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Desenhei um nu artístico em Portugal (ou quase) e você também pode

Ricardo Ribeiro/UOL
Imagem: Ricardo Ribeiro/UOL

Ricardo Ribeiro

Colaboração para o UOL, em Lisboa

06/03/2018 04h00

Na charmosa massa colorida de prédios, como define Fernando Pessoa, uma das residências de estilo típico de Lisboa abriga um ateliê de pintura. Empurro cuidadosamente a pesada porta de madeira. Uma música clássica onde se destacam os violinos envolve o ambiente e já não se houve a chuva torrencial que cai na capital portuguesa.

Uma linda jovem sem roupas está posicionada sobre uma mesa no centro do primeiro andar. Eu, que não sei retratar um corpo com mais do que três riscos grudados em uma bola e por pouco não reprovei na aula de artes, tenho a missão de desenhá-la.

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É a experiência Nude Drawing Session, vendida pelo Airbnb por 13 euros. Quem oferece a sessão, que dura 1h30, é a artista francesa CathyDouzil, 58, que vive em Lisboa há 19 anos.

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Imagem: Ricardo Ribeiro/UOL

“Eu sempre me interessei pela figura humana e trabalho com todo tipo de pintura há muitos anos. Comecei a executar as sessões de desenho há cinco, desde dezembro pelo aplicativo”, explica.

A aula mistura visitantes e alunos regulares. Cathy garante que é aberta a “todos os níveis”. “Até quem não sabe nada de desenho”, reforça, ao notar meu receio. 

Boa variedade de materiais e, claro, papel são oferecidos aos participantes. Deixo tintas, pincéis e cavaletes para os mais experientes e escolho prancheta e lápis preto. Acomodado em uma das cadeiras, já me sinto um retratista de rua.

Outras 15 pessoas participam da experiência. O público é variado. De jovens estudantes de arte a aposentados em busca de uma nova atividade. Primeiro, algumas poses curtas, de 10 minutos, para treinar o traço. Na sequência, outras de 15 e 30 minutos para todo mundo se concentrar nos detalhes e sombras.

Ricardo Ribeiro/UOL
Imagem: Ricardo Ribeiro/UOL

“Para tentar captar a essência da figura humana”, descreve Cathy, que passa dando instruções individuais durante toda a experiência. A artista é gentil com os primeiros riscos deste repórter, confusos e desformes.

Para quem nunca desenhou diante de um modelo vivo pode ser algo impactante. Não por acaso, na placa do lado de fora, a aula é batizada de “desenhar à flor da pele”. No entanto, o ambiente é de absoluto profissionalismo e a preocupação em acertar o desenho sobrepõem qualquer outro sentimento.

“Procure as linhas, as curvas. Perceba as proporções, os volumes. Tente fazer maior para trabalhar os detalhes e treinar os traços. Aqui está bom, aqui falta mostrar onde ela está apoiada. É preciso dar essa informação”, segue a professora.

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Imagem: Ricardo Ribeiro/UOL

Depois de muitas tentativas e boas instruções, acreditem, é possível notar uma melhora. E, se eu consigo, praticamente qualquer pessoa conseguirá.

O resultado final de meu trabalho, porém, ainda ficou bem longe de captar Catarina Oliveira, 25, que posou para a turma.

“Como escultora, trabalho muito com o corpo humano, então acho muito interessante participar e ver os resultados”, conta ela, que posa há três anos.

Mesmo no inverno português, o frio, contornado com um aquecedor, não é o mais difícil. “São as dores nas articulações e músculos por ficar muito tempo na mesma posição, claro.”

No final, quem quiser, pode expor seus desenhos e trocar impressões por cerca de mais 30 minutos. É interessante, mas, ao ver tantos trabalhos bons, logo se nota que ainda é preciso evoluir. Muito.

“Tem que continuar treinando”, recomenda Cathy, que, além de francês, fala português e inglês.

Vale a pena? Vale. É uma experiência única, um ambiente agradável e realmente é possível aprender. Quem sabe você descobre um talento escondido…

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