Viagem

Com os Jogos Olímpicos, a alta gastronomia ocidental deixa suas marcas em Pequim

Em Pequim

21/07/2008 15h05

Os Jogos Olímpicos aceleraram a instalação de restaurantes ocidentais de alto nível em Pequim, numa capital dominada pelas cozinhas regionais chinesas e pelo pato laqueado, um prato típico chinês. Mas seu futuro econômico continua incerto, apesar da existência de uma clientela endinheirada.

Abertos a conta-gotas há dois anos, estes restaurantes penam para encher suas mesas. "Aqui está longe de ficar cheio, e é assim para todo mundo", disse à AFP Guillaume Galliot, chefe de 27 anos do restaurante Jaan. "Não estamos em Xangai nem em Cingapura. Em Pequim, as pessoas não estão prontas para este tipo de cozinha e para estes preços", considerou o cozinheiro que importa a maioria de seus produtos, até o alho de Lautrec (sudoeste da França).

"O dinheiro está aqui. Mas muitos habitantes de Pequim preferem um restaurante chinês, mesmo caro, em vez de pagar mil yuanes (cerca de 100 euros) por um almoço francês", disse.

"Depois da acelerada com a chegada dos Jogos Olímpicos, para recuperar o nível das outras capitais, não haverá mais novidades durante um tempo", prevê o francês, dizendo que será preciso ainda uns dois anos para que a gastronomia de alto nível decole.

No Pré Lenôtre, o chefe Frédéric Meynard é mais otimista. Durante a semana, o salão fica quase cheio, com a maioria chinesa. "Criamos uma clientela fiel." Em Pequim, há muito potencial, e lugar para vários estabelecimentos de alto nível, segundo o Périgourdin, que prepara um "foie gras" (patê de fígado) fresco delicioso.

Mas ele reconhece, como seus colegas que oferecem este tipo de gastronomia, que o cerimonial de um menu degustação à francesa é sempre desanimador para a clientela local. Na Chona, os pratos chegam muito rápido, sempre ao mesmo tempo e são colocados no meio da mesa para serem divididos entre os convivas.

Os aperitivos, que não foram pedidos pelos clientes, a sucessão de pratos individuais, os couverts em abundância, os pratos prontos, o fato de tirar todos os pratos ao mesmo tempo, o pão e os produtos importados: tudo isso rompe com a tradição chinesa.

No novo restaurante de Daniel Boulud, estrela francesa da gastronomia nova-iorquina, aberto no início de julho, a dois passos da praça Tiananmen, o serviço promete se adaptar.

"Nós oferecemos gastronomia francesa. Agora, se um cliente quer ser servido à chinesa, nós nos viramos. Arrumamos louça e pratos para poder nos adaptar", disse o diretor, Ignace Lecleir.

E, como nos EUA, não é porque a cozinha é fina que o serviço deve ser pomposo. "Se o cliente pede ketchup ou tabasco, trazemos imediatamente", acrescentou.

Para Jim Boyce, autor de blogs sobre vinho e vida noturna na capital chinesa, vários novos restaurantes gastronômicos não sobreviverão aos Jogos Olímpicos, principalmente os que chegam com modelos apoiados em Londres, Nova York ou Xangai, e que não entenderam nada de como funciona Pequim.

"Os habitantes de Pequim têm um paladar sofisticado, mas não vão se acostumar por razões culturais", afirmou o canadense, que denuncia a arrogância de alguns ocidentais, convencidos de que é preciso "educar os consumidores chineses".

Mas independente de tudo isso, os Jogos Olímpicos conseguiram projetar muito a gastronomia de Pequim, onde há apenas cinco anos a refeição mais sofisticada se resumia a alguns ravioles bem servidos a preços altos, segundo o guia de entretenimento "Beijing Time Out".

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