Viagem

Países do Mediterrâneo propõem observação "zen" de baleias e golfinhos

NICE, França, 18 jun (AFP) - Os países mediterrâneos querem organizar os passeios acima e debaixo d'água para que os milhares de turistas que se dirigem à costa da região para admirar o balé de baleias e golfinhos não estressem os belos cetáceos.

Os primos de "Flipper" nunca despertaram tanto entusiasmo. Quase inexistente no Mediterrâneo há quinze anos, a oferta de "safáris de cetáceos" disparou nas últimas temporadas de verão, dobrando anualmente na Espanha e na Itália entre 1994 e 1998.

Em França, Grécia, Croácia e Tunísia proliferam as excursões de um dia inteiro ou de meio dia para a observação de baleias.

Mas, em terra, as organizações de defesa do meio ambiente estão preocupadas com os possíveis transtornos que estas visitas poderiam causar ao ecossistema marinho.

Os vinte países da Europa e do Magreb, reagrupados desde 1996 no "Acordo sobre a conservação dos cetáceos do mar Negro, do Mediterrâneo e da zona atlântica adjacente" (Accobams), são partidários de criar um selo que permitirá distinguir os organizadores de visitas respeitosas aos aproximadamente 3.500 baleias fin, centenas de cachalotes e milhares de golfinhos que povoam o Mediterrâneo.

"A obtenção do selo estaria condicionada à assistência a uma semana de formação sobre os cetáceos e à aplicação de um código de boa conduta no mar. Nadar no mar com os golfinhos, como oferecem algumas operadoras, não será aceito", explicou Marie-Christine Grillo-Van Klaveren, secretária-executiva da Accobams, sediada em Mônaco.

Mas alguns excursionistas são céticos. Jean-Nicolas Bondaletoff, um observador de baleias radicado em Nice (sul da França) se pergunta se o selo terá visibilidade suficiente e o que acontecerá com os muitos aficionados que burlam as normas quando ficam frente a frente com um golfinho.

Um estudo sobre este fenômeno feito em 2005 para o Ministério da Ecologia francês deu destaque ao perigo representado pela excessiva aproximação dos barcos aos cetáceos, recomendando estabelecer uma distância mínima de 50 metros para os golfinhos e de 100 metros para as baleias.

Fazer círculos em alta velocidade para fazer com que os golfinhos dêem saltos ou cruzar seu caminho com as embarcações são práticas freqüentes que podem perturbar a tranqüilidade dos cetáceos, alterar sua alimentação e sono, modificar suas rotas migratórias e inclusive deteriorar suas capacidades auditivas e pulmonares.

"Seria necessário que os organizadores de passeios estivessem atentos aos sinais de estresse dos animais, mas a maioria deles não é formada para detectá-los", disse o cientista Pascal Mayol.

ID: {{comments.info.id}}
URL: {{comments.info.url}}

Ocorreu um erro ao carregar os comentários.

Por favor, tente novamente mais tarde.

{{comments.title}}

{{comments.total}} Comentário

{{comments.total}} Comentários

Seja o primeiro a comentar

{{subtitle}}

Essa discussão está encerrada

Não é possivel enviar novos comentários.

{{ user.alternativeText }}
Avaliar:
 

* Ao comentar você concorda com os termos de uso. Os comentários não representam a opinião do portal, a responsabilidade é do autor da mensagem. Leia os termos de uso

Escolha do editor

{{ user.alternativeText }}
Escolha do editor

Topo