Viagem

Precisa ser rico? Saiba como transformar a viagem dos sonhos em realidade

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Conhecer o mundo é possível, basta organizar as prioridades Imagem: Getty Images

Vivian Ortiz

Do UOL, em São Paulo

05/07/2016 21h13

Passear pela icônica avenida Times Square, em Nova York, subir no topo da Torre Eiffel, em Paris ou mesmo pegar um belo bronzeado nas lindas praias do Nordeste brasileiro. Se você pensa que realizar qualquer uma dessas viagens parece algo muito distante da sua vida e que você nunca conseguirá ter dinheiro, é melhor rever os seus conceitos.

Basta colocar por outra perspectiva: para comprar uma casa, um celular ou mesmo aquela roupa que você está paquerando há tempos é preciso fazer um pouco de economia até juntar a quantia necessária. O mesmo acontece na hora de planejar a viagem dos sonhos: é necessário organizar melhor o próprio orçamento para atingir o que se almeja.

A analista financeira Karen Fernanda Correia, de 28 anos, coloca como meta fazer uma grande viagem anual de 30 dias ou duas de 15 dias, geralmente aproveitando o período de férias no trabalho. Para conseguir bancar as viagens, ela diz que o segredo é planejamento. Primeiro, a analista pesquisa e descobre, por cima, quanto sairia a viagem. Depois, começa a se programar financeiramente.

Passagem e hotel, por exemplo, são comprados com antecedência de dois a três meses. “Assim, na hora de viajar, o total dos gastos, ou grande parte das parcelas, já estão pagas e o dinheiro para as despesas já ficou guardado em uma ‘mini-poupança' que eu fiz nesse meio tempo”, conta.

Arquivo pessoal
Karen quando visitou o Glaciar Perito Moreno, na Argentina, e Machu Picchu, no Peru Imagem: Arquivo pessoal

A primeira grande viagem que Karen fez foi em 2013, quando aproveitou o dinheiro recebido em uma rescisão de contrato de trabalho e foi fazer um intercâmbio na Irlanda. No período, aproveitou para conhecer outras partes da Europa.

Depois que voltou, ao tirar férias no trabalho novo, ela se programou para ir a Patagônia Argentina, em janeiro de 2015. “Na sequência, em maio, conheci Inglaterra, Escócia e Pais de Gales. Fui para Bonito (MS) em dezembro do mesmo ano e, atualmente, estou no Peru, de férias”, contou, em entrevista dada no finalzinho de junho.

Apesar da economia, a analista financeira garante que não deixa de ter vida social tentando guardar dinheiro e nem é milionária. “Acredito que viajar tenha muito a ver com prioridade. Para algumas pessoas, comprar um carro é uma prioridade, para outras é adquirir uma casa ou algo assim”, explica. “Hoje, a minha prioridade é viajar, por isso consigo me concentrar financeiramente, mesmo sem ser rica.”

Mas como se organizar?

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"Para realizar os nossos sonhos é preciso planejar e acompanhar”, aconselha o planejador financeiro Jaques Cohen. Ele explica que a organização financeira começa com um diagnóstico e, só depois disso, é que as escolhas poderão ser feitas. "Primeiro precisamos saber o que são as nossas finanças, para depois pensar o que queremos que elas sejam", diz.

Nesse momento é necessário ser realista: não adianta querer apenas pagar as contas e economizar todo o resto, porque não somos robôs e precisamos ter um certo fôlego no orçamento para viver com algum prazer. Além disso, imprevistos acontecem – como itens que precisam ser trocados, consertados ou mesmo doenças – e a reserva para isso deve estar no papel.

"Costumo dizer que o orçamento doméstico é como cabelo, sempre tem que ser aparado"

“O planejamento de viagens é um dos itens que saem de controle com facilidade. Por isso, sugiro evitar cartões de crédito e ainda ter alguns números em mente, como o valor para lazer e transporte diários e o total que pretende destinar a presentes e bens de consumo”, diz Cohen.

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Quanto devo economizar dos ganhos por mês? 
Para o planejador financeiro, depende do porte da viagem. “O ideal é que, depois de calcular o total necessário para seu roteiro, a reserva para esses gastos seja diluída e guardada mês a mês, do mesmo modo que sugiro fazer para as demais despesas irregulares”.

Se o total de gastos previstos é de R$ 5 mil, por exemplo, guardar cerca de R$ 400 por mês durante o ano anterior fica mais fácil do que arranjar a quantia total de uma vez. No entanto, Cohen ressalta que essa reserva não deve se confundir com “colchão de segurança” ou “dinheiro para aposentadoria”, que também devem ser contemplados no planejamento. 

Por isso, de tempos em tempos é bom parar para observar quanto estamos desembolsando em contas de telefone, TV a cabo, internet, anuidades de cartão, entre outras despesas, para avaliar o que realmente vale a pena. “Com essas pequenas mudanças, as vezes conseguimos reduções que fazem uma boa diferença ao final de um ano”, destaca ele. “Costumo dizer que o orçamento doméstico é como cabelo, sempre tem que ser aparado”, compara.

Hora certa

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Imagem: Reprodução

Se tudo é questão de planejamento, então o certo é correr para comprar a passagem aérea muito tempo antes? Michael Barkoczy, presidente da Flytour Viagens, diz que nem sempre isso garante o menor preço, pois não existe fórmula mágica para esse fator.

“Não recomendo comprar viagem com antecedência maior do que 120 dias e o motivo é bem simples: quando a companhia aérea já tem um avião praticamente lotado, porque ela faria promoção? Eles só fazem quando percebem que ninguém vai”, afirma.

