Viagem

Alagamento e cobra não desanimam adeptos do camping; veja dicas e histórias

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Imagem: Getty Images

Do UOL, em São Paulo

11/10/2016 16h48

Ficar em contato direto com a natureza e em lugares praticamente intocados é um dos grandes baratos de acampar. No entanto, entre os momentos divertidos e de contemplação, claro que imprevistos acontecem.

O UOL entrevistou pessoas que não abrem mão desse tipo de passeio para saber de suas experiências e ainda descobrir algumas dicas para quem quiser se aventurar por aí. Confira!

Arquivo Pessoal
Thalita com seu cachorro, Mozar, em Bertioga (SP) Imagem: Arquivo Pessoal
Surpresa na barraca
“Comecei a acampar com os meus pais ainda criança, por volta dos três ou quatro anos, mas perdi esse hábito na adolescência, pois meus amigos não curtiam muito a ideia. 

Há uns dois anos, resolvi viajar com um pessoal do Facebook que organiza eventos do tipo. Fizemos uma trilha bem longa e chegamos a uma praia, em um acampamento selvagem. Foi tão incrível que, depois, comprei uma barraca legal, fogãozinho, cadeiras, mesa, entre outros apetrechos, e acampo sempre que posso. Levo até o meu cachorro, se for permitido. 

Uma vez, estava com amigos em uma reserva e deixei a porta da varanda da barraca aberta enquanto cozinhava. Entrei para pegar uma lanterna e ouvi um barulho. Comecei a apalpar o chão, no escuro, para descobrir o que era e pedi para uma amiga iluminar o local. Descobrimos uma jararaca, que é uma cobra superperigosa. Chamei os responsáveis pelo camping, um bombeiro e um rapaz do Ibama, que devolveram o animal para o mato com todo o cuidado. Não aconteceu nada com ninguém, foi tranquilo. Mas valeu a experiência! Para acampar, é preciso respeitar a natureza e ir de coração aberto, sempre.”
Thalita da Silveira, 29 anos, publicitária

Campismo como estilo de vida

Arquivo Pessoal
Anderson com a namorada, Karin, em Brotas (SP) Imagem: Arquivo Pessoal

“Ao contrário do que muitos pensam, acampar é uma atividade bem tranquila se você estiver bem preparado, principalmente devido à tecnologia, à qualidade e ao conforto dos equipamentos que existem hoje. Faço isso desde os 16 anos, época em que havia pouca informação sobre os locais para montar a barraca. 

O maior perrengue que passei até hoje foi pegar muita chuva em Salesópolis (SP). Como ventava muito, não conseguimos nem cozinhar, pois não dava para sair da barraca. Dividimos um chocolate em três pessoas e fomos dormir. Só que entrou água e, quando amanheceu, tivemos que desmontar tudo e ir embora, todos molhados, andando por uma trilha de uns 8 km. 

Hoje escrevo sobre minhas aventuras em um blog e pretendo contar minhas histórias em um livro. Planejar um acampamento é algo prazeroso, aproxima você das pessoas que vão acompanhá-lo na aventura. Além disso, é uma delícia conhecer diversos lugares, como praias, cachoeiras e trilhas. Para mim, acampar é sentir liberdade, ter um contato forte com a natureza e aprender a respeitar tudo aquilo. Eu realmente levo o campismo a sério.”
Anderson Fernandes de Oliveira, 30 anos, fotógrafo e analista de e-commerce

Barraca alagada

Arquivo Pessoal
Vinícius no Parque Nacional Great Smoky Moutains, no Tennessee (EUA) Imagem: Arquivo Pessoal

“Conheci o montanhismo há quatro anos e, desde então, comecei a praticar escalada, trekking e campismo por lugares incríveis. Hoje, minha maior paixão é pegar uma barraca, minha mochila e desfrutar de uma bela paisagem. Sempre que possível, viajo para um lugar diferente e me hospedo em campings indicados por amigos ou que encontro na internet.

