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Distritos da Luz Vermelha de Bangcoc têm shows malucos de pompoarismo

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Turistas visitam a área de Soi Cowboy, em Bangcoc, para ver ruas tomadas por garotas de programa Imagem: Getty Images

Marcel Vincenti

Colaboração para o UOL

30/03/2018 04h00

Dentro de um escuro e minúsculo clube da região de Patpong, em Bangcoc, uma mulher de meia-idade sobe completamente nua em um palco de striptease, senta-se no chão com as pernas abertas e expele, de dentro da vagina, uma bolinha de pingue-pongue em direção ao público.

A ação surpreende todos os presentes, mas é apenas uma introdução do que está por vir (e de sua habilidade no pompoarismo): logo em seguida, após sumir e reaparecer rapidamente, ela coloca um aquário com água no chão, se agacha e solta, também do interior de sua vagina, um peixinho dourado (vivo) para dentro do recipiente.

E não para por aí: no decorrer de cerca de 30 minutos, a mulher usa seu órgão genital para escrever em um papel com uma caneta, para jogar dardos contra balões e até tirar, de lá de dentro, um passarinho (também vivo) com as penas todas bagunçadas.

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Casais de estrangeiros curiosos fazem parte do público que frequenta a área de Soi Cowboy Imagem: Getty Images

Apesar de parecer estranho, este show não pertence a um submundo secreto de Bangcoc: conhecido como "ping pong show", ele é uma atração turística da cidade, frequentada, inclusive, por muitas mulheres (além de ser uma espécie de parada final dos passeios que turistas curiosos realizam pelos bairros de prostituição de Bangcoc).

Selva do sexo

Junto com templos budistas, baladas enlouquecidas e ótima gastronomia, a prostituição é uma das atrações turísticas de Bangcoc. E isso não se refere apenas a homens estrangeiros que vão à cidade para transar com garotas de programa.

Diversos casais, mulheres e grupos de amigos fazem questão de, durante sua estadia na capital tailandesa, visitar os "distritos da luz vermelha" da cidade para simplesmente ter a experiência de ver, ao vivo, sua caótica paisagem urbana.

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As boates dos "distritos da luz vermelha" de Bangcoc têm nomes sugestivos Imagem: Getty Images

Esses passeios ocorrem principalmente nas regiões de Patpong e de Soi Cowboy, que, durante a noite, têm suas calçadas e asfalto tomados por centenas (talvez milhares) de dançarinas e garotas de programa.

O horizonte destes locais é marcado por uma sequência quase interminável de letreiros iluminados, que promovem nomes de boates como "Super Pussy" (traduzindo chulamente para o português, "Super Buceta") e "Dollhouse" ("Casa de Bonecas").

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Imagem da área conhecida como Soi Cowboy, em Bangcoc Imagem: Getty Images

Ao cruzar ambas as áreas, muitos dos turistas são cercados pelas garotas de programa e puxados, às vezes agressivamente, em direção ao interior dos clubes.

Lá dentro, em ambientes escuros e tomados por música eletrônica e hits do pop em volume ensurdecedor. As boates são tomadas por mais e mais mulheres (muitas nuas) dançando sobre palcos e flertando com clientes.

E, entre a clientela, há homens em busca de sexo pago como turistas (mulheres, também) interessados apenas em observar o cenário e depois contar em casa que conheceram um inferninho de Bangcoc.

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A área de Soi Cowboy tem em uma paisagem caótica que atrai estrangeiros (e não apenas homens) Imagem: Getty Images

Também há os grupos de jovens estrangeiros que lembram a turma dos filmes "Se Beber, Não Case!" (cuja parte 2 teve cenas gravadas em Soi Cowboy): completamente loucos, gritando com vozes bêbadas e fazendo arruaça.   

Tráfico de mulheres e lavagem de dinheiro

Porém, mesmo sendo atração turística, os "distritos da luz vermelha" da Tailândia poder ter um lado criminoso: publicada em fevereiro de 2018, reportagem da agência de notícias Efe revelou que, dentro do mercado da prostituição da Tailândia, há episódios de tráfico de pessoas, de exploração de menores de idade e de lavagem de dinheiro. 

O texto relata o caso de um menina que foi obrigada a trabalhar em um prostíbulo de Bangcoc quando tinha 12 anos de idade. Em janeiro deste ano, 20 mulheres vítimas do tráfico de pessoas foram resgatadas deste mesmo estabelecimento (que se chamava Victoria Secret e foi fechado pela polícia).   

Sobrepreço

Ao pisar nos em Soi Cowboy ou Patpong, os estrangeiros são prontamente convidados, por funcionários das boates, para ver os "ping pong shows" ou números de dança.

Os preços de ingressos geralmente incluem uma cerveja e chegam a custar 300 baht (cerca de R$ 30) ou até menos por pessoa. Porém, ao entrar nos clubes, é normal que haja cobranças extras, como gorjetas para a pompoarista ou mudanças súbitas no preço da entrada, o que pode deixar tudo bem caro.

Ao se recusar a pagar, será possível perceber que, sim, este é uma espécie de submundo: é provável que o segurança da balada adote uma postura ameaçadora para conseguir cobrar e receber o valor desejado. 

Se quiser explorar os cenários de Patpong e Soi Cowboy, lembre-se: você também pode acabar explorado ou alimentar uma rede criminosa.

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