Viagem

Uma cama e um chuveiro quente: ciclistas criam rede para viajantes de bike

Getty Images
Imagem: Getty Images

Do UOL, em São Paulo

27/09/2016 11h31

Andar de bicicleta é uma realidade bastante comum em outros países, mas que somente nos últimos anos tornou-se mais popular no Brasil. E, neste novo cenário, cresceu o número de adeptos que utilizam a bike não apenas para diversão, mas também como forma de se locomover. Algumas pessoas não largam a "magrela" nem no momento de uma viagem, mas isso não é necessário.

Isso porque já dá para viajar e ter o apoio de ciclistas moradores da região que oferecem estadia confortável e intimista de forma gratuita, além de um bom prato de comida, por meio de uma rede social de hospitalidade para viajantes de bike. Um dos usuários é Isnard Quintela, 38, que é professor de educação física e começou a pedalar aos 22 anos, por lazer. No entanto, adotou a bicicleta como seu único meio de transporte há dez anos, inclusive durante viagens.

“Como são todos ciclistas também, eles entendem que viajar de bicicleta é um pouco imprevisível e não dá para saber a que horas vamos chegar. Mas, no momento que for, somos bem recebidos. É comum você chegar e dizerem: ‘Olha, vai lá tomar seu banho que a comida está quente e eu espero você aqui’”, conta.

Arquivo pessoal
Isnard abre a geladeira e a despensa para os hóspedes ciclistas Imagem: Arquivo pessoal
O contato com os anfitriões é feito por meio da Warmshowers. Atualmente, são mais de 97 mil membros inscritos no site, sendo que cerca de 45 mil estão dispostos a receber pessoas.

O site não é pago e não permite que anfitriões cobrem a estadia, porém, sugere que o visitante faça um agrado para quem vai recebê-lo: leve uma garrafa de vinho, um produto típico de sua região ou ofereça um jantar.  A rede não restringe membros por origem, é possível achar hospedagem em todos os continentes, mas a oferta varia. 

Tanto anfitriões quanto hóspedes são avaliados com comentários, o que torna mais fácil escolher onde se hospedar ou quem hospedar. Por ser uma rede de troca de hospitalidade, a recomendação é que você, algum dia, receba alguém e não apenas usufrua da facilidade como hóspede. Mas se decidir não abrir a casa no momento, esta informação deve ser incluída no perfil (há um espaço para ticar que diz "atualmente indisponível"). Assim, você não aparece nas buscas dos ciclistas.

“Eu e minha esposa hospedamos os viajantes e oferecemos acomodação, banho e comida. E não tem essa de fazer diferença com a pessoa, a gente abre a nossa geladeira e oferece tudo o que tem dentro”, diz Quintela, que retribui a hospitalidade ao abrir a casa para ciclistas que visitam o Brasil.

O requisito mínimo acordado entre os membros da rede é acomodação - que pode ser um quarto, um sofá ou até um quintal para acampar - e um chuveiro. Mas a maior parte deles, explica o professor de educação física, faz questão de ofertar refeições ao visitante. “Por mais simples que a pessoa seja, ela vai oferecer algo. Nem que seja só um prato de macarrão com molho”, conta.

Choro na despedida

Arquivo pessoal
Adriana e a coreana Bô, ciclista que ela hospedou em casa e virou amiga Imagem: Arquivo pessoal
Muitos vínculos são criados nessa forma de hospedagem. A jornalista Adriana Marmo, 50, recebeu uma jovem coreana em sua casa quinze dias após inscrever-se no site. O que era para ser uma estadia de quatro ou cinco dias, virou 15.

“Era muito legal quando eu voltava para a casa e, ao abrir a porta do elevador, sentia um cheiro diferente saindo da cozinha. Ela gostava muito de cozinhar para mim e para o meu filho. Cada noite, fazia uma iguaria diferente, típica do seu país”, conta. A sintonia foi tanta que rolou até choro na hora da despedida.

O amor vai de bike

Arquivo pessoal
Juliana durante sua passagem pelo Parque Nacional Kluane, no Canadá Imagem: Arquivo pessoal
A história da bióloga Juliana Hirata, 36, também mostra que é possível até encontrar o amor durante essas estadias. No mês de agosto, ela se hospedou na casa de um anfitrião na cidade de Helenano estado norte-americano de MontanaA paixão rolou no primeiro momento em que se encontraram

“Eu ficaria apenas por dois dias lá, mas acabei estendendo para dez. No mês seguinte, voltei por conta do trabalho”, conta. O namoro foi oficializado logo que ela retornou ao Brasil. Mas em breve os próximos passos de Juliana a levarão para perto do namorado. “Vou pedalar pelos parques de lá: o Glacier National Park, Yellowstone National Park, Grand Teton e Zion National Park”, planeja.

O plano é se hospedar em campings que ficam nas regiões dos parques, mas sempre contando com a solidariedade de outros ciclistas. Quando eles se encontram no meio do caminho, por exemplo, costuma acontecer uma troca de objetos. "Se estou voltando do deserto e não vou usar mais um equipamento para espantar ursos, dou para alguém que encontro e esteja indo naquela direção. Não custa nada ser legal”, conta Juliana.

Todos ganham
Outra vantagem de hospedar-se com outros ciclistas é a certeza de que os anfitriões poderão entender e ajudar a suprir as necessidades de quem viaja em duas rodas.

“Eles sempre oferecem ajuda para a manutenção da bike, encher o pneu ou mexer na regulagem, por exemplo”, diz Isnard Quintela. “Os anfitriões também dão dicas sobre os melhores caminhos locais para cruzar de bicicleta”, ressalta Adriana.

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