Já percorri o New River, na Carolina do Norte (EUA), com uma canoa canadense, acampando pelas cidades que ficavam às margens. Nessa ocasião, tive que carregar para cima e para baixo meus alimentos, equipamentos e tudo o mais que precisava. Claro que já passei por perrengues, como ter a barraca alagada por uma tempestade, mas esse é um dos maiores motivos pelo qual amo acampar: a experiência nos mostra o quanto somos vulneráveis em relação à natureza e nos estimula a encontrar saídas criativas para algumas situações inesperadas.”
Vinicius Saconi Olavio, 23 anos, publicitário e guia de turismo

Arquivo Pessoal
Marília atua como escoteira desde 2008 Imagem: Arquivo Pessoal
Desde criança
“Entrei para o escotismo em 2008. Com o passar dos anos, fui a muitos acampamentos com grupos escoteiros e aprendi várias técnicas e procedimentos que dão suporte para as patrulhas escoteiras e facilitam muito a vida. Desde cedo, sei montar barracas e preparar suporte para fogareiro, por exemplo. Em 2010, terminei o meu ciclo como escoteira e passei a ser Guia. Agora, assumo atividades mais complexas, mas também tenho autonomia.

Recentemente, participei de um acampamento de sobrevivência, em que passamos três dias na floresta com bivaques (tipo de barraca que só utiliza toldo, bambu e sisal). Preparamos nossa própria comida, sem acesso fácil a banho e banheiro, além de fazer as atividades previstas pelos nossos chefes. Foi desafiador, com muitos momentos difíceis e bastante chuva, mas ainda penso que acampar é a melhor coisa do mundo. O contato com a natureza é imenso e necessário para sabermos respeitá-la.”

Marília Amara Leôncio do Vale, 19 anos, estudante

Arquivo Pessoal
Afrânio no Camping Chapéu de Sol, localizado em Itu (SP) Imagem: Arquivo Pessoal
Tudo em família
“Eu e minha esposa acampamos juntos desde 1998. Por conta do nascimento da nossa filha, Mariana, em 2008, tivemos que dar um tempinho nessa modalidade de turismo. Em 2014, voltamos com tudo e com grande estilo: fizemos muitos amigos e criamos um grupo de acampamento. As amizades se estenderam para fora do campismo e somos praticamente uma família.

Frequentamos especialmente campings estruturados, chamados de Campings Clubes. Eles possuem uma boa estrutura, como segurança, portaria e recepção, limpeza e manutenção das áreas verdes, piscinas aquecidas com toboágua e alguns deles contam até com excelentes saunas.

Como moramos em Indaiatuba, pertinho de Itu (SP), que possui pelo menos cinco grandes campings que oferecem tudo isso, temos a oportunidade de fazer campismo com muita frequência para recarregar as baterias e ensinar aos nossos filhos a importância da preservação da mãe natureza.”
Afrânio de Carvalho, 41 anos, microempresário

Se animou? Veja dicas para você acampar também

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De acordo com os campistas entrevistados, para não passar grandes perrengues é essencial estar preparado e obter informações prévias do local que gostaria de visitar. Veja outras orientações importantes para quem quer encarar a aventura pela primeira vez.

Vá acompanhado ou, pelo menos, estude o destino
Um acampamento selvagem exige grande preparo: é necessário levar comida na quantidade certa, saber onde conseguir água potável e ainda carregar a mochila pesada durante todo o tempo de passeio. Por isso, um iniciante apenas vai tirar proveito da aventura se for acompanhado de um guia ou com um grupo de pessoas que já está acostumado e que conhece bem o local. Já em acampamentos de lazer, é importante saber mais sobre a infraestrutura: se há banheiros, cozinha, locais específicos para montar as barracas, portaria etc.

Prepare-se para o clima
Pesquise sobre a temperatura no local onde deseja acampar e, principalmente, sobre o risco de chuvas fortes no período. Muito calor ou muito frio podem minar a sua viagem, caso você não esteja bem preparado.

Invista em bons produtos
Atualmente, existe uma variedade de ótimos equipamentos para acampar. Vale a pena comprar uma boa barraca, para garantir mais segurança e conforto. Colchão ou colchonete, lona, fogão ou fogareiro, canivete suíço, lanternas, repelente e protetor solar também são itens indispensáveis.

Avise alguém sobre o seu roteiro
Esse cuidado é fundamental, especialmente se a ideia for fazer um acampamento selvagem. Divida seu roteiro com alguém de confiança, diga exatamente onde vai estar e quando pretende retornar. Assim, caso você tenha algum problema no destino, ele poderá tomar as providências necessárias para ajudá-lo.

Respeite a natureza
Para minimizar o impacto à natureza, especialmente em áreas de preservação ambiental, procure usar xampu, sabonete e condicionador biodegradáveis. Além disso, é essencial carregar o seu próprio lixo e tomar muito cuidado ao fazer fogueiras: escolha uma área adequada e certifique-se de que não há risco para os demais campistas.

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