Segundo ele, no caso das passagens aéreas a dica é a seguinte: em viagens nacionais, na baixa temporada, o ideal é procurar de 25 a 40 dias antes. Na alta temporada, de 60 a 90 dias antes. Já para viagens internacionais feitas na baixa temporada, de 30 a 90 dias antes. E na alta, de 60 a 120 dias antes.

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Gastos com passagem aérea, hospedagem e alimentação precisam ser incluídos Imagem: Thinkstock

A jornalista Luiza Antunes já deu uma volta ao mundo com dois outros amigos, que contam suas experiências no blog 360meridianos. Na hora de calcular o orçamento de uma viagem, a experiente viajante normalmente se baseia no estilo mais econômico e depois acrescenta gastos, caso prefira uma viagem mais confortável. “Por exemplo, lá no blog temos algumas tabelas de custos médios por dia para cidades na Europa, Ásia, Brasil etc. Também há sites que montam esses gastos médios diários, gosto muito do Price of Travel”, recomenda.

Em uma viagem de gastos mais enxutos, Luiza considera se hospedar em hostel, usar transporte público e comer em lugares mais baratos. “Uso essas médias para fazer o cálculo de quanto gastaria por dia no lugar. Se quiser ficar em um hotel três estrelas, por exemplo, pesquiso mais ou menos quanto custa na internet e atualizo o valor para cima”, explica.

Depois, Luiza soma tudo e acrescenta o preço das passagens aéreas e do transporte entre cidades. Neste último caso, quem quiser economizar precisa comprar com alguma antecedência pela internet, segundo ela. "Eles costumam abrir a venda cerca de três meses antes, que é quando as passagens de trem, por exemplo, têm mais descontos", revela.

Já no caso dos hotéis, ela recomenda reservar com uma antecedência maior, e de preferência com a modalidade de cancelamento gratuito. “Se a data da viagem estiver se aproximando e você perceber que os preços diminuíram  é só cancelar a reserva anterior e fazer uma nova”, diz.

Na ponta do lápis

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Confira algumas dicas para calcular os gastos certinho e não precisar "vender um rim" para saldar as dívidas da viagem na volta:

• Hospedagem: Neste item, vale se questionar: quero ficar na parte central da cidade? Que tipo de hotel prefiro? Cinco, quatro, três estrelas? Hostel? Vai ter café da manhã incluso? Tais perguntas vão responder o quanto a pessoa terá que separar para este tipo de gasto. Achou o lugar ideal? Michael Barkoczy, da Flytour Viagens, recomenda reservar logo: “existe o risco de não existir mais essa vaga ou até que o preço tenha aumentado”.

• Alimentação: Aqui, a dica é pesquisar a média de custo de alimentação do destino via internet ou com o próprio agente de viagem. Mesmo se a sua ideia for fazer economia saboreando muitos cachorros quentes no destino, não se esqueça de separar um pouco mais de dinheiro para aquele jantar em um restaurante especial. Por fim, basta multiplicar o valor da previsão pelo número de dias do seu roteiro.

• Transporte: Saber a média de gastos com ônibus, metrô e até balsa em cada destino também é fundamental. Não adianta programar um monte de coisas se não der para ir a pé ou, na hora, perceber que não tem dinheiro para chegar ao ponto turístico programado. O mesmo para quem imagina alugar um carro: não esqueça os custos como seguro, gasolina, estacionamento etc.

• Atrações: Liste todos os locais que gostaria de conhecer no destino, seja no Brasil ou no exterior. Nessa hora, tem que calcular tudo mesmo, desde parque, um show ou até voar de balão na Capadócia, e botar no papel. “Também é importante lembrar que alguns desses itens precisam de certa antecedência na compra e não adianta deixar para comprar no destino, porque já podem estar esgotados. São exemplos os espetáculos na Broadway ou do Circo de Soleil”, diz Barkoczy.

Andrea Dallevo/UOL
Prepare-se pra sensação do "minha tia iria AMAR esse ímã" e separe uma grana Imagem: Andrea Dallevo/UOL

• Lembrancinhas: Ímã para a tia, brinquedinho para o sobrinho, renda para a mãe. Prefira comprar esse tipo de presente em locais menos turísticos. Muitas vezes, o mesmo objeto custa metade do valor cobrado . É bom calcular quanto vai gastar nisso.

• Seguro saúde: Nunca saia para viajar sem uma assistência de viagem internacional, que cobre gastos médicos, odontológicos, além de extravio de bagagem, entre outras questões. É um dos principais itens a se coloocar no orçamento. “Também separe um dinheiro a mais, mas não é para gastar. É só em caso de algo sair do planejado, sendo emergencial. Nunca se sabe o que pode acontecer”, destaca Barkoczy.

Viaje leve: Apesar de em muitos vôos internacionais que partem do Brasil ser permitido levar malas de até 32kg, Luiza sugere que você não faça isso. Afinal, as companhias aéreas low cost no exterior têm limites de bagagem muito restritos e donos de malas grandes e pesadas precisam pagar caro para despachá-las, ao emendar sua jornada para outros destinos. “Além disso, quanto maior e mais pesada sua mala, mais difícil será carregar ela em situações como trens entre cidades ou estações de metrô. Economize no tamanho da mala, na quantidade de coisas que for levar e também nas compras durante a viagem. Seu bolso e sua coluna vão agradecer”, garante a jornalista.

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