Turismo no Tibete aumenta 60% em 2007, diz China

MARINA WENTZEL

De Hong Kong

A China anunciou que o turismo no Tibete aumentou em 60% em relação ao ano anterior.

Segundo a imprensa estatal chinesa, mais de quatro milhões de turistas visitaram a província em 2007.

As autoridades dizem que a popularização do Tibete se deve a uma maior rede de infra-estrutura e investimento em propaganda.

Há 17 meses foi inaugurado um trem de alta velocidade que liga a capital do Tibete, Lhasa, a Pequim e outras grandes cidades na China. Além disso, um novo aeroporto, o terceiro na região, oferece conexões à diversas províncias do país.

Além de facilitar o turismo, as novas rotas terrestres e aéreas para o Tibete também têm fomentado a migração de chineses de outras etnias.

Os críticos questionam se a presença desses grupos não estaria abafando a cultura local tradicional como forma de reforçar a dominação do Partido Comunista. Em algumas cidades os chineses locais já são considerados minoria.

Era Dourada
De acordo com o Secretário Local do Partido Comunista, Zhang Qingli, o Tibete está entrando numa "era dourada" do turismo.

Segundo Zhang, o fim de ano é considerado baixa temporada, mas em 2007 não há indícios de que o número de turistas venha a cair. Dezembro "não parece nada com baixa temporada", disse Zhang.

A renda gerada pela indústria do turismo no Tibet somente este ano é estimada em 4.8 bilhões de yuan (R$ 1,1 bilhão), um valor 73,3% maior do que o registrado em 2006.

No ano passado, a região recebeu 2,5 milhões de turistas e obteve renda de 2,77 bilhões de yuan (R$ 677 milhões), que corresponderam a 9,6% do Produto Interno Bruto da região.

Para os críticos, a popularização do turismo é uma ameaça ao Tibete, já que o intenso fluxo de visitantes poderia destruir o meio ambiente e danificar os prédios históricos.

Em março, o Dalai Lama disse que a ferrovia aumentou a migração e a degradação do meio ambiente e por isso seria uma fonte de "grande preocupação".

Há poucas semanas, a linha ferroviária foi utilizada para levar soldados chineses à capital, Lhasa.

A China invadiu e anexou o Tibete no começo da década de 1950 e, desde então, o líder Dalai Lama vive no exílio, em Dharamsala, no norte da Índia.

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