Viagem

Aceleração do degelo nos Andes peruanos preocupa cientistas

13/02/2007 18h18

Por Roberto Cortijo LIMA, 13 fev (AFP) - Especialistas peruanos estão preocupados com a forma acelerada como estão derretendo as geleiras dos Andes e com o possível desaparecimento de um dos picos nevados mais procurados pelos turistas, revelou a Unidade de Glaciologia do Instituto Nacional de Recursos Naturais (Inrena).

As geleiras tropicais peruanas - que representam 70% das geleiras da região andina - são as mais afetadas porque respondem mais rápido às mudanças climáticas e correm o perigo de desaparecer em algumas décadas, alertou um informe do Inrena.

No século atual, o aumento da temperatura global pode ser de 1,5°C a 5,8°C, o que faria com que muitas geleiras situadas abaixo dos 5.000 metros de altitude desaparecessem da face da Terra, continuou o documento.

"No Peru, apesar de se encontrar na região do trópico do sul, devido à Cordilheira dos Andes, com altitudes superiores aos 6.000 metros, ainda existem áreas de geleiras significativas, que estão experimentando um dramático processo de ablação e retrocesso, em conseqüência da mudança climática em escala regional e mundial", afirmou o diretor da Unidade de Glaciologia do Inrena, Marco Zapata.

Ele informou que a preocupação se concentrou no resultado de um estudo da unidade que revelou que a coroa de gelo e neve do cume do Pastoruri (5.240 metros) diminuiu 40% entre 1995 e 2005, por causa do aquecimento global.

O Pastoruri é um dos picos nevados mais importantes da Cordilheira Branca, no departamento de Ancash (nordeste) e centro do turismo da região. De acordo com Zapata, ele "não é considerado uma geleira propriamente dita, mas simplesmente uma camada de gelo dentro da cordilheira", mas é uma referência, de qualquer forma, ao que está acontecendo nos Andes peruanos.

"Em 1995, fizemos uma medição no Pastoruri, que alcançou 1,8 km2 de superfície coberta de gelo. Em 2001, passou para 1,4 e, em 2005, chegou a 1,1 km2", explicou.

Segundo Zapata, se esta tendência continuar, a geleira terá desaparecido em dez anos. Além disso, comentou, "ainda não se definiu em que percentual a afluência diária do turismo contribui para um desaparecimento mais rápido do (pico) nevado".

O especialista do Inrena considerou também que, provavelmente, várias geleiras dos Andes peruanos de menos de 5.000 metros de altitude correm o mesmo risco que o Pastoruri.

De acordo com o relatório, a superfície gelada da Cordilheira Branca - parte dos Andes onde fica o Pastoruri - passou de 723 km2, em 1970, para 611, em 1997, o que equivale a uma redução de 15,46%.

Em 1970, informou o Inrena, o Peru tinha 2.041 km2 de superfície de geleiras, que diminuíram para 1.594 km2 em 1995.

Entre 1948 e 1976, o retrocesso das geleiras era de oito metros por ano, em média. De 1977 até hoje, esta redução chega a 20 metros por ano.

O órgão peruano advertiu ainda que os degelos podem gerar transbordamentos de lagoas, provocando inundações e avalanches nos povoados assentados nas bases dos picos nevados. Por esse motivo, a recomendação do Inrena é que medidas sejam tomadas para que a população não seja surpreendida.

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