Viagem

Arte, balada e cachaça: Ouro Preto tem mais atrações do que você imagina

Marcel Vincenti

Colaboração para o UOL

21/07/2017 04h00

Encravado nas montanhas da Serra do Espinhaço, a cerca de 100 km de Belo Horizonte, Ouro Preto (MG) combina com o inverno. Turistas aquecem o corpo percorrendo as românticas ladeiras locais, nos restaurantes que servem farta comida regional (e, logicamente, saborosas cachaças), nas insanas festas produzidas por uma numerosa população universitária e no interior de igrejas que, sem dúvida, estão entre as mais lindas do Brasil. Veja sete roteiros imperdíveis para fazer na antiga Vila Rica.

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Imagem: Marcel Vincenti/UOL

Monumentos religiosos

Em Ouro Preto, há pelo menos dez igrejas que são verdadeiras obras-primas barrocas. São Francisco de Assis (na foto) é a mais fascinante: erguido por volta de 1770, o edifício teve sua fachada, os altares laterais e a capela principal projetados por Aleijadinho. O teto é forrado pela coloridíssima pintura “A Assunção de Nossa Senhora”, de Mestre Ataíde, um dos gênios artísticos da história mineira.

A Matriz de Nossa Senhora do Pilar, por sua vez, tem o interior mais extravagante da cidade: o local é ornamentado com nada menos do que 400 kg de ouro e exibe mais de 400 esculturas de anjos. Também merece uma visita a Nossa Senhora do Rosário: edificada no século 18, essa igreja tem como grande atrativo sua fachada circular, única em Ouro Preto. O interior é simples (para os padrões da cidade), mas abriga belas esculturas de Santa Helena e São Benedito. O jardim atrás da igreja é perfeito para um descanso. E a Nossa Senhora do Carmo, projetada por Manuel Francisco Lisboa, exibe lindas obras de Aleijadinho e Manuel da Costa Ataíde.

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Imagem: Marcel Vincenti/UOL

Museus

Não faltam museus de excelente qualidade em Ouro Preto –refúgio para os dias mais gelados. O mais famoso é o Museu da Inconfidência (na foto, ao fundo), localizado na Praça Tiradentes (o coração da cidade). O edifício, que no passado serviu de Casa da Câmara e cadeia, foi transformado em 1944 em museu, para preservar a memória dos inconfidentes. O acervo conta com objetos do período da Inconfidência (há lá até o que, supostamente, são pedaços das traves da forca que matou Tiradentes), além de obras de arte realizadas em Ouro Preto durante o ciclo do ouro (principalmente entre os séculos 18 e 19) –o que, inclui obras magistrais de Aleijadinho, como uma escultura em cedro de São Jorge.

Perto do Museu da Inconfidência, bem no adro da igreja Nossa Senhora do Carmo, está o Museu do Oratório: o local abriga uma coleção com mais de uma centena de oratórios, um mais belo do que o outro. Peças de diferentes estilos ilustram os costumes religiosos das famílias mineiras. Também não deixe de passear pelo palacete onde funciona o Museu Casa dos Contos: construído em 1787 como residência do administrador de impostos da capitania de Minas, o local tem uma exposição didática sobre a mineração no Brasil colonial e uma senzala em seu subsolo –um local fundamental para ser conhecido na cidade: os escravos, afinal, foram as pessoas que sofreram para extrair o ouro que enriqueceu Ouro Preto. 

Marcel Vincenti/UOL
Imagem: Marcel Vincenti/UOL

Minas de ouro

Após ver como o ouro construiu a prosperidade de Ouro Preto, é possível ir até locais onde o metal era extraído. Aberta a turistas, a Mina do Chico Rei é o mais famoso destes lugares: os visitantes podem ingressar em seu interior, formada por úmidos túneis de pedra que, atualmente, não guardam mais preciosidades. Aqui, o mais interessante é ouvir as histórias sobre a vida de Chico Rei, um antigo rei africano que, no século 18, foi capturado junto com sua tribo e trazido a Ouro Preto como escravo. Após trabalhar arduamente nas minas locais, ele conseguiu comprar sua alforria e, depois, pagou pela liberdade de muitos de seus conterrâneos (o que lhe outorgou novamente o status de rei entre vários africanos de Ouro Preto).

Em 2016, outro antigo centro de exploração de ouro foi aberto na cidade: trata-se da Mina do Palácio Velho (na foto), que conta com uma câmara incrustada na montanha onde, a partir de relatos de guias, os turistas podem conhecer os detalhes de como era feita a extração do ouro na área. A Mina do Palácio Velho fica ao lado da Mina do Chico Rei.

