Viagem

Raio derruba avião? E turbulência? E se o piloto desmaiar? A gente explica

Marcel Vicenti

Colaboração para o UOL

22/08/2017 10h04

O chacoalhar do avião durante uma turbulência, o pouso em pistas cercadas por arranha-céus ou a mera consciência de que você está a mais de 10 mil metros de altura são fatores com potencial para dar frio na espinha de qualquer um. Mas relaxe: voar é seguro. Para provar isso, o UOL conversou com experientes pilotos brasileiros, que, abaixo, tiram algumas das dúvidas que mais afligem os passageiros aéreos.

Turbulência derruba avião?  
Maxpixel/Creative Commons
Imagem: Maxpixel/Creative Commons

Segundo Dan Guzzo, piloto de formação e gerente de segurança operacional da Gol, turbulência não derruba avião. “As aeronaves são construídas com materiais extremamente resistentes e desenvolvidos para suportar forças muito maiores do que as de uma turbulência. Portanto, é impossível que asas ou qualquer outra parte da fuselagem sofram avarias em áreas de forte instabilidade”, afirma ele. “E as aeronaves comerciais são dotadas de radares meteorológicos que nos permitem desviar de turbulência”.

Diretor de segurança operacional da Azul, o comandante Ivan Carvalho conta que também existem as chamadas “áreas de turbulências de céu claro”, que nem sempre são detectadas pelos radares. “É uma turbulência mais imprevisível, mas que é facilmente transposta pela aeronave. Neste momento, a grande preocupação que o piloto tem é com os passageiros, que podem sofrer desconforto ou se chocar com algo durante a turbulência. Por isso é fundamental estar com o cinto de segurança afivelado durante toda a viagem”. 

Raio derruba avião?
Pixabay/Creative Commons
Imagem: Pixabay/Creative Commons

Não, mas raios podem atingir o avião no ar – algo que não é encarado como ameaça. “Caso uma descarga atinja o avião, ela passa pela sua estrutura e é liberada para o ambiente pelas extremidades da aeronave, como as asas”, conta Guzzo. “Os passageiros e os sistemas do avião estão seguros, pois o campo elétrico dentro da estrutura do avião é nulo. Além disso, qualquer sistema eletrônico do avião é dotado de uma blindagem que o protege de sobrecargas externas”.

Mesmo assim, se houver a ocorrência de um raio atingindo a aeronave durante o voo, a tripulação, após o pouso, informa um técnico de manutenção em terra para que seja efetuada uma verificação na fuselagem do jato.

 

Decolagem e pouso são momentos mais tensos?
Kuhnumi/Creative Commons
Imagem: Kuhnumi/Creative Commons

Segundo Dan Guzzo, a resposta é “sim”. Mas, por isso mesmo, trata-se de dois momentos nos quais o cuidado com o avião é tão grande que a margem para qualquer erro é quase nula. “No pouso e na decolagem, os pilotos devem estar com um nível de atenção redobrado”, diz Guzzo.

“São momentos em que eles têm que lidar com uma série de atividades que envolvem a preparação da aeronave para realizar estes procedimentos. Além disso, há um contato mais frequente com a torre de controle que passa as informações e autorizações necessárias. Para garantir total atenção a estas fases de maior carga de trabalho existe um período de tempo chamado de 'cockpit estéril' [aproximadamente 10 minutos após a decolagem ou antes do pouso]. Nestes intervalos a atenção da tripulação está focada exclusivamente na operação da aeronave. Nem mesmo os comissários de bordo são autorizados a se comunicar com os pilotos durante o 'cockpit estéril', a não ser para tratar de assuntos de segurança”.

E se o comandante passar mal no meio de um voo?
Dmitrij Shpilchevikij/Creative Commons
Imagem: Dmitrij Shpilchevikij/Creative Commons

“No treinamento dado aos pilotos existe um módulo chamado 'incapacitação de tripulante', que nos ensina a lidar com este tipo de situação”, conta o comandante Ivan Carvalho, da Azul. “Se o comandante tiver um mal súbito no meio de um voo, a primeira coisa que deve ser feita é afastá-lo do posto de controle e providenciar um atendimento médico. Isso, porém, não traz insegurança ao voo, pois o copiloto está preparado para assumir imediatamente o avião e continuar com a viagem sem riscos. Nunca pode haver uma só pessoa na cabine do comandante. Sempre haverá outro profissional capaz de assumir o avião em casos de emergência”.

Carvalho também ressalta que, em voos acima de 11 horas, sempre haverá um terceiro piloto a bordo da aeronave. Ele ainda afirma que estes profissionais se submetem a exames de saúde constantemente. “Nós passamos por pelo menos uma avaliação de saúde por ano. Dependendo a idade do piloto, estes exames são realizados a cada seis meses”.

Há aeroportos mais perigosos do que outros?
Mikko Palo/Creative Commons
Imagem: Mikko Palo/Creative Commons

“Todo o aeroporto que é usado pela aviação civil é homologado e cumpre todos os requisitos de segurança para a realização de pousos e decolagens”, diz o comandante Ivan Carvalho, da Azul. Porém, de acordo com Carvalho, pilotos precisam de um treinamento especial para aterrissar em determinados aeroportos do mundo, como o carioca Santos Dumont (que tem um pista curta cercada por água e montanhas) e o paulistano Congonhas (também com uma pista relativamente curta e rodeada de prédios).

Carvalho fala que os aeroportos de Juneau (no Alasca), da Madeira (Portugal) e o London City (em Londres, Inglaterra) são outros locais que exigem habilidade especiais dos pilotos durante a aterrissagem.

Aviões estão entre os meios de transporte mais seguros do mundo?  
Rosendahl/Creative Commons
Imagem: Rosendahl/Creative Commons

Sim. Atualmente, os aviões têm uma tecnologia que garante um altíssimo nível de segurança. Como diz Dan Guzzo, muitas das partes de uma aeronave são duplicadas, o que diminui, e muito, a chance de algo dar errado em um voo. Os aviões comerciais, por exemplo, têm pelo menos dois motores e, caso um deles sofra uma pane, a aeronave consegue continuar voando até realizar um pouso com segurança. Existem também dois sistemas elétricos e, se um deles falhar, o outro consegue manter a operação do voo.

 

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