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Repórter vai a bordel de luxo na Alemanha e ouve: "Brasileiro não aguenta"

Ricardo Ribeiro

Colaboração para o UOL, em Berlim

21/03/2018 04h00

A casa de três andares e muros altos em uma região nobre de Berlim não levanta suspeitas. A entrada é discreta e nem no interior do amplo estacionamento se percebe que a mansão abriga um dos mais famosos bordéis de luxo da Alemanha.

Um vestiário ao lado da recepção é a primeira pista do que aguarda o visitante no Artemis. Além de pagar uma taxa de 80 euros, é preciso deixar todos os pertences e roupas em um armário. Só é permitido entrar usando roupão e chinelos fornecidos pelo estabelecimento. A chave fica pendurada no pulso.

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A decoração alterna entre greco-romano e Mil e Uma Noites. No andar principal, cadeiras, sofás e camas de tamanhos variados se misturam em torno de um bar central. O desenho irregular cria espaços com nenhuma ou alguma privacidade, mas nunca total. Tapetes, cortinas e revestimentos macios por toda parte. Quadros retratam corpos entrelaçados. Uma atmosfera montada para inspirar grandes orgias como na antiguidade. E funciona.

Todas as mulheres que trabalham na casa circulam nuas. São sempre simpáticas, mas a abordagem é mais ousada do que em clubes convencionais. É comum ver trocas de carícias quentes nos espaços comuns. Algumas vezes, o sexo acontece ali mesmo, em público, se for o desejo do cliente. No entanto, há camas com tendas, além dos quartos privativos, no terceiro andar.

10 mil euros, 10 caras por noite...

“Se trabalhar direito, você tira 10 mil euros por semana”, afirma a brasileira Alícia, 28. Na casa há cinco anos, ela conta que, em média, “faz dez caras por noite”. Assim, comprou um apartamento de dois quartos na capital alemã e envia dinheiro para a Bahia, onde está montando uma pousada.

O valor da entrada cobre a utilização de todas as instalações. O preço do sexo é negociado e pago direto com as mulheres. O estabelecimento não participa. O “programa padrão” custa 60 euros e inclui sexo oral e penetração vaginal, até o limite de 30 minutos e uma ejaculação, podendo variar posições. Daí para mais, tudo é cobrado separado.

“Quer mais uma, mais 60. Quer gozar nos peitos, é mais 20. Quer um acessório, uma roupa. Sexo a dois, a três, com a esposa, com o namorado. Vai ficando mais caro”, explica Alícia.

Fantasias variadas

A brasileira sai para atender um interessado. Surge a espanhola Isabel, 22. Fica contrariada ao saber que fala com um jornalista, mas logo dispara a dar detalhes de como os europeus são liberais entre quatro paredes.

“Chicote, couro, vela, tem de tudo. Até pedir para vestir uma cinta com pênis e mandar ver virou comum. Mas uma vez um cara inventou de cozinhar para mim. Ganhei para comer um risoto pelada, pode?”, conta.

Entre os clientes daquela noite, asiáticos, russos, alemães e até cidadãos de origem árabe que negociaram entrar com túnicas brancas. Segundo as profissionais da casa, empresários e políticos são maioria, incluindo alguns brasileiros.

“Brasileiros chegam aqui sempre querendo a fantasia óbvia de transar com duas ou até três mulheres. Depois não aguentam nem cinco minutos”, provoca Isabel, sem confirmar qualquer nome.

A reportagem visitou o local às 22h de uma quinta e contou cerca de 50 mulheres para uma média de 20 clientes homens nas primeiras horas. Haviam alemãs, italianas, francesas, espanholas, tchecas, húngaras e croatas. Uma se declarava egípcia, justificando com o formato do nariz.

Ricardo Ribeiro/UOL
Por dentro do megabordel Artemis, em Berlim Imagem: Ricardo Ribeiro/UOL

Prostituição legalizada

“A procura é grande porque as condições de trabalho aqui são melhores. A prostituição na Alemanha é legalizada e fiscalizada pelo governo. Há até sindicato”, diz Mikaela, 23, que é de Berlim e estuda Economia.

Ela fala da Associação Profissional de Serviços Eróticos e Sexuais (Berufsverband erotische und sexuelle Dienstleistungen, em alemão), primeira entidade nacional do país, criada em 2003, e da LProst (Lei da Prosituição), de 2002, que estabeleceu algumas regulamentações, incluindo registro e impostos. Não é permitido tirar um visto de trabalho, mas a União Europeia facilita o fluxo migratório.

“Sou dona do meu corpo. Faço para completar o meu orçamento e porque gosto. Aqui eu escolho com quem vou transar, ninguém me obriga a nada e o ambiente é seguro. Tráfico de mulheres? Isso é mais na Espanha e na Turquia. Aqui, não”, completa.

Já de volta ao salão, a brasileira Alícia destaca ainda que o bordel exige, conforme regulação do local, exames de saúde periódicos. “Há aqui mulheres mais saudáveis do que algumas nas discotecas por aí".

Megabordel

Com diferentes aplicações da legislação nos Estados, a prostituição não é permitida em algumas regiões, principalmente a de rua. Até se encontram locais com vitrines, como em Amsterdã, mas o conceito de megabordel é o que mais próspera na Alemanha.

O Artemis, por exemplo, tem uma área total de 4.000 m2. Ainda no andar principal há também uma academia completa, onde a única opção é malhar pelado, e um cinema, sempre passando pornô e onde é comum encontrar clientes e garotas esquentando os motores.

Um buffet 24hs com pratos variados, e, acreditem, gostosos, também está incluso no valor da entrada. Apenas as bebidas alcoólicas são cobradas à parte. Para quem deseja relaxar entre uma atividade e outra —cliente passam, em média, seis horas no local—, há um spa no subsolo com sauna, piscina e esteiras para massagem. É o único lugar onde não é permitido a presença das garotas ou mesmo sexo.

Muito? Ainda falta a piscina no telhado, com direito a churrasco em dias de tempo bom, conforme programação no site. Segundo os responsáveis, são 50 quartos e a capacidade é para até 500 clientes.

Há estabelecimentos do tipo em todas as grandes cidades alemãs, como Frankfurt e Stuttgart. A procura é tanta que as empresas abriram uma série delas em cidades menores, mas que fazem fronteira com a França, onde a prostituição é proibida. C’est la vie!

FKK Artemis
Halenseestr. 32-36, Berlim

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