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Brooklyn: 10 maneiras de curtir uma NY diferente e muito mais descolada

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A ponte do Brooklyn, em Nova York Imagem: Reprodução/Facebook

Amanda Denti

Colaboração para o UOL

16/09/2018 04h00

A Quinta Avenida cobra os olhos da cara por qualquer comprinha, a comida dos restaurantes da Times Square pode ser uma roubada e, apesar do Central Park ser lindo, poucos turistas já descobriram como são gostosas outras áreas verdes da Big Apple. É por essas e outras que as coisas mais legais que estão rolando em Nova York atualmente não ficam mais em Manhattan. O lugar da vez, agora, é outro borough, nome que os nova-iorquinos dão para os cinco distritos que compõe a maior cidade dos Estados Unidos: o Brooklyn.

Originalmente, o Brooklyn era um pedação de terra ocupado por nativos e hoje é a área mais populosa do estado. Antes de integrar Nova York, era uma cidade independente colonizada por europeus, virou cenário de guerra, lutou contra a escravidão e abrigou imigrantes judeus, chineses, caribenhos, latinos, africanos, russos, poloneses, italianos, muçulmanos, irlandeses, gregos e o escambau. Também virou point de artistas que não conseguiam mais pagar os preços abusivos de Manhattan e da população LGBTQ, que ali liderou o movimento de legalização das uniões de pessoas do mesmo sexo, em 2011. Hoje, visitar o caldeirão cultural do Brooklyn é quase como ver uma América descolada do resto do país. E que fica ainda mais interessante nesses dez programas que só quem nasceu ou mora lá costuma fazer. Faça também.   

Veja também:

1. Aprenda filosofia ou cultura pop enquanto bebe cerveja nos ThinkOlio

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Palestra do grupo ThinkOlio Imagem: Divulgação

“Eu deveria me matar ou tomar um café? O que o Radiohead queria quando lançou o álbum "OK Computer"? O Budismo e a psicodelia disputam o mesmo território? Qual a relação entre a história da tecnologia e o futuro do sexo? A comédia pode sobreviver ao politicamente correto? Monogamia ou amor livre?”

São para esses tipos de perguntas – curiosas, engraçadas, profundas, instigantes - que professores de renomadas universidades americanas apresentam respostas – curiosas, engraçadas, profundas, instigantes - nas apresentações descontraídas que fazem em livrarias, museus e bares bacanas do Brooklyn, regadas a copos e mais copos de cerveja artesanal. São os eventos do ThinkOlio, um grupo que organiza palestras descontraídas e reúne um monte de gente interessante, cada vez num lugar diferente (cheque onde será o próximo em thinkolio.org). Elas acontecem sempre no começo da noite e custam, em média, 20 doletas. Mas é open bar!

2. Curta um brunch descolado em Fort Greene

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Bacon, ovos e um drinque: esse é o brunch da Olea Tavern Imagem: Reprodução/Instagram

Domingo em Nova York é como se fosse o Dia Universal do Direito ao Brunch. Mas a Olea Tavern (Lafayette Avenue, 171, oleabrooklyn.com) faz uma releitura mediterrânea dos ovos com bacon que vale a pena esperar para provar – porque é bem provável que tenha fila na porta. Como será final de semana e você estará de férias, é só relaxar nas mesas e bancos externos e pedir uma champagne em latinha - sim! - para abrir o apetite.

Pense em pratos com inspiração espanhola, francesa e turca, como a torrada com linguiça de chorizo e queijo manchego, o sanduíche na baguette de queijo de cabra orgânico e salmão defumado, ou os “ovos verdes mexidos”, best seller, feito com coentro fresco, salsicha de cordeiro e pão pita. A granola da casa, servida com iogurte grego fresco, iluminados na tijela redondinha pela luz natural que entra através dos janelões do lugar, também vale o desembolso. Pra continuar bebendo, vá de mimosa feita com suco de laranja, framboesa e manga.

Outra coisa legal da Olea Tavern é a localização: fica em Fort Greene, um bairro no Brooklyn cheio de prédios baixos, arquitetura do século 19, árvores que emolduram as calçadas, e um clima cult no ar. Os bestsellers nas prateleiras da livraria independente Greenlight Bookshop (Fulton Street, 686) são um jeito de entender os movimentos políticos daqueles metros quadrados. E se você já assistiu filmes ou séries do Spike Lee, como "She’s Gotta Have It", vai reconhecer a redondeza. Além de usar bastante o bairro como cenário, o cineasta mantém sua famosa produtora, a 40acres&AMule (South Elliott Place, 75), num desses predinhos, a cinco minutos a pé de distância da Olea Tavern. 

