Viagem

Vai para o Hemisfério Norte no inverno? Saiba se vestir para não congelar

AFP
Pedestres andam em Londres sob neve; é preciso estar preparado para o frio europeu Imagem: AFP

Marcel Vincenti

Colaboração para o UOL, em São Paulo

22/10/2016 08h00

O fim do ano está chegando e, enquanto as temperaturas sobem no Brasil, os termômetros despencam no Hemisfério Norte do mundo. Se você quiser viajar para destinos como Estados Unidos, Canadá e Europa nestas férias de fim de ano (ou nos primeiros meses de 2017), é bom ter as roupas certas: o inverno por lá é bem diferente do visto no território verde e amarelo, com nevascas, temperaturas abaixo de zero e ventos cortantes – elementos da natureza que as vestimentas que você usa por aqui não estão preparadas para enfrentar.

Brincar na neve é sempre uma perspectiva atraente para os brasileiros e, apesar de realmente serem divertidos, cenários congelados podem causar inconvenientes para o turista caso ele não esteja vestido corretamente durante a viagem.

Abaixo, veja dicas para curtir o frio no norte do mundo sem ter dores de cabeça.

Montando a mala
Geralmente volumosas, roupas de inverno deixarão sua mala mais pesada do que o normal. Portanto, antes da jornada, é bom tomar cuidado para não pagar taxas de excesso de bagagem quando chegar ao aeroporto (para voos internacionais, cada passageiro pode despachar, na maioria dos casos, até duas malas com 32 quilos cada uma). E lembre-se: antes de sair do Brasil, deixe sua bagagem com alguns espaços vazios. "Quase sempre, é melhor comprar roupas de inverno no exterior do que no Brasil", avalia Alessandra Piacentini, da empresa Única Consultoria em Viagens e Turismo.

"Lá fora, é mais fácil encontrar roupas confeccionadas especialmente para o frio extremo e com preços mais em conta do que aqui. Claro que, se deixar para comprar no exterior, o turista deve adquiri-las o quanto antes, para que não passe frio durante a viagem". E mais uma dica: é aconselhável que suas malas sejam impermeáveis, visto que elas podem ficar sob chuva ou neve quando forem transportadas entre o avião e o terminal de desembarque do aeroporto. 

Felipe Floresti/UOL
Proteger as extremidades do corpo é um dos segredos para encarar o frio Imagem: Felipe Floresti/UOL

O que levar do Brasil
"O viajante deve sair do Brasil com, no mínimo, as peças mais básicas para aguentar as baixas temperaturas assim que desembarcar no destino", diz a gerente de vendas da empresa de turismo CVC, Luciana Fioroni, que também aconselha o turista a comprar vestimentas para inverno rigoroso lá fora. Mas há peças que são comuns nos armários brasileiros e que já podem estar na mala antes do embarque. Entre elas estão itens que protegem as extremidades do corpo (algo fundamental para se aquecer em lugares frios), como luvas, toucas, cachecóis e meias de lã.

Sapatos de sola grossa e antiderrapante, além de jaquetas e calças impermeáveis, também são fundamentais: apesar de aparecer linda nas fotografias, a neve deixa o clima úmido e as calçadas extremamente escorregadias. E pode apostar: mesmo sob a mais baixa das temperaturas, você vai querer fazer longas caminhadas em destinos como Nova York, Toronto, Berlim ou Praga. E ainda coloque na bagagem óculos escuros (que protegem do reflexo da neve) e protetor labial (que impede que o lábio rache sob o frio).

O que comprar lá fora
Segundo Ana Ziccardi, especialista em soluções de organização (ou "personal organizer", como é chamada sua profissão no mercado), vale a pena comprar os seguintes itens no exterior, por serem geralmente mais baratos lá do que no Brasil, não pesando tanto na mala no retorno ao país. 

  • Para os homens, suéter de caxemira de cores básicas. "É a melhor lã, além de ser quente e leve", avalia Ziccardi. Também vale suéter de lã merino, que "são bem quentes e mais baratos do que a caxemira".
  • Para as mulheres, pashminas verdadeiras ("são mais caras, porém, duram muito e esquentam tanto ou mais quanto um cachecol de lã pesado").
     
  • Para ambos os sexos, casacos acolchoados de nylon e feitos de tecido tecnológico (também conhecidos como doudoune). Os melhores são feitos com pena de ganso verdadeiras. Eles são leves e esquentam muito”, indica Ziccardi. 
     
