Peru quer desbancar o Brasil como a nova meca dos surfistas da América Latina

Por Luis Jaime Cisneros

  • Eitan Abramovich/AFP

LIMA, 1º mar (AFP) - O Peru quer se tornar uma referência obrigatória na América Latina para os amantes do surfe, desbancando o Brasil desta posição, enquanto a prática deste esporte de elite atinge um auge sem precedentes, massificando-se e rivalizando com o verdadeiro esporte de massas na região: o futebol.

A atual temporada de verão evidenciou a consolidação desse novo esporte, que atrai aqueles que gostam de manter a adrenalina em alta, equilibrando-se em uma prancha no mar, e o Peru, segundo especialistas, tem as melhores ondas da região.

Os principais sinais desta massificação do surfe são a multiplicação das escolas para surfistas, o aumento dos fabricantes de pranchas e roupas, e o nascimento de um incipiente turismo para os adeptos desse esporte marítimo.

"Em vez de apostar no futebol, que exige maiores investimentos para construção de campos, as autoridades deveriam investir na formação de fabricantes de pranchas e na preservação de nossas praias", disse à AFP Roberto Meza, diretor de Olas Peru, a primeira escola do gênero.

O valor agregado das águas do Pacífico, que banham o Peru, é que "se trata de um país privilegiado por sua riqueza em ondas e por ter uma das costas mais constantes do mundo, o que permite surfar em qualquer estação do ano", disse Meza.

Esse privilégio da natureza, que se estende nos quase 2.000 km de litoral do Peru, torna as ondas peruanas mais atraentes que as do Brasil, o gigante do esporte na América Latina com oito milhões de surfistas.

No Peru há mais de 60.000 surfistas em comparação aos cerca de 25.000 que existiam há 10 anos. O Peru tem inclusive uma campeã mundial: Sofía Mulanovich ganhou em 2004 o título da categoria principal, a WCT.

Segundo os surfistas locais, depois do futebol, o surfe é o esporte com maior quantidade de praticantes, com uma multiplicação de campeonatos, diurnos ou noturnos.

Desde que Mulanovich ganhou o título, milhares de meninas desejam imitá-la e correm às praias de Lima para se inscrever nas escolas de surfistas. na década passada só existia em escola, atualmente são dezenas. Há alunos dos quatros anos de idade a adultos, que já passaram dos 50.

"Eu quero ser como Sofía", disse à AFP Jasmine, de nove anos, uma das dezenas de meninas e meninos que a cada dia aprendem a surfar na praia limenha de Punta Roquitas.

Em 2006, o Peru ganhou uma nova estrela, a vice-campeã mundial Analí 'a negra' Gómez, na WQS, uma espécie de segunda divisão do surfe.

As repercussões desse esporte não são apenas desportivas, mas econômicas e sociais, pois seu crescimento marcou o surgimento de uma indústria paralela em torno dela: o turismo e a moda do surfe.

"O estado e a empresa privada deveriam apoiar e investir na promoção de nossas praias como referência obrigatória para os surfistas", assegurou Miguel Vegas, fabricante de pranchas e diretor de Surf Travel, agência dedicada ao turismo para surfistas.

O Peru não só quer ser o paraíso dos surfistas, mas reivindica para si a origem da prancha, pondo em dúvida o Havaí como berço desse esporte.

Segundo Vegas, os antigos peruanos da cultura Mochica (norte) foram os precursores da prancha ao ter desenhado uma pequena embarcação feita em palha sobre a qual pescavam parados nas águas do Pacífico no século XIII.

A magia do surfe está no Peru. Não foi à toa que os Beach Boys compuseram em 1965 Surfing Safari, dedicada às ondas de Cerro Azul, no sul peruano.

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