3. Pague barato no outlet a céu aberto da Fulton Street

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O shopping City Point Imagem: Reprodução/Wikimedia

Quem quer fazer compras em NY (e quem não quer?), quase sempre perde um dia inteiro da viagem camelando até os outlets das cidades vizinhas. Só que não precisa ir tão longe para fazer render os dólares. Se gostar de marcas como Banana Republic, Gap, Steve Maden, The Children’s Place e Forever 21, precisar engrossar o enxoval do bebê que vem por aí ou quiser apenas comprar novos tênis, experimente ir até a Fulton Street, no coração de Downtown Brooklyn, onde as lojas remarcam seus produtos com descontos bem atraentes.

Há vários metrôs que passam ali perto (como o Dekalb St, linha laranja, e o Nevins St, linha verde) e o shop tour pode começar ou terminar no City Point (Albee Square West, 445), um shopping que tem tanto grandes redes como Century 21 e Target, quanto lojinhas super tentadoras, como a Flying Tiger Copenhagen, com vários achados de decoração e papelaria por menos de 10 dólares. E mais. Descendo a escada, fica o DeKalb Market (http://dekalbmarkethall.com/), um food hall modernoso, parecido com o Chelsea Market, de Manhattan, mas com restaurantes únicos, como o The Katz, que faz o mais famoso sanduíche de pastrami de NY. E se gostar de cheesecake, estique a caminhada até o Júnior’s (Flatbush Avenue, 386), que serve a mais lendária sobremesa americana desde os anos 50. E adivinhe se é boa?

4. Faça ioga como se estivesse numa sauna no Yoga To The People

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Aulas de ioga duram uma hora Imagem: Divulgação

Alonga o corpo. Cruza as pernas. Abaixa a cabeça. Respira. Flexiona os joelhos. Equilibra os braços. Medita. Migra para a próxima posição de forma suave, isso... Agora repete todos esses movimentos numa sala de ginástica em que a temperatura está nos 40 graus!

A Hot Yoga é uma das três modalidades disponíveis nesse conjunto de estúdios, que nasceu com a ideia de democratizar o acesso à Ioga numa cidade em que a moda e os preços para aderir estavam transformando a prática em algo inacessível – o que vai totalmente contra a filosofia indiana que lhe deu origem. O coletivo onde as pessoas interessadas podem frequentar as aulas sem taxas de matrícula ou contratos, só fazendo uma doação de acordo com o seu bolso (eles sugerem de 10 a 15 dólares), aceita todo mundo: dos principiantes aos mais avançados na técnica. Você vai ver gente de cabeça pra baixo já no aquecimento, bem como aqueles que estão ali pela primeira vez, suados só de olhar. Não precisa nem trazer o mat individual (aquele colchãozinho para apoiar o corpo durante o exercício), dá pra alugar direto no local por 2 dólares cada. As aulas duram uma hora, são guiadas por instrutores profissionais, e acontecem o dia todo no número 211 da 11th Street. Melhor deixar pra fazer no final do dia por motivo de: banho.

https://yogatothepeople.com/brooklyn-ny

5. Relaxe num piquenique no Prospect Park

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Parque tem área para prática de esportes e para piqueniques Imagem: Reprodução/Facebook

O Prospect (prospectpark.org) é o Central Park do Brooklyn, só que sem os turistas disputando a cotoveladas um lugar para tirar foto na ponte. Lá é um lugar de observação de passarinhos e de gente praticando tudo quanto é esporte, inclusive o esquisitíssimo, porém curioso, Quidditch, inspirado em Harry Potter. Num dos seus vastos campos livres, debaixo de alguma sombrinha, é onde você deve estender a toalha ou abrir o saco de papel pardo da padaria mais próxima, e curtir um tradicionalíssimo piquenique no parque.

Aos sábados, rola uma feirinha de orgânicos na entrada principal do parque (Flatbush Ave), onde dá para comprar deliciosos donuts de canela feitos com ovos de galinhas criadas fora da gaiola, é claro. Dedique aqui alguns minutos pra observar o monumento Grand Army Plaza, que fica em frente, e foi palco de uma das batalhas da Revolução Americana, com estátuas de figuras da Guerra Civil.

De volta ao picnic. Se quiser fazer como os hipsters que tomam vinho rosé camuflados dentro de copos de café (na teoria, é proibido beber na rua), complete o cardápio ao ar livre com hummus, cenourinha, blueberries, baggels e cream cheese. Só tome cuidado com os cachorros, quase todos soltos pelos donos, possivelmente tão interessados quanto você no seu lanche. O clima é de comunidade democrática de vizinhos. Uma delícia.   

