Viagem

Antes só: turistas descrevem seus piores parceiros de viagem

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Nem sempre é possível acertar na parceria de viagem Imagem: Getty Images

Do UOL, em São Paulo

26/12/2016 07h15

Você só conhece alguém de verdade quando viaja com ele. A frase não é de um pensador contemporâneo, mas uma sabedoria de quem está acostumado a viajar acompanhado. Por isso, embarcar em uma aventura com um amigo de longa de data não garante que vocês viverão bons momentos juntos.  A seguir, quatro pessoas narram os perrengues vividos com os piores companheiros de viagem.

Arquivo pessoal
Marcus tem uma lembrança da viagem que fez com um amigo pela América Latina: o prejuízo financeiro Imagem: Arquivo pessoal
"Fiz uma viagem de 20 dias, pela Bolívia; Chile e Argentina, com um amigo e foi horrível. Ele não levou dinheiro em espécie, também não garantiu que o cartão de crédito funcionaria em território internacional. Ao chegar lá, não conseguiu carregar o cartão pré-pago e descobriu que o cartão de crédito dele não passava. Resultado: a partir do terceiro dia de viagem, eu comecei a bancar ele. Nossos gostos são muito diferentes. Enquanto eu gosto de museus, mercados e locais com história, ele só queria saber de natureza e balada. Isso não seria um problema, se nós pudéssemos fazer algumas coisas separados. O problema é que eu tendo que pagar tudo para ele, só podíamos andar juntos. O meu dinheiro em espécie não deu para os dois, tive que fazer saques internacionais e assumi esses custos sozinho. Tudo porque, ao fim da viagem, quando fomos acertar as contas, ele calculou apenas o valor da rua – e não os encargos bancários, nem o câmbio de turismo cobrado pelos cartões. No fim das contas, ele pagou cerca de 60% do que devia e, depois disso, a nossa amizade não vingou por muito tempo.” Marcus Vinicius Nagata, 32 anos, coordenador técnico.

 

Arquivo pessoal
Mariana queria conhecer os pontos turísticos do Rio, enquanto a amiga só queria ficar na praia Imagem: Arquivo pessoal
“Dois anos atrás, eu fui pela primeira vez para o Rio de Janeiro com duas amigas minhas, que são um casal. Só que, embora a gente tivesse conversado de alguns passeios para fazer lá, uma delas só queria ficar na praia o dia inteiro, não aceitava nenhuma saída. Foi preciso que eu e a namorada dela insistíssemos muito para ir ao Cristo Redentor e à estátua de Carlos Drummond de Andrade, no calçadão de Copacabana. Na minha cabeça, em uma viagem em grupo é preciso combinar as vontades, para que todos aproveitem o passeio. Mas ela era egoísta; as vezes que topou furar os planos delas, foi só depois de muita birra e discussão. Desde então, não viajei mais só com elas duas; só topo tê-las como companhias se outras pessoas viajarem com a gente.” Mariana Diógenes, 28 anos, bancária.

Arquivo pessoal
O companheiro de Rodrigo queria mordomia na Chapada dos Veadeiros Imagem: Arquivo pessoal
 “Uma vez ao ano, eu e umas amigas vamos à Chapada dos Veadeiros, em Goiás. Sempre é uma experiência maravilhosa, porque concordamos em gastar pouco com comida, hospedagem e cumprimos sempre os horários de passeios. Mas este ano, uma das amigas decidiu levar o namorado, que tornou a viagem muito difícil. Para começar, nós gastamos mais, porque ele não abria mão de estar em uma pousada com ar-condicionado, varanda, café da manhã chique e espaço para massagem. Durante os seis dias de passeio, ele era o último a levantar e demorava muito para ficar pronto. Todos os dias atrasamos a saída para o passeio, prevista no dia anterior, em uma ou duas horas. Ele também não se contentava em enganar o estômago durante os passeios: queria almoço completo em restaurante. Em uma das trilhas que fizemos, de 2h30 de duração, ele reclamou um tempão que estava com fome e não queria os ‘snacks’, só almoço. No meio do mato! A verdade é que não era o tipo de viagem que ele curtia, ele gosta de mordomia, enquanto nós nos preocupamos com a ‘vibe’ da viagem. Ele só foi nesse esquema porque minha amiga quis.” Rodrigo Martins, 23 anos, produtor cultural.

Arquivo pessoal
Robson era amigo de seu parceiro de viagem há dez anos, mas se frustrou mesmo assim Imagem: Arquivo pessoal
“Eu, minha irmã e um amigo, que eu conhecia há dez anos, decidimos ir para Orlando e Miami juntos. Planejamos a viagem um ano antes, mas mesmo assim eu tive muitas surpresas ao chegar lá. Apesar de sermos amigos de longa data, nunca tínhamos viajado juntos. Os problemas já começaram no aeroporto dos Estados Unidos. Ao buscar o carro alugado, ele insistiu que fosse um modelo conversível, ainda que o atendente tivesse alertado que não caberiam as malas. Para não abrir mão do conversível, ele colocou duas malas no banco de trás e aproximou meu banco do volante; tive que dirigir de Orlando a Miami todo desconfortável. Mas ele no volante era pior, porque não respeitava o sinal de trânsito, a faixa de pedestres e quase saiu da pista duas vezes, porque dizia gostar de fazer curvas correndo. Teve um dia, que estava frio e chovendo, e ele decidiu abrir a capota do carro. A gente tremia de frio e ele dizia ‘quando a chuva ficar mais forte, eu fecho’. No hotel em Orlando, nós brigávamos porque ele queria todos acordados às 7h, sendo que os parques só abriam às 9h – e estávamos do lado dos parques. Para piorar, ele achava que a minha irmã tinha que cozinhar para ele e não aceitou ir embora do outlet quando ela passou mal de infecção urinária e precisou de medicação. Ele foi totalmente sem noção: furava a fila nos parques, arranjou briga com taxista... Um dia, minha irmã não encontrava sua câmera e eu pedi para que ele procurasse no quarto. Ele disse que havia vasculhado tudo e, na certa, tínhamos sido roubados. Mobilizei o hotel todo: seguranças, gerente e recepcionistas. Quando estava prestes a chamar a polícia, encontrei a câmera na janela do quarto – ele claramente não tinha procurado. Depois da viagem, não teve jeito, a amizade esfriou e só nos vimos mais uma vez.” Robson Soares Cerqueira Junior, 28 anos, vendedor.

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