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Brasileiros contam dificuldades de adaptação e prós e contras de morar fora

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Imagem: Getty Images

Do UOL, em São Paulo

13/09/2016 07h40

Seja por deslumbramento ou mesmo falta de tempo, nem sempre o turista enxerga de cara os problemas do destino que visita. Mas para quem vai "de mala e cuia", a coisa é diferente e muitas vezes é sofrido acostumar-se a viver longe de casa. Brasileiros que mudaram para outros países e tiveram pouco tempo para se preparar antes de partir contam, abaixo, quais foram suas dificuldades de adaptação, além de revelar os pontos altos e os baixos de cada lugar.

Paris no susto (e no frio)

Arquivo Pessoal
Após dez anos, Taciana acostumou-se até com o inverno parisiense Imagem: Arquivo Pessoal
“Moro em Paris há dez anos, mas vim parar aqui por acaso. Na realidade, eu e meu marido nos inscrevemos em um programa de bolsas, mas eu viria apenas para acompanhá-lo. No fim, eu passei e ele, não. Ficamos sabendo um mês antes do início das aulas e eu não falava quase nada de francês. No começo, a adaptação foi difícil, por falta de planejamento e dinheiro. A gente chegou no inverno e fomos morar na Normandia, onde fazia um frio terrível e ventava muito. Não dava para sair de casa, cozinhávamos do jeito que dava, adaptando os ingredientes franceses aos nossos gostos. Mas sobrevivemos.

Hoje, morando em Paris, não tenho do que reclamar. Embora tudo aconteça aqui, alguns bairros ainda têm um clima de cidade do interior. Você caminha e dá bom dia ao açougueiro, ao padeiro, as pessoas se cumprimentam pelo nome. Além disso, Paris é muito linda: atravessar as pontes ou passar a pé ao lado da Torre Eiffel é sempre emocionante, como se fosse a primeira vez. Até o inverno já se tornou menos sofrido para mim. Hoje em dia consigo curtir a neve numa boa.” 
Taciana Mendes Locatelli, 41, compradora internacional

Céu cinza de Dublin

“A ideia de morar fora surgiu em tom de brincadeira, pois eu e meu marido estávamos cansados da mesmice da nossa vida no Brasil. Então, decidimos arriscar. Fui atrás de uma empresa de intercâmbio e, em menos de um mês e meio, estávamos embarcando para Dublin. No primeiro mês, foi tudo lindo, tudo novidade. Mas, depois, começou a cair a ficha, afinal, não estávamos ali a passeio, precisávamos arrumar emprego para nos sustentar.

Tivemos que deixar o orgulho de lado para nos sujeitar a vagas de faxineiros ou atendentes de café. Isso foi um choque, mas logo nos adaptamos. O bom de viver na Europa é que tudo funciona, o transporte público, por exemplo, é muito bom e eficiente. Além disso, tem muita acessibilidade para pedestres e ciclistas. A pior parte é a falta de sol, o céu cinza quase o ano todo.”
Bruna Mistrello Cigerza, 29, barista

Comendo na China

Arquivo Pessoal
Paulo Afonso sofreu para adaptar-se à culinária chinesa Imagem: Arquivo Pessoal
“Tive três semanas para preparar minha mudança para Xangai. Me inscrevi em uma bolsa de estudos de mestrado, em um processo bem concorrido e, quando descobri que havia sido aprovado, tive que correr com visto, sair do emprego que eu tinha na época, além de preparar as minhas coisas, tudo isso em três semanas. Já na China, o período de adaptação foi relativamente tranquilo. Eu moro na Universidade em que estudo e, logo de cara, fiz amizade com outros estrangeiros na mesma condição que a minha. E, tendo boa companhia, tudo fica mais agradável. 

Se tivesse estudado mais a língua e a cultura, teria sofrido menos. Minha maior dificuldade foi a adaptação com a culinária local, demorei dois meses para descobrir pratos e restaurantes que servissem algo que eu realmente gostasse de comer.  Além disso, estou há um ano aqui e ainda não transpus a barreira do idioma: é extremamente difícil e pouquíssimas pessoas falam inglês. O lado bom é que há inúmeras oportunidades profissionais por aqui e, como o destino também recebe muitos expatriados, você faz contato com gente do mundo inteiro.”
Paulo Afonso Locali, 24, estudante

Segurança versus poluição

“Tenho uma irmã em Xangai e, com a dificuldade que o nosso país está passando, resolvi mandar currículos para algumas escolas chinesas, para dar aulas de inglês. Rapidamente, recebi uma proposta muito boa, com um salário que dificilmente ganharia no Brasil. Em menos de dois meses, embarquei e, agora, vou completar dois meses da mudança. Ainda estou em plena fase de adaptação e me sinto como um bebê, tentando observar tudo e aprender. A ajuda da minha irmã tem sido fundamental, para pedir comida, pegar metrô, abrir conta no banco... sem ela, acho que teria sido muito complicado, por causa da língua, que eu ainda não entendo.

No entanto, aqui é um lugar completamente seguro. Outro dia, um estrangeiro me contou que pegou um táxi bêbado e dormiu no banco, sem ter passado o endereço ao motorista. Quando acordou, horas depois, o motorista havia deixado o taxímetro ligado e estava lendo o jornal, esperando. Também gosto muito de comprar coisinhas variadas, pois a China produz tudo o que é distribuído pelo mundo, então, tem coisas inimagináveis por aqui. O que não é tão bom é a aglomeração de pessoas, em todos os lugares. O ritmo é acelerado, o ar é poluído e há sujeira nas ruas.”
Débora Guimarães de Araujo, 29, professora

E a saudade?

Arquivo Pessoal
Em Istambul, os filhos de Camila sofreram com saudade dos amigos Imagem: Arquivo Pessoal
“Já me mudei duas vezes para Istambul com minha família, por motivos profissionais. Em uma dessas ocasiões, tive apenas duas semanas para organizar tudo. No entanto, com o suporte da empresa, até que a adaptação não foi tão difícil assim. Na primeira viagem, além do meu marido, eu estava com um filho de pouco mais de um ano, então, foi relativamente mais tranquilo. Ficamos quase dois anos lá. Já na segunda, ficamos apenas oito meses, mas eu estava com duas crianças, o mais velho com sete anos.

Os meus filhos tinham muita saudade da família e dos amigos, isso foi o mais complicado de administrar. Entretanto, estávamos vislumbrando a oportunidade de crescimento pessoal e profissional, pensamos na carreira e no bem-estar da família. O choque cultural também foi forte, mas nos acostumamos com o tempo. Lá em Istambul a qualidade de vida é melhor, a criminalidade é quase nula. Porém, com o golpe militar, ficamos bastante apreensivos e acabamos retornando.”
Camila Rodrigues Zuniga Abellan da Silva, 36, administradora de empresas

Calor - do clima e das pessoas

“Conheci um americano pela Internet e, depois de nove meses de papo, ele foi ao Brasil para nos conhecermos pessoalmente. Então, decidimos nos casar. Ele começou a providenciar a documentação e, em três meses, eu já pude embarcar. Estou aqui há dois anos e a adaptação, bem no início, foi difícil. O que eu mais estranhei foi o clima, porque eu saí de São Paulo, que é uma cidade superagitada, para morar em Indiana, que é bem pacata.

Outro ponto é aquela história do calor humano, que em lugar nenhum do mundo é como no Brasil. Por outro lado, os americanos são mais educados. Além do respeito, o que eu mais amo aqui são as Garage Sales, que sempre têm coisas incríveis pra gente comprar.”
Kelle Belizio Nichols, 29, dona de casa 

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