Unesco amplia Patrimônio Mundial com 21 novos sítios

BRASÍLIA, 2 Ago 2010 (AFP) -O Comitê do Patrimônio Mundial da Unesco acrescentou 21 novos sítios à lista do Patrimônio Mundial, que vão desde a Ilha de Reunião a grutas pré-históricas no México, em seu 34ª encontro celebrado em Brasília, que também abordou temas como a maior representatividade dos países em desenvolvimento.

 

A cidade episcopal de Albi na França; o Atol de Bikini das Ilhas Marshall (que sofreu 67 explosões nucleares entre 1946 e 1954); o conjunto de canais de Amsterdã do século XVII e o Bazar histórico de Tabriz, no Irã, são alguns dos novos locais, incluídos na lista do Patrimônio reconhecido pela Unesco ( agora são 911 em todo o mundo).

 

Um dos últimos sítios acrescentados à lista nesta segunda-feira foi uma área de 100.000 hectares, ou quase a metade da Ilha francesa de Reunião, no Oceano Índico, "cenário de máxima beleza e biodiversidade única", destacou Tim Badman, da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), que recomendou a inscrição.

 

Foram também reconhecidos a cidade imperial Thang Long do século XI (Vietnã) e, no México, o 'Camino Real de Tierra Adentro' (utilizado desde o século XVI para transportar a prata entre México e Estados Unidos) e as grutas pré-históricas do Vale Central de Oaxaca.

 

Cinco outros locais foram introduzidos na lista do Patrimônio em perigo, entre estes as florestas tropicais de Atsinanana em Madagascar e o Parque Nacional Everglades nos Estados Unidos.

 

As Ilhas Galápagos, laboratório das teorias da evolução de Charles Darwin, foram os únicos lugares que deixaram a lista do Patrimonio em Risco, num reconhecimento ao esforço do Equador para enfrentar o turismo descontrolado, a pesca em excesso e a introdução de espécies não autóctones.

 

A cidadela Inca de Machu Picchu no Peru também não foi integrada a essa lista de risco. Dos 21 novos sítios reconhecidos como Patrimônio Mundial, 15 pertencem a países em desenvolvimento.

 

"Houve voz dos países do Sul nesta 34 Convenção do Patrimônio Mundial celebrada em Brasília", resumiu, como um dos aspectos mais destacados do encontro, o vice-diretor de Cultura da Unesco, Francesco Bandarin.

 

Um tema presente na convenção foi o pedido do ministro de Cultura do Brasil, Juca Ferreira, de um debate maior na Unesco por mais representatividade dos países do Sul na lista do Patrimônio Mundial. "Existe um certo desequilíbrio, de modo que os bens culturais de Africa, América Latina e uma parte da Ásia não estão tão presentes" como a milenar cultura europeia, disse.

 

Outra questão levantada foi o reconhecimento de patrimônios fora de Estados, como os territórios Palestinos. "Promovemos conversações entre Israel e representantes palestinos", disse o vice-diretor de cultura da Unesco, que citou como bens a serem reconhecidos a Igreja da Natividade, em Belém, e Jericó.

 

A recuperação do patrimônio perdido no Haiti depois do terremoto sofrido este ano ocupou, também, algumas reuniões paralelas. Os trabalhos no Brasil do Comitê do Patrimônio Mundial da Unesco começaram no dia 25 de julho e se estendem até amanhã, terça-feira, numa última jornada de deliberações internas.

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