Ilhas Galápagos, Machu Picchu e ruínas maias de Copán preocupam a Unesco

  • Heloísa Lupinacci/Folha magem

SANTIAGO, 14 mar (AFP) - As ilhas Galápagos, no Equador, a cidadela inca de Machu Picchu, no Peru, e as ruínas maias de Copán, em Honduras, são as áreas patrimoniais da América Latina que mais preocupam a Organização das Nações Unidas para a Ciência, a Educação e a Cultura (Unesco), declarou o diretor do Centro do Patrimônio Mundial da Unesco, o italiano Francesco Bandarin, nesta quarta-feira.

"Galápagos, Machu Picchu e as ruínas de Copán nos preocupam muitíssimo", disse Bandarin, ao apresentar as conclusões da Reunião de Acompanhamento do Informe Periódico do Patrimônio Mundial da América Latina, encerrada nesta quarta-feira em Santiago.

Os três lugares, explicou, estão em risco, principalmente devido ao crescimento acelerado e descontrolado da indústria turística.

"O turismo é um tema recorrente. É a maior indústria do mundo, mas às vezes se torna uma ameaça direta para os valores protegidos pela Unesco", afirmou, durante entrevista coletiva.

Ao contrário, ele elogiou a conservação da parte histórica da maioria dos países da região.

De seu ponto de vista, o maior risco para a conservação na América Latina está nas Ilhas Galápagos, situadas a 1.000 km da costa equatoriana.

"Galápagos é um problema muito, muito sério. Todas as recomendações que fizemos nos anos 90 não foram escutadas", disse Bandarin.

"Estamos muito preocupados, é um local tão frágil e delicado que não pode ser tratado como se fossem as ilhas Canárias; toda a diversidade está em risco", enfatizou.

O problema está concentrado, além do turismo, na incorreta administração do parque nacional e na falta de normas que regulamentem o crescimento de fluxo para as ilhas.

"Não estamos satisfeitos com a administração do parque nacional. Além disso, todas as leis de controle que existem, existem só no papel. Não há nenhuma lei que seja respeitada", disse o funcionário da ONU.

O desenvolvimento do turismo também está afetando a conservação da cidadela inca de Machu Picchu e as ruínas maias de Copán, em Honduras.

"Em Machu Picchu, sua parte arqueológica está bem conservada. O que está ocorrendo - por pressões do turismo - é o desenvolvimento caótico e anárquico de um lado que está sob a montanha, o povoado de Aguas Calientes", disse Bandarin.

"Há muitas pressões de todo tipo para que se desenvolva esta área, mas se está arruinando a paisagem histórica de Machu Picchu", acrescentou o funcionário.

Ele criticou ainda a abertura, há um mês na região, de uma nova ponte para o tráfego de automóveis. "Para nós, não é aceitável. Não se pode deixar o tráfego de veículos abertos em uma área tão frágil", destacou.

Segundo números oficiais, 3.000 pessoas visitam diariamente o santuário arqueológico peruano, situado a nordeste de Cuzco, a antiga capital do império inca.

Algo similar ocorre nas Ruínas de Copán, no norte de Honduras e perto da fronteira com a Guatemala, consideradas como a cidade maia mais avançada e elaborada artisticamente.

Segundo Bandarin, a região também sofre com os rigores do turismo, embora por enquanto a Unesco se preocupe especialmente com a construção de um novo aeroporto.

"É uma zona arqueológica muito importante e pensamos que um novo aeroporto poderia danificá-la. Estamos pedindo que se mude para outro local", disse o funcionário.

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