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Viajantes contam apuros que já passaram por conta do nome em outro país

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Do UOL, em São Paulo

04/10/2016 19h04

A identificação assumida no nascimento, em um país, nem sempre será bem compreendida no exterior. E, sendo um estrangeiro, é preciso estar preparado para lidar com isso. A seguir, homens e mulheres narram as situações engraçadas e tensas que já viveram por conta dos seus nomes.

Arquivo Pessoal
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Pode me chamar de David
“Eu trabalho como massagista em Girona, na Espanha, e é muito difícil os clientes conseguirem dizer o meu nome. A situação fica ainda mais complicada porque muitos deles são idosos e aí eu tenho que repetir várias vezes como me chamo.

A recepcionista da clínica, então, decidiu que diria a todos que meu nome era David, que é mais comum na região. Ela era a que mais sofria ao tentar explicar meu nome de batismo, para marcar os atendimentos por telefone.

Agora, eu já aceitei que muitos me chamarão assim e pronto.” 
Warley Navaliery, 24, massagista

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 Hu?
“Eu sou chinesa e, quando morei no Brasil, meu nome era motivo de muitas piadinhas. Para começar, na China nos apresentamos primeiro pelo sobrenome e depois é que vem o nome, ao contrário do que acontece no Brasil. Assim, meu nome é Qiong e meu sobrenome Hu. Mas, quando cheguei ao Brasil, as pessoas só me chamavam de Hu, porque era o que vinha primeiro. 

Ouvi muitas brincadeiras do tipo: ‘Hu are you?’ ou ‘who is Hu?’ por causa da semelhança com o pronome inglês ‘who’ [quem, em português]. Quando vão pronunciar Hu, as pessoas não dizem o ‘h’ com som de ‘r’. Me chamam de ‘u’. Uma vez, para entrar em um local, a pessoa teve que anotar o meu nome em um livro de visitantes. Como ela não entendia, eu soletrei: H-U. Olhei no livro e ela tinha escrito ‘Agaú’”. 
Hu Qiong, 28, gerente de marketing

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Apenas “oi”
“A empresa em que eu trabalho tem sedes em Lisboa e Londres. Os ingleses não conseguem pronunciar o meu nome. Eu sempre escuto ‘sorry, I can't say your name’ [desculpe, não sei falar o seu nome, em português].

Se eles leem, sem escutar a pronúncia, aí é que não sai nada mesmo. O ‘lh’ e o ‘rme’ do nome enrolam a língua deles. ‘Gui’ também não ajuda, porque eles tentam pronunciar o ‘u’ e não dá certo. Trabalhei com um gestor de projetos que, após seis meses, simplesmente desistiu de me chamar pelo primeiro nome. 

Uma cena muito comum em reuniões é a seguinte: cada um se apresenta e os demais respondem, chamando a pessoa pelo nome. Exemplo: Hi, I'm Joanna!/Hi Joanna. Nice to meet you [Olá, me chamo Joanna!/ Olá, Joanna. Prazer em conhecê-la, em português]. Então, chega a minha vez: Hi, I'm Guilherme. Todos se olham confusos e decidem alongar a palavra ‘oi’ por não conseguirem repetir o nome: Hiiiiiiii. Nice to meet you.”
Guilherme Baron, 39, gerente de TI

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Um nome russo
“Este ano, eu fui visitar alguns parentes na Lituânia, pela primeira vez. E todas as pessoas mais velhas para quem eu me apresentava, diziam: ‘a russian name’ [um nome russo, em português]. Acontece que lituanos têm uma rixa com russos, por conta de acontecimentos históricos e até do cenário político atual. 

Eu tentei explicar que meu nome vem de Natália, que é latino, e foi adotado pelos russos depois. Mas eles não se convenceram. Então, uma prima da minha avó perguntou se poderia me chamar de Natalie, com pronúncia inglesa. Achei estranho, mas falei ‘tudo bem’. Minha avó aproveitou a deixa e falou que todo mundo poderia me chamar assim. Desde então, passaram até a escrever meu nome como ‘Nataly’.” 
Nathália de Paula Tenório, 21, estudante

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Brasileiro e não árabe
“Em 2012, eu fui fazer intercâmbio nos Estados Unidos e foi difícil tirar o meu visto, por conta do meu segundo nome, Abrahão, que é de ascendência libanesa.

Precisei correr atrás de uma espécie de documento de legitimidade de nacionalidade, na Secretaria da Fazenda, para provar que eu sou brasileiro e não tenho ligação com árabes.

Dois anos depois, ao chegar em West Palm Beach, na Flórida, me prenderam por três horas na alfândega para explicar porque eu não tinha um sobrenome ‘português’, já que era brasileiro. Tive que comprovar minha nacionalidade com certidão de nascimento e RG, que eu já aprendi a carregar em viagens.”
Israel Abrahão de Abreu, 26, administrador de empresa

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