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Turismo entre Coreias: o passeio em uma das fronteiras mais tensas do mundo

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Na Joint Security Area, militares das Coreias do Sul e do Norte ficam frente a frente Imagem: Getty Images

Marcel Vincenti

Colaboração para o UOL

13/06/2018 04h00

Visitar uma fronteira marcada por um histórico de guerra, cercada por minas terrestres e recheada de militares mal-encarados não remete, à primeira vista, a um passeio de férias. 

Mas, em um dos pontos de encontro dos territórios da Coreia do Sul com a Coreia do Norte, esta é uma atividade realizada por turistas do mundo inteiro.

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Na divisa entre as Coreias existe uma faixa de terra de quatro quilômetros de extensão conhecida como DMZ (sigla que pode ser traduzida como "Zona Desmilitarizada"), estabelecida, nos anos 1950, como uma zona de separação e de segurança entre os dois países, que, naquela época, haviam acabado de se enfrentar em uma guerra que durara mais de três anos. 

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Ainda há minas terrestres na região que separa a Coreia do Sul da Coreia do Norte Imagem: Getty Images/iStockphoto

Ao redor da DMZ, entretanto, o que não faltam são paisagens cheias de armas, soldados e um clima de tensão, mesmo que, recentemente, o ditador norte-coreano, Kim Jong-un, tenha, em um ato histórico, cruzado a fronteira para fazer uma amigável reunião o presidente sul-coreano, Moon Jae-in.

A área é visitada principalmente por tours organizados que saem de Seul --e que mostram a área desde o ângulo do solo da Coreia do Sul. 

Durante o passeio, os viajantes conhecem lugares como o Imjingak Park (onde estão expostas peças de artilharia utilizadas na guerra entre as Coreias) e um moderno museu que conta a história do conflito (que começou quando a Coreia do Norte, que já vivia sob um regime comunista, invadiu seu vizinho do sul, que já se encontrava sob influência dos Estados Unidos).

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Entrada de túnel que teria sido aberto pela Coreia do Norte para invadir a Coreia do Sul Imagem: JoshBerglund19/www.flickr.com/photos/79877212@N00/3391982738

Um dos resquícios desta briga ainda podem ser vistos de perto pelo público: trata-se de um enorme túnel que teria sido aberto pelos norte-coreanos, nos anos 1970, e que seria usado como uma via de ataque surpresa a Seul.

Localizado a cerca de 75 metros de profundidade e já dentro do território sul-coreano, trata-se de um buraco de aspecto cavernoso e que pode incomodar quem sofre de claustrofobia. Mas é um símbolo eloquente da inimizade que marca o relacionamento das duas nações asiáticas.

De olho na Coreia do Norte

Uma das partes mais interessantes do tour até a região da DMZ é a visita ao Observatório de Dora, onde os turistas se equipam com lentes de longo alcance e observam parte do território norte-coreano do outro lado da fronteira. 

Na paisagem, junto com muitas barreiras de arame farpado e terrenos onde ainda existem minas terrestres, aparece o vilarejo de Kijong-dong (parte da terra do ditador Kim Jong-un), chamado por muita gente de "a vila da propaganda": suas casinhas e prédios bem pintados e cercados por campos agrícolas seriam apenas uma tentativa da Coreia do Norte de mostrar, para aqueles que estão olhando desde a Coreia do Sul, que os centros urbanos e rurais do país são bem cuidados e organizados. 

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A área que separa as duas Coreias é altamente militarizada Imagem: Getty Images

Desde o observatório de Dora, entretanto, é possível ver que muitas construções estão vazias e nem janela têm.

E há outro fato curioso na área: a paisagem de Kijong-dong é marcada por um mastro de 160 metros de altura, no topo do qual de destaca a bandeira norte-coreana. A construção gigantesca teria sido levantada ali como uma resposta à Coreia do Sul, que pouco tempo antes tinha erguido um mastro de aproximadamente 100 metros de altura (com sua bandeira no alto) em uma cidade na região da DMZ. O episódio ficou conhecido como a "guerra dos mastros". 

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Mastro de 160 metros de altura marca paisagem da Coreia do Norte vista desde a Coreia do Sul Imagem: Getty Images

E, ocasionalmente, este lugar é também cenário de uma guerra de propagandas: de um lado, o regime da Coreia do Norte já colocou potentes alto-falantes para emitir frases de efeito a favor de seu regime e contra a Coreia do Sul e seu principal aliado, os Estados Unidos. Do outro, sul-coreanos já puseram suas famosas músicas pop para reverberar em direção à Coreia do Norte (onde elas costumam ser proibidas). 

Os guias dos tours à DMZ, por sua vez, que saem de Seul costumam falar para que os turistas não provoquem soldados norte-coreanos, caso percebam que estejam sendo observados de binóculos por estes militares desde longe: trata-se, afinal, de um lugar propício para ser cenário para incidentes violentos. 

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Turistas observam a Coreia do Norte desde o Observatório de Dora, na Coreia do Sul Imagem: Josh Berglund/creativecommons.org/licenses/by/2.0/deed.en

Muitas vezes, os passeios também incluem uma ida ao lugar conhecido internacionalmente como Joint Security Area, um conjunto de edificações que sediam eventuais reuniões entre as Coreias --e onde soldados dos dois países ficam frente a frente uns com outros. 

Após ouvir, dos guias sul-coreanos, histórias sobre como a vida pode ser sofrida na Coreia do Norte comunista, os turistas têm a chance de se jogar no mais puro modo de vida capitalista: após deixar a DMZ, alguns tours levam os viajantes para fazer comprinhas de produtos de grife americanos no Paju Premium Outlets, shopping localizado na cidade de Paju, perto da fronteira.  

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