Viagem

Aplicativos facilitam aventuras sexuais para quem viaja sozinho

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A tecnologia globalizou a paquera - e ajuda quem quer um "crush" na viagem Imagem: Getty Images

Yannik D'Elboux

Colaboração para o UOL, no Rio de Janeiro

24/05/2016 17h27

Sair da rotina, viajar e conhecer novos lugares ajuda a relaxar. E, com menos estresse, a libido tende a aumentar. Antes da tecnologia, unir o prazer de viajar ao de transar não era muito simples. Da paquera até os lençóis, em uma cidade estranha, havia um caminho nem sempre óbvio a percorrer. Com a popularidade dos aplicativos de paquera em todo o mundo ficou bem mais fácil encontrar pessoas e se aventurar.

Longe de casa, a sensação de liberdade e o anonimato também contribuem para a vontade de viver novas experiências. Assim que chega ao aeroporto de seu destino, o médico curitibano Roberto*, 26, conecta-se a três aplicativos, Grindr, Hornet e Tinder, em busca de homens para se divertir sem ter de pensar no dia seguinte. Em Paris, no ano passado, ele fez ménage (sexo a três) pela primeira vez e classifica o momento como um dos mais excitantes de sua vida.

“Quando viajo sinto muito mais tesão, por não conhecer as pessoas daquele lugar e poder curtir sem me preocupar com o trabalho. Fico muito mais disposto para transar. Já cheguei a sair com dois caras na mesma noite”, conta. Sem o auxílio dos aplicativos, Roberto acredita que dificilmente teria tantas “experiências incríveis” para contar.

“Nas minhas viagens, prefiro aproveitar a vida diurna, ir a museus, igrejas, praças, não gosto de sair à noite. Ficaria difícil conhecer alguém no museu, provavelmente nem transaria nessas cidades se não fosse pelos apps”, explica Roberto. 

Arquivo pessoal
Calcinha que virou lembrança de uma aventura de Flávio em Curitiba Imagem: Arquivo pessoal

Para quem pretende aumentar suas chances de “match” (combinação) mundo afora, é útil saber que as cidades com maior número de usuários no Tinder e Happn (dois dos aplicativos mais utilizados internacionalmente) são Londres, Paris, Nova York, Los Angeles, Toronto, Buenos Aires e São Paulo. Segundo o diretor de Marketing e Comunicação do Tinder para a América Latina, Andrea Iorio, ocorrem cerca de 26 milhões de “matches” por dia em todo o mundo e o uso da ferramenta aumenta na primavera e no verão. 

O Happn apresenta para o usuário pessoas conforme um perfil delimitado em um perímetro de 250 metros de distância. A ideia é facilitar a aproximação com quem cruza o seu caminho. No Tinder, é possível determinar um raio de até 160km de distância na versão gratuita e estabelecer qualquer localização no globo para os assinantes do pacote pago.

No seu hotel ou no meu?
A tecnologia também é boa aliada para quem viaja pelo Brasil e não quer perder a oportunidade de um encontro memorável. O País está no topo do ranking de todos os aplicativos de paquera, tendo São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília como as cidades com maior número de usuários. As três praias mais visitadas por solteiros no último verão, segundo levantamento do Happn, foram Pajuçara (AL), Balneário Camboriú (SC) e Itapuã (BA).

Para o radialista Flávio*, 35, de São Paulo, que sempre se conecta em suas viagens nacionais a turismo, a principal motivação consiste em conhecer as diferenças entre as mulheres. “Minha primeira curiosidade é saber como a mulher de cada lugar se comporta, se veste. Em alguns locais elas são mais ousadas, relaxadas, em outros, mais sóbrias”, diz. Como não gosta de abordar ninguém em bares e baladas, o radialista acredita que os aplicativos facilitam a interação e permitem identificar melhor se existem afinidades. 

