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Viajar pra casar? Saiba quanto custa e como funciona um destination wedding

Vivian Ortiz

Do UOL, em São Paulo

13/05/2016 19h46

Já imaginou celebrar o seu casamento em Paris e, ainda por cima, com direito a um bolo feito pela mesma designer do oferecido no casamento de Kate Middleton com o príncipe William? Déborah Franciscato Yuhara, moradora de Bauru (SP), teve essa experiência.  

“Eu e meu noivo, o Jonas, decidimos que queríamos algo diferente, que marcasse a nossa vida e a dos convidados. E claro que o local escolhido não poderia ser outro”, conta a noiva, que estudou gastronomia na famosa escola Le Cordon Bleu e, por isso, passou uma temporada morando na capital francesa.

Os preparativos começaram um ano antes da cerimônia, realizada em 27 de dezembro de 2015. Amigos e familiares foram avisados sobre o evento com bastante antecedência. Afinal, a intenção era que todos conseguissem organizar a agenda, além da vida financeira, para topar a empreitada.

A presença de 50 convidados, dos 70 chamados, superou as expectativas de Déborah e do noivo. "Sabíamos que corríamos um grande risco de muitas pessoas queridas não conseguirem ir, mas, como fizemos toda uma programação certinha, a maioria compareceu! Claro que, mesmo assim, não deu para todos irem, mas faz parte", conta.

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Apaixonada por bolos de casamento, ela trabalha como cake designer, Déborah contatou alguns deles e acabou fechando com Fiona Cairns, a mesma fornecedora do casamento real, cuja equipe entregou o item diretamente no hotel. "Desci um tempinho antes da cerimônia para montar. Valeu muito a pena”, diz.

Experiência única
De acordo com Fernanda Silva, proprietária da Wedding Luxe - agência que organizou todo o casamento de Déborah, o que define um "destination wedding", como esse tipo de evento é chamado, é fato de que tanto os noivos quanto os convidados precisam viajar para o destino da festa.

“Eles não querem apenas casar, mas proporcionar uma experiência inesquecível tanto para o casal quanto para familiares e amigos, visto que muitos dos convidados não conhecem a cidade de destino do casamento”, destaca Fernanda. Outra vantagem, segundo ela, é que a celebração acaba sendo durante todos os dias da viagem, e não apenas naquelas poucas horas de festa.

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Praias do Caribe, além de castelos na França, vilas na Itália e pequenas cidades medievais de Portugal, estão entre opções de locais bastante procuradas no segmento. Mas se engana quem pensa que, para fazer um evento assim, é necessário levar a turma toda ao exterior. Também dá para fazer este tipo de celebração dentro do país. "Esta modalidade, inclusive, está crescendo muito no Brasil”, diz Fernanda.

Organização é a alma do negócio

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Planejar um casamento na própria cidade já é trabalhoso. Lidar, então, com fornecedores em outro Estado ou país pode ser algo bem complicado. Por isso, algumas noivas preferem contratar o serviço de agências especializadas.

Simone Tostes, CEO da Aonde Casar, avalia que é necessário ter conhecimento não apenas da parte de viagem, mas de todo o cerimonial, algo que muda em cada destino. "Sem isso, a chance de encontrar surpresas desagradáveis é muito grande”, ressalta.

De forma geral, as empresas especializadas em "destination wedding" contam com profissionais que ficam responsáveis por todo o planejamento, organização e realização da cerimônia de casamento, além da viagem dos noivos e convidados. 

“Criar a agenda da viagem também é imprescindível. Todos recebem o roteiro com horários das festas e passeios agendados, além de separarmos ao menos algumas manhãs ou tardes livres para que todos possam aproveitar o seu tempo da maneira que acharem melhor”, diz Simone.

Respaldo jurídico

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Já advogada Deborah Berté, conta que já morava com o namorado em Curitiba (PR) quando ambos decidiram se casar. "Só não queria aquela coisa tradicional, pensava em algo diferente, para as pessoas recordarem com carinho", explica. Eles optaram, então, por uma celebração no exterior.

A agência Welcome Trips, então, sugeriu um hotel em Punta Cana, na República Dominicana, país que não exige visto de entrada. "Fizemos três dias de evento: começou com uma festa na piscina no primeiro dia, coquetel no segundo e o casamento em si no terceiro", conta a noiva. 

A advogada confessa que a questão dos fornecedores serem estrangeiros a deixou um tanto apreensiva na hora de fechar o pacote, pelo medo de algo não fosse entregue. Para evitar problemas, um contrato foi feito com a agência de viagens do Brasil, que intermediou e se responsabilizou por todo o serviço. “Isso dá uma segurança a mais para as noivas que querem contratar esse tipo de serviço fora do país”, diz.

Vantagens e bônus

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O pacote de recepção de seu casamento incluiu local para a cerimônia, flores e móveis, além de buquê, bolo, doces, juiz de paz, violinista, cerimonial, organização do evento e garrafas de champanhe para todos. Essa parte custou US$ 4.500 para 30 pessoas (R$ 15.856,20, em valores convertidos em 13/05/2016).