6. Dance e aprecie arte no Brooklyn Museum

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Festa no Brooklyn Museum Imagem: Reprodução/Facebook

Ao contrário dos outros museus antigos e gigantes de NY, o Brooklyn Museum, embora tenha coleções classudas até do Egito Antigo, oferece exposições especiais bem mais contemporâneas, com muito conteúdo dedicado à herança da cultura afrodescendente, e um monte de iniciativas que propõem uma leitura feminista da arte ao longo da história. Recentemente, após a morte de David Bowie, eles colocaram de pé uma grande exposição sobre as perfomances do artista e do seu legado para a música. E é com essa pegada menos careta que o museu organiza várias festas nos mesmos salões em que estão expostas cerâmicas asiáticas milenares!

Sempre no primeiro sábado de cada mês, o Brooklyn Museum abre suas portas para oficinas artísticas e apresentações musicais ao vivo – e sem cobrar nada por isso. Também promove baladinhas que vão até a madrugada para inaugurar exposições, como a que será lançada este mês e que compilará expressões de arte na era do Black Power com hits dos anos 60 aos 80, tocados por DJs badalados. É só prestar atenção no calendário (brooklynmuseum.org) e ir curtir a arte e a night na Eastern Pkwy, 200, pertinho do Prospect Park.  

7. Descubra o prazer dos coffeeholics do Brooklyn Roasters

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Brooklyn Coffee Roasters é indicação de cafeteria no bairro Imagem: Reprodução/Facebook

Não há nada mais comum na vida de um nova iorquino típico do que passar um bom tempo dentro de um coffee shop – seja para trabalhar nos seus notebooks, encontrar amigos, se esparramar numa poltrona de couro lendo um livro ou apenas ver a vida passar com uma caneca quentinha entre os dedos. As cafeterias boutique estão em todas as esquinas, tentando se distanciar dos cafés das grandes redes com blends de grãos (quase sempre orgânicos) vindos dos quatro cantos do mundo – sem falar nos avocados toasts, a torrada com abacate tão popular que já virou mote para apontamentos econômicos, como o índice Big Mac. A estrela nesse tipo de negócio é o barista, e parte do ritual está em assistir ao jeito que esses profissionais estilosos levam a sério a extração de cada espresso e a precisão necessária pra desenhar formas de corações na bebida só mexendo um bule com leite quente.

Algumas destas casas oferecem também sessões gratuitas de cupping, ou degustação, onde dá para aprender a diferenciar os sabores e aromas dos cafés. É o caso da Brooklyn Coffee Roasters (brooklynroasting.com), no bairro Dumbo, bem debaixo da Brooklyn Bridge (Jay Street, 25). Além do cupping, que acontece aos domingos, às 11h, se você der sorte verá - e sentirá no cheiro que se espalha pelo ar - o grande torrador industrial em ação, no meio do salão. O tipo de torra (clara, média ou escura) determina o sabor, o corpo e a acidez da bebida que a gente não vive sem. Mas mesmo se você não tomar café, ainda assim vá, e experimente um chai latte com leite de amêndoas. É tipo abraço de mãe.

8. Curta a melhor vista de NY, como a Marilyn  Monroe fazia

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Cinema ao ar livre no Brooklyn Bridge Park, com vista para NY Imagem: Reprodução/Facebook

De manhã ou à noite, tanto faz. Se você morasse perto da Brooklyn Heights Promenade (na interseção da Montague St com a Pierrepont Pl), uma calçada larga e curtinha, onde não passam carros, teria, todo dia, a visão mais privilegiada de Nova York. A Brooklyn Bridge está ao lado direito, a Estátua da Liberdade ao lado esquerdo e, em frente, o East River banha a área conhecida como Downtown Manhattan, onde estão os famosos arranha céus de Wall Street (onde ficavam, inclusive, as torres gêmeas do World Trade Center). Atrás dos charmosos bancos antigos onde casais se abraçam admirando a vista, estão mansões de cair o queixo numa vizinhança milionária que já teve como residentes Marilyn Monroe e Truman Capote.

Logo ali embaixo, tem também o recém reformado Brooklyn Bridge Park (https://www.brooklynbridgepark.org), com seis longos píers diferentes (comece pelo último, o Píer 6, e siga em frente), que concentram equipamentos públicos modernos pensados pro lazer, convivência e prática esportiva de quem passa por ali. De bike ou a pé, vale a pena explorar de ponta a ponta, passando por jardins bem cuidados, instalações artísticas e fachadas preservadas de antigos galpões industriais. Você também vai ver gente grande e pequena dando voltas de 2 dólares no Jane’s Carroussel (uma estrutura construída em 1922, digna de fotografia), e campos de futebol society cercados de água por quase todos os lados, o que dá a impressão de que os atletas de final de semana que jogam ali flutuam sobre o rio. A especulação imobiliária já tá tomando conta do pedaço, com hotéis e condomínios luxuosos se instalando na beira de tudo isso... Mas no verão ainda dá pra ver como funciona uma piscina pública e assistir a filmes projetados num telão, sentado na grama, à luz do luar, de graça. 