Arquivo pessoal
Renata costuma usar apps de paquera quando vai viajar Imagem: Arquivo pessoal

A efemeridade do momento, na opinião de Flávio, faz com que as aventuras sexuais fiquem mais intensas e inesquecíveis. “Há pouco tempo para se descobrir muita coisa, então a gente transa como se fosse o último sexo do mundo, até porque a chance de ser único é muito grande”, justifica. Em uma dessas experiências, durante uma viagem a Curitiba (PR), o sexo foi tão bom que ele não resistiu em pegar um suvenir. “Tenho até hoje guardada a calcinha dessa curitibana, não tive como deixá-la ir sem que ficasse algum tipo de lembrança porque foi muito intenso”, relembra, com saudades. 

O problema para quem está em trânsito muitas vezes é: onde transar? Nos apps voltados para os gays, como Grindr e Hornet, geralmente já existe informação se a pessoa tem ou não lugar para curtir um momento mais íntimo. Para quem decide levar a visita ao hotel, é importante estar ciente de que os estabelecimentos costumam cobrar taxas extras e nem sempre são sutis na hora de fornecer essa informação. “Me ligaram da recepção para avisar que ela estava subindo e na frente dela disseram que teria uma taxa extra de 50 reais pela companhia. Não foram nada discretos”, lembra Flávio, sobre um episódio com uma convidada. 

No caso de quem aluga quartos ou apartamentos, em sites como Airbnb, a orientação é conversar previamente com o anfitrião, até antes da viagem, para deixar clara a intenção de receber visitas. As condições dependem de cada anfitrião e vale a pena ser transparente para evitar problemas futuros.

Amores de viagem
Antes mesmo de chegar ao seu destino, a publicitária Renata Arcoverde, 29, de São Paulo (SP), já tem “matches” no Tinder com nativos do lugar. Ela costuma se conectar à cidade semanas antes da viagem para ir conhecendo pessoas e pegar dicas para o seu roteiro turístico. Renata já usou o aplicativo antes de visitar a Inglaterra, Dinamarca, Suécia e Portugal. Como costuma viajar sozinha, a ferramenta ajuda a proporcionar vários encontros, que narra em seu blog e em vídeos no Snapchat. Alguns não passam de um bom bate-papo, porém outros se transformam em memórias eternas.

“Como você sabe que não vai ver a pessoa de novo, aproveita como se fosse o último dia e acaba vivendo mini-histórias de amor. São momentos que ficam para a vida”, relata. Contudo, nem sempre o último dia é mesmo o fim. Com um dos seus “matches”, um inglês que mora em Londres, Renata viveu um namoro de seis meses à distância. 

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Imagem: Getty Images

A tecnologia globalizou a paquera. Segundo a diretora de Tendências do Happn, Marie Cosnard, mais de 9% dos “crushes” mensais acontecem entre pessoas de diferentes origens. Apesar disso, algumas diferenças culturais permanecem na maneira de se relacionar. “Percebo que os latinos gostam mais de ir direto ao ponto, já os europeus têm menos pressa, respeitam mais, não julgam e o papo se estende para outros assuntos”, observa Renata Arcoverde.

Mais liberdade, menos expectativas
Com menos expectativas, cobranças e o estímulo de um ambiente novo, é natural que o corpo fique mais predisposto ao prazer em viagens. “Quando se liberta da rotina, do estresse e alcança um estado maior de relaxamento, a pessoa se entrega mais aos prazeres e se permite fazer coisas que normalmente não faria”, explica a psicóloga e sexóloga Carla Cecarello, autora do livro “Sexualmente - Nós Queremos Discutir a Relação” (Biblioteca 24 Horas).

Além disso, estar fora de casa, longe dos olhares conhecidos, promove uma sensação de libertação. “Não existe aquele olhar recriminatório, principalmente para as mulheres, e as pessoas ficam mais tranquilas para rir, beijar e fazer o que tiverem vontade, em horários diferentes da vida que levam, sem compromisso”, diz Carla.

Para quem pretende se aventurar com os aplicativos na próxima viagem, a primeira dica é elaborar um bom perfil, especificando a condição de turista e o período da estada. Os cuidados com a segurança devem ser os mesmos para qualquer encontro com um desconhecido: sempre marcar primeiro em um local público, avisar alguém sobre o seu destino e não depender do transporte do outro, ou seja, saber como chegar e sair do lugar.

*Os nomes foram trocados a pedido dos entrevistados. 

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