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Vacina de febre amarela é exigência em alguns países; veja as regras

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Além do passaporte e do dinheiro, também é necessário se preocupar com a vacinação Imagem: Getty Images

Vivian Ortiz

Do UOL, em São Paulo

23/08/2016 19h51

Já imaginou chegar no tão sonhado destino das suas férias e precisar voltar porque não está com a vacinação em dia? Sim, além de passaporte, dinheiro e check-in, a vacina é um item importante exigido por alguns países e muito esquecido pelo turista que está de malas prontas. Uma das mais solicitadas - a da febre amarela - acaba de passar por uma revisão da Organização Mundial da Saúde (OMS), que entrou em vigor em julho de 2016. Sua validade, antes de 10 anos, passou a ser de tempo indeterminado.

Na prática, significa que uma única dose garante imunidade por toda a vida, deixando de ser necessário renovação a cada dez anos, especialmente nos casos de viagem para áreas de risco, como era o procedimento. “Isso aconteceu após a própria OMS pesquisar e reconhecer que não existe a necessidade da pessoa receber uma nova dose da vacina com tanta frequência”, explica Jessé Reis Alves, médico infectologista e coordenador do Núcleo de Medicina do Viajante do Instituto de infectologia Emílio Ribas, em São Paulo (SP).

Assim, os agentes que trabalham nas fronteiras não podem mais impedir a entrada de viajantes portando Certificados Internacionais de Vacinação, independente da validade. Mas, atenção: quem nunca recebeu nenhuma dose contra a febre amarela durante a vida ainda precisa tomar a sua. "Ela faz parte do calendário de vacinação no Brasil, a partir dos nove meses de vida, mas não em todos os Estados. Apenas daquelas regiões que são consideradas endêmicas, e há a possibilidade da circulação do vírus. Isso, na verdade, significa grande parte dos Estados, excluindo praticamente a parte litorânea", explica o infectologista.

Tomei, ou não?

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Chegou a hora de procurar o posto de vacinação e surge a dúvida: será que já tomei essa vacina? Se você não se lembra, ou não tem nenhum documento para confirmar a informação, saiba que não existe problema algum em ser vacinado novamente dentro de um prazo menor do que dez anos - especialmente se não está no grupo de contraindicados.

"Isso inclui crianças abaixo de seis meses, pessoas com qualquer doença que afete o sistema imunológico - como câncer e HIV - ou que estejam tomando drogas que deprimam o sistema imunológico", ressalta Alves. Mulheres grávidas ou que estejam amamentando possuem contraindicação relativa. "Ela pode até tomar a vacina, caso esteja de partida para algum lugar com surto, mas precisa interromper a amamentação por algumas semanas, para não ter o perigo de passar o vírus para o bebê".

Como faz

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Se você não está no grupo de contraindicações e precisa tomar a vacina, basta se dirigir a algum posto de saúde, disponíveis em todos os municípios do país. As pessoas vacinadas em Unidades do SUS recebem um comprovante de vacinação que é válido em todo território nacional: é o Cartão Nacional de Vacinação, de cor branca, comprovante que deve fazer parte de sua bagagem.

No entanto, se o destino é o exterior, será preciso providenciar o Certificado Internacional de Vacinação (CIV), que possui cor amarela. Para isso, é necessário  procurar um dos Postos da ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária)  em qualquer um dos portos, aeroportos, passagens de fronteiras ou sedes da coordenação em todo o território nacional.

Apenas você poderá solicitar a substituição de seu cartão, comparecendo ao posto de troca munido de documento oficial com fotografia: Carteira de Identidade, Passaporte ou Cédula Profissional (tipo OAB, CREA, CRF, CRM, etc). Para menores de idade é necessária a apresentação da Certidão de Nascimento.
No site da instituição, existe uma lista de Centros de Orientação para a Saúde do Viajante.

De última hora

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A vacina precisa ser tomada, no mínimo, dez dias antes. Caso tenha uma viagem de urgência, você pode receber a dose em um prazo menor, a questão é saber se o certificado será aceito no país de destino. Além disso, há ainda a questão da segurança: como a vacina ainda não fez efeito, certamente a pessoa ainda não estará protegida.

Isabella Ballalai, diretora-médica da Vaccini e do Centro Brasileiro de Medicina do Viajante (CBMEVi), destaca que já presenciou turistas voltando para casa frustrados por não terem tomado a dose dentro do prazo. "Não adianta tomar a vacina no aeroporto e pegar o avião", alerta.

No entanto, ela explica que, caso a pessoa esteja no grupo de contraindicações, ainda assim pode viajar. "Nenhum país vai proibir a entrada, mas há a exigência de um atestado explicando essa contraindicação, documento que apenas um médico pode emitir".

Países que exigem a vacina

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Apesar de chato, tomar vacina é necessário Imagem: Getty Images

ÁFRICA: Todos os países, menos o Sudão do Sul.
AMÉRICA DO SUL: Equador, Bolívia, Paraguai, Guiana, Guiana Francesa, e Suriname.
AMÉRICA DO NORTE: México.
AMÉRICA CENTRAL E CARIBE: Toda a região, exceto Cuba, Nicarágua, República Dominicana, Panamá, Haiti, Porto Rico e Ilhas Virgens (Britânicas e Americanas). 
ASIA: China (menos Hong Kong e Macau, Coreia do Norte, Índia, Camboja, Tailândia, Laos, Butão, Filipinas, Indonésia, Cazaquistão, Quirguistão, Malásia, Brunei, Nepal e Cingapura.
EUROPA: Malta e Albânia.
OCEANIA: Austrália, Polinésia Francesa, Fiji, Nova Caledônia e Samoa.
ORIENTE MÉDIO: Líbano, Arábia Saudita, Irã, Iraque, Jordânia, Omã, Bahrein e Iêmen.

De olho nos sintomas

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De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a vacinação é a medida preventiva mais importante contra a febre amarela, sendo segura, acessível e muito eficaz. Transmitido por mosquitos infectados, a infecção tem um período de incubação que varia de três a seis dias e pode ter duas fases.

Na primeira, geralmente aguda, provoca febre, dor muscular e dores de cabeça, além de calafrios, perda de apetite e náuseas ou vômitos. De forma geral, a maioria dos pacientes melhora e os sintomas desaparecem dentro de três ou quatro dias.

No entanto, 15% dos pacientes, passadas 24 horas da remissão inicial, entram em uma segunda fase, ainda mais tóxica. Nela, há o retorno da febre alta e alguns órgãos costumam ser afetados. Metade dos pacientes que entram nessa fase morrem dentro de 10 a 14 dias, e o restante se recupera sem danos significativos aos órgãos. 

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