9. Passe um sábado perfeito em Williamsburg

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Feira gastronômica de Smorgasburg Imagem: Reprodução/Facebook

Originalmente ocupado por imigrantes caribenhos e poloneses (olha só a mistura!), Williamsburg é o lugar mais hypado do Brooklyn – e, talvez, da própria NY. Tem arte contemporânea efervescente, vida noturna intensa, lojinhas transadas, charmosos hotéis boutique e restaurantes disputadíssimos. Aqui você passa por gente que quer ser vista, apesar de ter se esforçado bastante pra bagunçar o cabelo, vestir uma jaqueta jeans surrada e parecer um artista desencanado que acabou de acordar. Faça o mesmo. E faça, também, comprinhas diferentes na Bedford Street, o palco central de tudo aquilo.

Fique atento aos grafites do brasileiro Kobra em algumas esquinas, monte a sua própria bijuteria com pedras brutas na Brooklyn Charm (na North 9th St), incorpore o dress code do pedaço experimentando chapéus na Goorin Broothers (na North 7th St), e looks mais acessíveis da marca Urban Outfitters (North 6th Street, 98), caçando pechinchas na ponta de estoque que fica escondida no andar inferior da loja.

Quando bater a fome, vá para o Smorgasburg (Kent Ave, 90), o maior mercado semanal (porque só acontece aos sábados) a céu aberto dos Estados Unidos, considerado o Woodstock da comida. Tem spring rolls asiáticos, arancinis italianos, pão da Etiópia, tacos mexicanos, costelinha americana ao molho barbecue, sanduíche de lagosta de Maine, hamburguer vegano e cookies recheados com sorvete. É pra abrir o apetite e encerrar ali mesmo o expediente. E pra gastar bem menos do que cobram os restaurantes.

Para terminar o dia em grande estilo, assista ao pôr do sol num transporte público que vai te fazer ver a Brooklyn Bridge de outra perspectiva: passando por baixo dela. Uma voltinha no NYC Ferry (sim, um barco https://www.ferry.nyc/routes-and-schedules) custa só 3 dólares e, se você estiver se hospedando em Manhattan, o ponto final pode ser o outro lado do rio. Embarque em North Williamsburg (North 6th Street com Kent Ave) e prepare o celular para as selfies.

10. Coma lagosta barata e ouça folk music no Red Hook

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Restaurante serve lagosta com milho, salada de repolho e batata Imagem: Reprodução/Facebook

O Red Hook é um bairro que não figura nos guias convencionais de turismo, apesar de ter história. Foi cenário de filme com Marlon Brando, onde Al Capone virou "Scarface" e o bairro mais temido de NY nos anos 90. Mas hoje tem restaurantes pra lá de especiais e esconde surpresas em ruas com uma nostálgica atmosfera portuária. Como o Sunny’s Bar (Conover Street, 253 - sunnysredhook.com), que parece ter parado no tempo.

De luz baixa, décor composta por placas em neon e miniatura de barcos, ao entrar você logo percebe os tipos sentados no balcão, com tatuagens desbotadas nos braços. A localização, bem em frente ao New York Harbor, sugere sejam velhos pescadores conversando com intimidade com o bartender enquanto tomam seu whisky (aqui, a receita é ir nos clássicos). Até que entram músicos com anos de estrada, carregando instrumentos nas costas, para as jam sessions. Eles vão para a parte de trás do bar, onde tocam música folk, country e blues, numa sala cheia de pinturas. Desligue o celular e deixe a noite passar devagar, just like the old times.

Ao sair, estique as pernas até a esquina e desfrute de uma vista sem concorrência da Estátua da Liberdade. Se gostar de frutos do mar, pare no Red Hook Lobster Pound (Van Brunt Street, 284 - redhooklobster.com), a algumas quadras dali. É o único lugar que dá para comer uma lagosta inteira por 25 dólares. Vem com milho, saladinha de repolho, batata e um babador pra manteiga não te denunciar na próxima parada. Mas o preço, pra lá de especial, rola apenas nas noites de quartas-feiras. Nos outros dias, depende do valor do quilo da delícia.

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