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Geleiras e sítios arqueológicos mostram sinais do aquecimento na América Latina

Martin Bernetti/Afp
Imagem: Martin Bernetti/Afp

De Lima, no Peru

13/05/2008 15h55

Geleiras derretendo cada vez mais rápido, sítios arqueológicos em perigo e espécies em extinção são as primeiras provas visíveis dos efeitos do aquecimento global na América Latina --região que, segundo especialistas, sofrerá também com um aumento de doenças.

No sul da Argentina, o degelo já é um fato. De acordo com a organização ecológica Greenpeace, que revelou em março o impactante derretimento da geleira Viedma, nos últimos 20 anos as geleiras da Patagônia diminuíram sua extensão entre 10% e 20%. "Se essa tendência continuar, muitas das geleiras menores da Patagônia desaparecerão nos próximos 20 ou 30 anos", alertou a organização.

A situação é mais dramática nos Andes. O Instituto de Investigações Científicas da Venezuela calculou em abril que as geleiras dos Andes venezuelanos retrocederam cerca de 70% nos últimos 30 anos. O mais afetado é o Pico Bolívar, o monte mais alto do país, com 4.980 metros de altura.

Na Cordilheira Branca, no norte do Peru, a geleira Broggi desapareceu em 2005 devido ao aquecimento global.

Marco Zapata, diretor da Unidade de Glaciologia do Instituto Nacional de Recursos Naturais (Inrena), indicou que a superfície da Cordilheira Branca, que contêm 663 geleiras, mais de 200 nevados, 296 lagoas e 44 rios importantes, é atualmente de 535 km², segundo imagens de satélites de 2002 e 2003, o que representa uma redução de 25%, comparado a 1970.

A Unesco também lançou um alerta na região rica em tesouros arqueológicos no ano passado, ao prever que as variações climáticas ameaçariam regiões declaradas Patrimônio Mundial. Entre eles, a zona arqueológica de Chan Chan no Peru, a antiga capital do Reino Chimu, uma das mais importantes da América e que possui uma arquitetura de adobe afetada pelas chuvas do fenômeno do El Niño.

O mesmo ocorre com a zona arqueológica pré-colombiana de Chavín, a 460 quilômetros de Lima e localizada dentro do Parque nacional Huascarán, paraíso de flora e fauna que contém espécies pouco comuns como o condor andino, a perdiz de puna e o urso-de-óculos.

Na Costa Rica, a Unesco se preocupa com a área de conservação Guanacaste, onde nos últimos 20 anos se extinguiram 110 espécies de sapos.

Os cientistas também prevêem que o aumento do nível do mar devido ao derretimento do gelo causará graves problemas nas regiões pantanosas e com deltas, especialmente no Equador, Colômbia e Brasil, onde o perímetro da floresta amazônica pode se converter em uma savana.

Segundo o Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC), entre 2000 e 2005 houve 2,5 vezes mais eventos extremos climáticos na região do que entre 1970 e 2000, e essa tendência seguirá. O IPCC prevê mais furacões, secas, chuvas torrenciais, granizo e desertificação na América Latina nos próximos anos.

Outra área crítica é o aumento de problemas de saúde, especialmente a massificação das doenças tropicais como a malária e a dengue, que, nos últimos anos, alcançou proporções de epidemia no Brasil, Honduras, El Salvador e Venezuela, de acordo com o PNUD, Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento.

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