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Os micos de quem vai morar em outro país e não domina o idioma

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Imagem: iStock

Letícia Rós e Marina Oliveira

Do UOL, em São Paulo

17/01/2018 04h00

Desbravar o mundo é uma delícia. Mas quando a gente não consegue se comunicar bem em outro país é mico na certa. Veja a história de algumas pessoas que passaram apuros no exterior por não dominar o idioma local.

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Encontro estranho na Rússia

“Nos meus primeiros dias em Moscou comecei a conversar com uma mulher no Tinder. O papo era ótimo, falamos sobre música e cinema. Saímos naquela noite. Fomos no bar mais próximo, que ela escolheu. Chegando lá, ela interagiu com os funcionários, como se já os conhecesse. Sentamos e continuamos a conversa. Passada mais ou menos uma hora, ela vai ao banheiro e uma das pessoas que trabalha no local chega para mim e diz algo que eu não consigo entender, mas ele parecia preocupado em me avisar sobre o que quer que fosse. Repetimos umas três vezes e eu entendi a palavra ‘vestido’, o que não fazia sentido. Dei de ombros, então. Ela voltou do banheiro e tudo ficou muito desconfortável, estava com pressa, começou a perguntar sobre dinheiro e pagamento. Descobri, então, que não era um encontro. Ela estava me cobrando pelo tempo com ela. O que o rapaz do bar tentou, sem sucesso, me avisar era que a ‘hora dela era paga’. A pronúncia da palavra ‘pago’ lembra a de ‘vestido’, em russo. No fim, não paguei a hora dela, apenas as bebidas que consumimos”, Rodrigo Bostelmann, tradutor e intérprete. Mora em Surgut, na Rússia.

Corrida safada

“Fazia dois dias que eu tinha chegado na Cidade do México e baixei o Tinder, para conhecer pessoais locais. Dei match com um cara e ele me chamou para sair, conhecer a cidade. No passeio ele me perguntou o que eu gostava de fazer e eu disse que gostava de ‘correr’. Mas a minha pronúncia disse para ele que eu gostava de ‘coger’, que é a gíria para transar. Ele só conseguiu responder: ‘Uau, legal!’. Acho que ele se apaixonou por mim na mesma hora, porque namoramos por um ano e oito meses. Quando descobri o que eu estava dizendo há tempos, eu entendi porque as pessoas se convidavam para ‘correr’ comigo. Não foram poucas vezes que eu disse que já tinha ‘corrido’ em vários lugares da cidade.” Priscila Gomes, professora de português. Mora na Cidade do México (MX).

Cutucão para falar o ‘sim’

“Faz quase dois anos que estou na Turquia e ainda apanho com o idioma. Logo que cheguei, tentei ao máximo usar os aplicativos de tradução e aprendizado rápido para entender pelo menos o básico, mas a minha pronúncia era simplesmente horrorosa, principalmente porque o turco tem quatro letras a mais no alfabeto. No meu casamento, feito no país para a família do meu marido, eu levei um cutucão para falar o ‘sim’. Não entendia nada do que estava sendo dito, então, usei a tática de sorrir o tempo todo e esperar a deixa para falar. Em outra situação, passei vergonha ao reclamar do calor em uma conversa com a minha sogra. Cheguei aqui no verão e estava mais ou menos uns 45 graus! Em turco, se fala ‘çok s'cak’ e eu, lindamente, disse ‘SUCUK’, que é uma salsicha deliciosa que aqui se come no café da manhã. Imaginem, minha sogra me ouvindo repetir as palavras ‘muita salsicha’ no meio de uma conversa séria sobre o clima. Falei isso até meu marido me corrigir, rindo muito! Nunca mais reclamei do calor”. Jéssica Santana, jornalista. Mora em Antalya, na Turquia.

Gata?

“Eu conheci uma mulher na balada, logo que cheguei na Cidade do México. Passada aquela noite, marquei de tomarmos um café juntos. Durante a nossa conversa eu quis mandar aquele xaveco e dizer o quanto ela era bonita. Eu disse: ‘Tu eres una gata’. Ela me respondeu ‘que?’, como se estivesse testando se eu teria coragem de repetir o que disse. Eu falei: ‘Una gatita’. Bem nervosa, agora, ela retrucou: ‘Que te passa? Ni me conoces y ya me ofendes’ [tradução: qual o seu problema? Nem me conhece e já me ofende]. Eu me enrolei todo para explicar que ‘gata’ era um elogio em português. Foi quando descobri que chamar uma mulher de ‘gata’, aqui no México, era o mesmo que dizer que ela era piranha.” Rodrigo Florêncio da Silva, professor universitário. Mora na Cidade do México (MX).

Quilos e quilos de bacon

“Em um restaurante, uma vez, o chef pediu para eu cortar 3kg de bacon. Só que, em inglês, a linguagem de cozinha abrevia a palavra ‘quilo’, ou seja, dizemos apenas as letras "k" e "g". Quando ele me passou a tarefa, por conta disso, eu não entendi direito e acabei picando três pacotes com três quilos de bacon cada. Ou seja, nove quilos de bacon. Resultado: tivemos que fazer aquele bacon ser usado nos pedidos da noite. Incluímos bacon em pratos que não levavam o ingrediente, só para não desperdiçar”, Rogério Dezorzi, chef de cozinha. Mora em Dublin, na Irlanda.

 

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