  • A "personal organizer" também sugere que o turista use roupas de baixo, as chamadas segunda pele, feitas com tecidos sintéticos que mantêm o corpo extremamente aquecido. Além disso, dá outra dica: "Na MUJI, loja japonesa com filiais e várias cidades da Europa e dos Estados Unidos, é possível encontrar luvas feitas com um material especial que permitem o 'touch screen', ou seja, você pode usar o celular sem tirar as luvas."
  • Também vale a pena comprar guarda-chuvas lá fora, em caso de muita chuva ou neve. Neste ponto, Ziccardi reforça a necessidade de, junto com tudo isso, o viajante também usar luvas, gorros e sapatos de solados grossos já citados acima: "Sentimos mais frio quando as extremidades não estão protegidas", diz. Se você já tem alguns deles no seu guarda-roupas, não deixe de colocá-los na bagagem.

Getty Images
Casaco acolchoados e impermeáveis são ideais para caminhar no frio intenso Imagem: Getty Images

Onde comprar lá fora
Se você realmente decidir adquirir algumas roupas de inverno no exterior, verifique se o destino de sua viagem está bem equipado com lojas que vendem este tipo de vestimenta. Cidades de médio e grande porte dos Estados Unidos, Canadá e Europa certamente terão uma boa oferta destes itens para o turista. Se a intenção for economizar, saiba que metrópoles como Nova York, Boston, Chicago, Toronto, Vancouver, Londres e Berlim estão cercadas pelos famosos outlets, centros comerciais onde é possível encontrar vestimentas com enormes descontos.

No entanto, é preciso saber se será fácil ir do seu hotel até esses locais para fazer as comprinhas. Use a internet para montar sua logística antes de sair do Brasil, assim você não perde o precioso tempo de suas férias tentando achar lojas depois de chegar ao seu destino.

Três camadas
Lembre-se: pode estar um frio de rachar, mas a maioria dos interiores de hotéis, restaurantes, bares e museus no exterior possui calefação. Por isso, não vale a pena se cobrir com diversas peças de roupa na hora de ir para a rua: será um incômodo tirá-las cada vez que você entrar (e começar a passar calor) em algum lugar durante a viagem. "Vista-se aplicando a técnica das três camadas", aconselha a "personal organizer" Ana Ziccardi.

"A primeira camada [aquela que está em contato direto com o corpo] deve ser composta por camisetas e calças que permitam a transpiração e, ao mesmo tempo, mantenham a temperatura do corpo do viajante [tecidos sintéticos, especialmente os do tipo "heat tech", podem fazer esse trabalho]. Já a segunda é a que vai esquentar, e deve ser composta por cardigãs ou blusas de lã. E a terceira camada se destina a bloquear o vento [aqui, o turista pode considerar os casacos doudoune indicados acima. É bom que este item seja de uma cor neutra, para combinar com qualquer calça, camiseta e blusa]". Seguindo esse método, será fácil tirar parte das vestimentas quando for necessário. 

Brendan McDermid/Reuters
Nova York é um dos destinos turísticos que ficam sob forte neve no inverno Imagem: Brendan McDermid/Reuters

Não passe aperto
Na hora de embarcar, lembre-se de usar roupas confortáveis: uma viagem aérea entre o Brasil e locais como Nova York e Amsterdã chega a durar mais de 10 horas – e vestir roupas em excesso no aperto das aeronaves pode deixar sua jornada bem desagradável (isso, claro, se você não estiver viajando de executiva ou primeira classe). Na mala de mão, não se esqueça de levar uma jaqueta reforçada, luvas, cachecol e gorro, para vesti-los assim que chegar ao seu destino. Também vale pesquisar, antes da viagem, qual é o melhor tipo de transporte entre o aeroporto e seu local de hospedagem. Não vale a pena ficar no frio, com bagagens na mão, buscando o melhor ônibus ou a estação de metrô para ir até o hotel.  

Mais macetes
E, falando em hotel, escolha um lugar bem localizado para se hospedar, de preferência perto das principais atrações turísticas. Para muita gente, é desgastante passar longas horas andando sob um frio intenso. Estar perto dos principais cartões-postais irá facilitar (e muito) sua vida. Também vale a pena pagar um pouco mais na diária e ficar em um hotel com quartos mais confortáveis. É bem capaz de que, por causa do frio, você passe mais tempo dentro de sua acomodação do que o normal (e aí é bom estar em um espaço com cama e ambiente agradáveis). E, em lugares que estão enfrentando nevascas, sempre cheque com sua companhia aérea, alguns dias antes do retorno ao Brasil, se os aeroportos não estão fechados ou enfrentando atrasos por causa do mau tempo.
Você não vai querer que suas férias terminem com você sentado por horas a fio em um lotado terminal de embarque, vai? 

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