Viagem

Comissária de iate? Brasileira conta como é o luxo e os deveres do trabalho

Depoimento para Vivian Ortiz

Do UOL

26/01/2017 04h00

A paulistana Sabrina Nogueira, de 31 anos, estava infeliz com a vida no Brasil. Decidida a mudar tudo, ela foi estudar inglês na Austrália e acabou arrumando um emprego de stewardess, espécie de comissária de bordo de iates. Após conhecer vários lugares do mundo, ela conta a sua experiência e explica como é possível conseguir esse verdadeiro emprego dos sonhos.

"Eu sempre digo que, se pudesse, colocaria cada um dos meus amigos e familiares em um barco para viver o que estou vivendo. É uma experiência fascinante e que realmente vicia. Tinha 24 anos quando decidi sair do país para aprender inglês. Na época, trabalhava em uma empresa de eventos no ramo alimentício e havia feito três anos de faculdade de Biologia, mas não estava dando muito certo.

Como não tinha muita grana, cheguei a vender algumas roupas para conseguir dinheiro e tirar meu passaporte. Também tive o apoio financeiro do meu pai e aproveitei o dinheiro do seguro-desemprego. Na época, em 2009, devo ter gasto uns R$ 12 mil entre passagem, grana para levar e o curso de inglês. Foi por conta dele, aliás, que consegui tirar um visto de estudante. Minha regra básica sempre foi manter tudo na legalidade, por isso sempre estudei para manter o meu visto.

Arquivo pessoal
A Austrália foi o destino de Sabrina quando saiu do Brasil Imagem: Arquivo pessoal

Meu destino foi a Austrália. Quando cheguei lá, trabalhei praticamente com quase tudo, assim como muitos brasileiros fazem. Comecei como garçonete, mas também fui faxineira e peguei copo em baladas. O meu melhor emprego foi em um asilo, mas ainda assim continuava atuando como garçonete em um restaurante na marina da Gold Coast, onde conheci meu primeiro contato em barcos.

Como atendia muitos clientes que eram donos, comecei a fazer alguns "bicos". Inicialmente, uma ou duas vezes por semana, meu trabalho era servir as pessoas que alugavam a embarcação por um dia, seja para comemorar um aniversário, ou celebrar um noivado. Foi nessa época que conheci o capitão do barco que mais tarde me ofereceu um trabalho "full-time". No caso, eu moraria e trabalharia o tempo inteiro no iate, basicamente lavando, passando, servindo, administrando e entretendo os convidados.

Os donos são um casal de aposentados australianos - ele 76 e ela com 70 anos - que usam o iate como se fosse uma casa de praia uma a duas semanas por mês. Como eles amam dar festas temáticas, meu trabalho, além de todo o resto, é produzir eventos assim. Já fiz festa do branco, italiana, grega, o que dá para imaginar. Se existem crianças a bordo - os donos têm três netos - faço jogos, caça ao tesouro e brincadeiras mil com elas…, mas não sou necessariamente uma babá, só ajudo a cuidar e fazer a festa.

Arquivo pessoal
A equipe costuma receber os convidados fantasiada durante as festas temáticas Imagem: Arquivo pessoal

Fora tudo isso, o fato de estar em alto mar o tempo todo é demais. Ficamos na marina quando os proprietários não estão. Caso contrário, costumamos ancorar em alguma praia ou, às vezes, ficamos no meio do nada. Dessa forma, já conheci vários lugares diferentes. Comecei na Gold Coast, depois fomos para Nova Caledônia, um arquipélago da Oceania, onde ficamos por quatro meses. Dali, foram outros quatro meses em Vanuatu, um país da Melanésia. Após isso, mais seis meses pela Nova Zelândia e depois mais meio ano nas Ilhas Fiji. No total, estou há três anos nesse barco.

Tenho o direito a ter uma passagem de ida e volta para Brasil uma vez por ano, o que é demais. Fora as aventuras que passamos, a quantidade de golfinhos e baleias que vemos, além de toda a interação com a natureza e a possibilidade de ajudar tribos que muitas vezes são difíceis de acessar.

Arquivo pessoal
Sabrina diz desfrutar de momentos únicos Imagem: Arquivo pessoal
 
Como os donos costumam ficar conosco duas semanas por mês, nas outras duas focamos em deixar tudo perfeito para quando eles voltarem. Nesse meio tempo, conseguimos tirar dias de folga. Então, dá para aproveitar muito.
 
Mesmo quando estão a bordo, a família é tão querida que fazem questão que a equipe curta tanto quanto eles. Óbvio que tudo muito moderado, mas, por exemplo, se tem um grupo de golfinhos passando, eles chamam a gente para mergulhar junto. Ou se estão praticando algum esporte de água, como jetski, ou wakeboard, eles também nos convidam.
 
Cada funcionário assina um contrato anual, onde assume o compromisso com o barco por um ano e eles garantem o emprego por um ano também. Não temos 13º salário, mas recebemos um dinheiro extra com as 'caixinhas', além da oportunidade de conhecer o mundo. Para começar a trabalhar no barco, tive que fazer um curso chamado STCW, o mesmo que as pessoas geralmente fazem para trabalhar em linhas de cruzeiro. São cinco dias intensos de aprendizado para sobrevivência em alto mar, onde aprendemos bastante sobre segurança. Muitos barcos exigem esse curso.
 
A parte negativa é que já perdi casamentos de amigas muito próximas, aniversário de 50 anos do meu pai e a celebração dos 15 anos da minha irmã. É muito difícil. Se algo acontece no Brasil, não dá para simplesmente arrumar a mala e ir embora. Morar e trabalhar com as mesmas pessoas também pode ser complicado, pois passamos muito tempo juntos e, por mais que a harmonia seja boa, sempre precisamos do nosso espaço. Mas, ainda assim, dá para administrar. Nesses três anos de trabalho aqui, não consigo lembrar de nenhum momento em que pensei em voltar atrás."

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