Viagem

Lucas Mendes: Sete nota dez

Caio Guatelli/Folha Imagem
Imagem: Caio Guatelli/Folha Imagem

29/11/2007 14h10

Farofa! Ele respondeu no tiro, e acho que ficou até com água na boca. A resposta me deixou entalado

Meu entrevistado era Seth Kugel, um jornalista que tem publicado longas e originais matérias sobre o Brasil.

Minha primeira pergunta a ele tinha sido por que ele gosta tanto e se sente tão atraído pelo Brasil? Esperava aquela história do povo acolhedor, a bela paisagem, as bundas, a vastidão, as praias do Nordeste, mas FAROFA!

"De quê?", perguntei. "Ovo?"

"De tudo", respondeu Seth. "Abóbora, qualquer coisa."

Você pode achar que se trata de um farofeiro primitivo, mas o Seth em educação e viagem é nota dez. Cresceu em Massachusetts, estudou em Yale e Harvard, foi professor num programa para ensinar crianças pobres, dá aulas de jornalismo na NYU, trabalhou na área de assistência social do governo Giuliani e, em 1999, começou a freelançar para o New York Times na editoria Cidade.

O progresso jornalístico foi rápido. Em dois anos era repórter "full time", cobrindo o Bronx e o norte de Manhattan, e se tornou um especialista nas comunidades latinas da cidade.

Depois de quatro anos começou uma coluna na editoria de Viagem, onde tem algumas das dicas mais diferentes sobre Nova York. E começou a escrever sobre América Latina. Uma de suas primeiras matérias foi como aprendeu português.

Seth decidiu iniciar seu aprendizado num barco que pegou em Tabatinga e desceu o Solimões até Manaus. Adorou dormir em rede.

A maioria dos passageiros eram evangélicos muito doces, contou ele, mas as primeiras professoras de português do Seth eram duas moças que ensinaram a ele muito além do que estava no livro.

Não era exatamente o português que ele procurava. Conheceu Etevaldo, um evangélico que mostrou a Seth onde ele estava na Bíblia, no Gênesis, e ensinou que o nome dele em português é Sete. O repórter não só gostou do nome como tem um site com o nome Sete.

Para treinar e ser corrigido, lia a Bíblia de Etevaldo em voz alta, cercado de evangélicos e curiosos. Desembarcou em Manaus, que definiu como a anti-Roma. "Nenhuma estrada leva a Manaus, a menos que você saia do sul da Venezuela", Sete escreveu.

E descobriu os encantos da capital do Amazonas, "uma cidade para gente aventureira". A farofa ainda não tinha pintado, mas conheceu as pizzas de tucumã e cupuaçu servidas com maionese. E a fantástica variedade de peixes.

Você já sacou que o Sete não é um guia de endereços convencionais, embora tenha escrito um roteiro de 36 horas sobre São Paulo tão positivo que provocou reações negativas (leia aqui).

E Belo Horizonte! A cidade que mais gostou no Brasil. Espera aí, ô, Sete. Eu sou de lá. Não há quase nada para se fazer na minha querida cidade.

Pois o Sete descobriu duas grandes virtudes: não há turistas e tem os melhores bares do Brasil. Farofa e Beagá. O farofeiro Sete não é chegado a lugares comuns.

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