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Imagem: Divulgação

Gastronomia, cachaça e cerveja

Não faltam ótimos lugares em Ouro Preto onde provar a autêntica comida mineira –cujas receitas, sempre fartas e cálidas, combinam (e muito) com o inverno.

Localizado na rua Direita, uma travessa da Praça Tiradentes, o restaurante Casa do Ouvidor é uma das melhores opções para se deliciar, a ótimos preços, com enormes pratos de tutu à mineira (na foto), frango com quiabo e feijão tropeiro. Se gosta de álcool, abra o apetite com uma dose de alguma das excelentes cachaças mineiras disponíveis no cardápio. 

O Chopp Real é indicado para quem curte comida de boteco ao ar livre: o local tem mesas na calçada da rua Barão de Camargos, com vista para edifícios históricos da Praça Tiradentes. Aqui, a melhor combinação são os pastéis de angu com recheio de frango e catupiry (sequinhos e crocantes) com o chope da marca Ouropretana, novo xodó da cidade. Fundada em 2011, esta cervejaria artesanal está com seus produtos espalhados pelos principais bares e festas de Ouro Preto: trata-se de uma cerveja encorpada e saborosa, que também vai muito bem no frio. A Ouropretana tem um bar próprio na rua Benedito Valadares, 250, a 1 km da Praça Tiradentes. Boas cachaças podem ser compradas em lojinhas que se espalham ao redor da Praça Tiradentes.

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Pousada do “poetinha”

Em Ouro Preto, o segredo é se hospedar no coração do centro histórico da cidade, para ficar perto das atrações turísticas locais. A área oferece opções para todos os bolsos: lá, há desde a luxuosa Pousada Mondego, localizada ao lado da Igreja São Francisco de Assis, até quartos em repúblicas estudantis, que, em anúncios no Airbnb, oferecem acomodações privativas por poucas dezenas de reais. Uma das mais indicadas é a República Santuário, habitada por um amigável grupo de alunos da Universidade Federal de Ouro Preto.

Nenhuma opção de hospedagem, porém, tem tanta história como o Pouso do Chico Rei (na foto). Instalada em um confortável casarão de 250 anos, o local era onde Vinicius de Moraes gostava de se hospedar quando visitava Ouro Preto. O quarto preferido pelo “poetinha” ainda está lá, oferecendo uma visão magnífica para a igreja Nossa Senhora do Carmo. Do quintal do estabelecimento, é possível admirar a paisagem montanhosa que cerca o destino mineiro.

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Na balada

Ouro Preto tem uma das melhores vidas noturnas de Minas Gerais, onde é possível fazer um bom “rock”, como dizem os mineiros. Isso porque a cidade abriga uma enorme população universitária vivendo longe dos pais e no meio dos ambientes festivos das repúblicas

O Bar Hill, por exemplo, a poucos metros da igreja de São Francisco de Assis e operando no subterrâneo de um casarão histórico, junta, aos fins de semana, uma galera ávida por cantar karaokê e tomar cerveja artesanal até altas horas da madrugada. É um ótimo ambiente para paquerar e conhecer novas pessoas.

O Bar Barroco, por sua vez, é outro ponto amado pelos universitários, por conta de suas cachaças em conta, petiscos baratos e um ambiente animado durante boa parte da semana. Já o Porão Cervejaria é embalado por rock 'n' roll e oferece uma variada carta de cervejas importadas.

Neste inverno, uma feira ao ar livre com cerveja Ouropretana e música ao vivo costuma ser realizada na altura do número 210 da rua Antônio Albuquerque (na foto). É um ambiente animado por jovens descolados e que oferece uma linda vista para a Matriz de Nossa Senhora do Pilar.

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Imagem: Marcel Vincenti/UOL

Compras

Terra de Aleijadinho, Ouro Preto não perdeu sua personalidade artística e continua sendo um excelente lugar para comprar pinturas, esculturas e artesanatos de qualidade. A feirinha da cidade, que funciona diariamente na frente da Igreja de São Francisco de Assis (na foto), vende estátuas sacras esculpidas em madeira, lindos jarros em pedra sabão e esculturas coloridas de gesso –tudo barato. É possível ver os artistas criando suas obras bem ao lado das barracas. 

Já para quem busca adquirir belos adereços para o corpo, uma boa opção é a loja do Gilberto Ruas Reis, também no centro histórico, que trabalha com lapidação de pedras preciosas e montagem de joias com certificado de garantia.

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