical.

Isso se seguiu até a crise financeira abalar o mundo. Em seguida, a gripe suína saiu do México e reduziu ainda mais o número de visitantes.

Guillermo Divita, dono do restaurante e casa de shows BocaTango afirmou à BBC Mundo que atualmente ele só consegue reservas para um terço das mesas do seu popular show-jantar.

Estrangeiros

De acordo com Luis Veiga, cerca de 80% dos frequentadores das casas de tango são estrangeiros.

"Entre setembro e março, a maioria dos visitantes foi europeia, muitos deles chegaram a Buenos Aires em cruzeiros."

No ano passado, mais de 130 cruzeiros europeus e americanos aportaram na capital do tango. Neste ano, a história promete ser diferente.

"No momento, não sabemos quantos navios esperar ou quantos passageiros eles trarão. Mas as reservas em hotéis caíram consideravelmente, em comparação com anos anteriores", acrescentou Veiga.

Diante da crise, a indústria tenta diversificar para se salvar.

As casas de tango oferecem preços especiais para argentinos e estão vendendo ingressos nas ruas, além de abrir as portas apenas quatro dias por semana, em vez de seis.

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