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Mistério: o que é e como funciona a caixa-preta do avião?

Divulgação
A caixa-preta, na verdade, é laranja - isso ajuda a localizar o aparelho em um resgate Imagem: Divulgação

Marcel Vincenti

Colaboração para o UOL

21/09/2017 04h00

Após um acidente aéreo, uma das primeiras perguntas que muita gente se faz é: onde está a caixa-preta do avião? É ela que grava partes fundamentais da operação da aeronave, como as trocas de informações ocorridas na cabine do piloto e dados como a velocidade e altitude do voo –informações que podem ser importantíssimas no processo de desvendar as causas de um acidente. Mas você sabia que existem muitas curiosidades envolvendo a tal da caixa-preta? Abaixo, conheça algumas delas.

A caixa-preta não é preta

Pasme: a caixa-preta não é preta. De acordo com Marcelo Diulgheroglo, gerente sênior de Segurança da companhia aérea Latam Brasil, o equipamento é laranja. “É uma cor que serve justamente para facilitar a identificação do aparelho em missões de resgate”, diz ele. Diulgheroglo também conta que há diversas teorias sobre a origem do nome “caixa-preta”. “Uma delas é de que alguns dos primeiros modelos desenvolvidos foram pintados de preto”.

Outras teorias para o nome

Por sua vez, Aaron Grabein, porta-voz da Honeywell, uma das principais fabricantes de caixas-pretas no mundo, diz que o nome tem origem no fato de que, antigamente, “os primeiros gravadores de dados de voo usavam filmes fotográficos para registrar informações do voo. E, para funcionar, estes filmes tinham que ser colocados dentro de um compartimento escuro, o que teria dado origem ao nome 'caixa-preta'”.

Mark Wagtendonk/KLM/Divulgação
Caixa-preta da companhia holandesa KLM: aparelho não fica na cabine do piloto, mas na cauda do avião. Imagem: Mark Wagtendonk/KLM/Divulgação

Não fica na cabine do piloto

Ao contrário do que muita gente imagina, a caixa-preta não fica na cabine do piloto, gravando, de perto, tudo o que acontece por lá. Segundo a National Transportation Safety Board (agência de investigação de acidentes aéreos dos Estados Unidos), o aparelho é geralmente colocado perto da cauda do avião, um local considerado menos vulnerável ao impacto de um acidente –o que aumenta a chance da integridade da caixa-preta após um choque.

Funciona nas profundezas do mar

De acordo com a National Transportation Safety Board, a maioria das caixas-pretas começa a emitir sinais acústicos de 37.5 KHz quando imergem na água, que pode ser captado com aparelhos detectores. Geralmente, esta transmissão sonora pode ocorrer a mais de 4.200 metros de profundidade e, na teoria, dura pelo menos 30 dias. Além disso, caixas-pretas são feitas com materiais altamente resistentes (como titânio) e projetadas para suportar fogo, em temperaturas de até 1.100 graus Celsius, por pelo menos 30 minutos.

Oficialmente, o nome não é caixa-preta

Via de regra, há dois equipamentos complementares que costumam ser chamados de “caixa-preta” em cada avião –mas, oficialmente, os nomes deles são outros. Um dos aparelhos leva o nome de Gravador de Dados de Voo e é responsável por registrar informações como os níveis de altitude e a velocidade do avião, além de outros parâmetros relativos à operação do voo. O outro é o Gravador de Voz da Cabine de Comando, que grava o som na cabine dos pilotos, registrando, por exemplo, a comunicação entre eles e torres de controle.

Caixa-preta ejetável

A Airbus, uma das principais fabricantes de aeronaves comerciais do mundo, anunciou neste ano que, a partir de 2019, planeja começar a usar caixas-pretas ejetáveis em alguns de seus jatos. Segundo a empresa, o aparato se desprenderá da aeronave em casos de queda e submersão na água. O instrumento está sendo projetado para flutuar, o que facilitaria o trabalho das equipes de busca. Ele também teria capacidade para emitir sinais de localização por até 90 dias, bem mais do que os usuais 30 dias das caixas-pretas que operam nos dias de hoje.

E elas são úteis mesmo?

De acordo com a National Transportation Safety Board (a agência de investigação de acidentes aéreos dos Estados Unidos), as informações fornecidas pelo Gravador de Dados de Voo e pelo Gravador de Voz da Cabine do Piloto já provaram ser ferramentas valiosas em investigações de acidentes aéreos. Ambos os aparelhos fornecem dados que seriam difíceis ou impossíveis de obter por outros meios. Eles têm sido determinantes para determinar a provável causa de um acidente.

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