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Barco de antigos líderes de Veneza será reconstruído para se tornar museu flutuante

Fondazione Bucintoro
Imagem: Fondazione Bucintoro

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De Roma

07/04/2008 11h39

O Bucintoro, um dos barcos mais luxuosos da história, usado pelos doges de Veneza para recepcionar convidados ilustres e celebrar festas religiosas, será reconstruído para se tornar um museu flutuante, que vai levar os visitantes para um passeio pela Laguna de Veneza.

"O novo Bucintoro não vai ser folheado a ouro, como eram os originais, mas será uma cópia perfeita do último modelo, cuja miniatura está exposta no Museu da Marinha Militar de Veneza", disse à BBC Brasil Giorgio Paternò, secretário da fundação Bucintoro, associação que promove a iniciativa.

"Estamos recebendo doações em dinheiro de algumas empresas interessadas, além de materiais, como ouro, por parte de empresas da região de Vicenza", informou Paternò, que conta com o apoio da prefeitura de Veneza.

Respeitando as medidas originais, o novo Bucintoro terá 34,8 metros de comprimento por 7,3 de largura e 3,9 metros de altura. Conforme as regras da época, terá 42 remos e os remadores devem ser 168, quatro para cada remo.

O barco terá dois andares, com capacidade para 450 pessoas. O primeiro, no passado, era reservado aos remadores e aos 80 marinheiros. O segundo, aos visitantes.

Projeto

O projeto da embarcação foi feito pelo canteiro naval veneziano "De Paoli" e pretende ser igual ao modelo pintado por alguns dos grandes artistas venezianos, como Canaletto e Guardi.

A construção vai começar em abril, nos canteiros do Arsenale, que foi o centro da indústria naval de Veneza a partir do século 12.

O Arsenale é hoje, em parte, usado para exposições de arte ligadas à Bienal, mas foi um dos símbolos do período de ouro da Sereníssima República de Veneza, quando a região era a principal potência mercantil do Mediterrâneo.

O custo total da obra, que deve ficar pronta em dois anos, vai ser de 20 milhões de euros (R$ 54 milhões).

Luxo

Na época dos doges --governadores de Veneza dotados de poder absoluto nos primeiros anos da república--, o segundo andar das embarcações era forrado de veludo vermelho, tinha 90 poltronas e 48 janelas. Esta parte da embarcação, onde era colocado o trono do doge, podia acomodar cerca de 200 pessoas.

Decorado com estátuas e objetos preciosos, coberto de ouro e cristais, o Bucintoro era considerado uma verdadeira obra de arte --um luxo usado para exibir o prestígio da república, conforme definiu o escritor alemão Johann Wolfgang Goethe.

Em um de seus livros sobre a Itália, Goethe escreveu que a embarcação dos doges servia para mostrar ao povo "a magnificência de seus príncipes".

O Bucintoro era usado pelo doge principalmente para as comemorações de sua ascensão ao poder, uma festa anual chamada de "casamento do mar". Neste dia, depois de uma cerimônia na Basílica de São Marcos, ele embarcava com seus convidados e, durante a viagem pela laguna, um grupo de músicos tocava madrigais.

Ao chegar perto do convento de Santa Helena, o Bucintoro parava para embarcar o patriarca de Veneza, que fazia a benção do mar. No fim, da varanda do Bucintoro, o doge jogava seu anel nas águas, como símbolo do domínio da Sereníssima sobre o mar.

De acordo com os documentos históricos, apenas 4 barcos foram construídos com autorização do Senado veneziano e com as características e o nome de Bucintoro, que significa "barco de ouro". O primeiro foi feito em 1311, depois em 1526, em 1606, e, o último, em 1727.

Em 1798, um ano depois da queda da Sereníssima República de Veneza, o Bucintoro foi saqueado pelas tropas de Napoleão, que levaram embora objetos e decorações preciosos. Restos da embarcação foram conservados no Museu Correr e no Arsenale.

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