"Como tínhamos pouco mais de 50 convidados, pagamos por mesas extras, mas não me recordo o valor exato. Também investimos no DJ, sistema de som e iluminação, fora a fotografia. Acredito que, com mais essas despesas, custou cerca de US$ 10 mil (R$ 35.236, em valores convertidos em 13/05/2016) por tudo", conta. 

Em contrapartida, o casal ganhou créditos para utilizar no hotel, que foram usados para pagar a hospedagem deles. A cerimônia aconteceu em maio de 2014 e, mesmo sendo fora do Brasil, 53 convidados foram celebrar com os noivos. Todos, quando fecharam os pacotes, também ganharam créditos e gastaram como bem entenderam: em passeios ou no spa do resort.

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De acordo com Diana Parigot de Souza, da Welcome Trips, algumas redes de hotéis, como a Hard Rock Resorts, oferecem inúmeros benefícios aos noivos, dentre os quais o pacote gratuito. “Ele é dado quando existe uma reserva de três noites em qualquer hotel da rede. Nesta situação, o casal realmente só paga os custos da viagem. Além disto, quanto mais convidados, mais benefícios os estabelecimentos dão”, destaca.

Normalmente, segundo ela, os casais buscam datas próximas a feriados ou férias para facilitar a disponibilidade de seus convidados. “Eles têm a liberdade de escolha de como será o casamento, fazendo os custos variarem expressivamente. Uma boa festa sai em média R$ 20 mil, mas não existe limite no que é possível agregar ao evento, visto que esses destinos estão preparados para atender a qualquer exigência”, diz Diana.

Festa mais econômica

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Moradora de Curitiba (PR), a designer de móveis Manoella Alves Marchesini se casou com o contador Thiago em uma cerimônia na Praia do Forte (BA). Como o noivo também é músico e conhece muitas pessoas, isso aumentaria consideravelmente o número de convidados, sendo um grande empecilho na hora de fazer um evento que fosse mais econômico.

"Foi aí que decidimos que a saída era fazer o casamento fora de Curitiba. Procuramos a agência e, desde o começo, eles nos orientaram com várias opções de destinos conforme a nossa expectativa e orçamento", explica. Por fim, eles se casaram no mesmo hotel em que ficaram noivos, localizado na Praia do Forte.

Como nem todos os parentes puderam ir, o casal ainda fez um jantar para a família, com direito a cerimônia, na cidade em que moram. "Na viagem do casamento foram 128 pessoas. Com certeza saiu muito mais em conta, pois casando em Curitiba teríamos que convidar umas 500 pessoas, fora que qualquer aluguel de salão, decoração, docinhos, entre outros, já nos custaria muito", diz.

Por conta

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Reunir os parentes para uma grande celebração de seu casamento era a ideia da fisioterapeuta Ludimilla Martins Figueiredo, de 32 anos. O problema é que ela e o noivo, Henrique, moram em Aracaju (SE) e a família de ambos tem como base Feira de Santana e Salvador, na Bahia. A solução? Realizar a celebração em Morro de São Paulo, no norte do Estado.

Uma questão que preocupou a noiva foi a organização da festa. Como não contou com uma assessoria especializada, ela diz que precisou confiar muito na pessoa que contratou para arrumar tudo. Oito meses antes do casamento, que foi em outubro de 2015, o casal viajou para o local escolhido atrás de hotéis que produziam casamentos.

“A funcionária de um deles me indicou uma assessora, que ficou responsável por tudo relacionado ao evento”, explica Ludimilla. “Ela confeccionou um contrato especificando o que teria na festa e sempre me mandava questionamentos, como detalhes do bolo, do buquê, cardápio, etc, e fomos afinando tudo ao longo dos meses via Whatsapp. Foi tudo um golpe de muita sorte e bom gosto”, diz.

Rapidinhas sobre "destination wedding":

• Convidados: Por mais que algumas pessoas se esforcem para ir, elas podem ter contratempos e acabar faltando. Além disso, os idosos também têm mais dificuldades para viajar. Por isso, os noivos devem estar cientes de que nem todos os convidados comparecerão ao seu evento.

• "Não entendi": Quem escolhe fazer um evento no exterior e não fala outro idioma ou não tem uma agência ou cerimonial brasileiro cuidando da intermediação pode ter dificuldades na organização. Fique atento!

• Vestido de noiva, trajes e afins: A Deborah, que casou em Punta Cana, recomenda levar na bagagem de mão. "Meu vestido era grande, mas mesmo assim eu levei junto comigo. Pedia aos comissários para terem muito carinho e atenção com ele, pois era muito especial. No meu caso, a companhia aérea foi muito compreensiva e 'trataram o vestido' muito bem", conta.

• Dia da Noiva: Se, no Brasil, temos o costume de todo um ritual de beleza antes do casamento, no exterior a coisa não funciona do mesmo jeito. "Tive muita sorte em ter dois amigos maquiadores e cabeleireiros, que cuidaram de mim, das mães e das madrinhas. Já uma das minhas amigas teve a infelicidade de ter o cabelo queimado pelo babyliss no salão do hotel", conta Deborah.

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