Nevasca atinge os EUA e centenas de vôos são cancelados

NOVA YORK, 16 mar (AFP) - Com a chegada, nesta sexta-feira, de uma forte tempestade de inverno no nordeste dos Estados Unidos, as companhias aéreas foram obrigadas a cancelar centenas de vôos devido à grande quantidade de neve, gelo e chuva.

As previsões climáticas haviam estimado 45 centímetros de neve para esta sexta no estado de Nova York - 20 centímetros só para a cidade de Nova York, segundo o meteorologista do National Weather Service, Kevin Lipton.

O inverno americano foi brando se comparado a outros anos, e a população do nordeste do país já começava a acreditar que a primavera viria mais cedo este ano, mas Lipton disse que esse tipo de tempestade não é incomum nessa época.

"Às vezes pode nevar no final de março, ou até mesmo em abril e maio. Mas, na verdade, fevereiro e março são os meses com mais neve no estado", afirmou Lipton.

"De fato, isto é mais normal que anormal", acrescentou.

Mesmo assim, as companhias aéreas cancelaram quase 500 vôos por precaução.

"Cancelamos vôos por precaução por um motivo simples: torna-se mais fácil realocar os passageiros", disse o porta-voz da companhia aérea Delta Airlines, Kent Landers.

"Com o tempo, aprendemos que este tipo de procedimento diminui o impacto dos atrasos e cancelamentos em caso de tempestades", acrescentou.

O porta-voz da empresa JetBlue, Bryan Baldwin, afirmou que a companhia chegou a cancelar mais de 200 vôos por precaução, principalmente as linhas domésticas do aeroporto JFK, em Nova York, mas espera que o tráfego de aeronaves se normalize durante o fim de semana.

Tem sido um ano incomum em matéria de clima no nordeste americano, com temperaturas amenas em janeiro, seguidas de muita neve em algumas partes de Nova York em fevereiro.

A primavera parecia despontar no início da semana, quando os termômetros em Nova York marcavam agradáveis 21°C, mas a nevasca desta sexta-feira mudou o cenário.

Denis Feltgen, meteorologista do National Weather Service, disse no início do ano que o responsável pelas condições climáticas anormais era uma versão branda do fenômeno El Niño, que aquece as águas do oceano Pacífico, aumentando a temperatura do ar e causando mudanças bruscas nos padrões meteorológicos.

"Num ano típico de El Niño, e certamente teremos um ano assim, as temperaturas na parte norte do país ficam geralmente acima do normal, de fato bem acima do normal", explicou Feltgen.

Um relatório do governo americano divulgado nesta quinta-feira afirma que os meses de dezembro, janeiro e fevereiro últimos foram os mais quentes no planeta desde que os primeiros registros foram feitos, 128 anos atrás.

De acordo com a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA, na sigla em inglês), um janeiro especialmente quente elevou a média das temperaturas em 0,72 grau Celsius acima do normal no século XX.

Veja também

UOL Cursos Online

Todos os cursos