Viagem

Trinta anos após desastre nuclear, Tchernóbil atrai turistas na Ucrânia

Do UOL, em São Paulo

26/04/2016 06h00

Ocorrido há exatos 30 anos, em 26 de abril de 1986, o acidente nuclear na usina de Tchernóbil* (também conhecida como Chernobyl, na versão traduzida para o inglês) causou milhares de mortes e danos ambientais incalculáveis. E, a reboque de tudo isso, criou um destino turístico.

Três décadas depois da tragédia, milhares de viajantes estão visitando anualmente Pripyat, a cidade fantasma onde viviam, junto com suas famílias, cientistas e operários que trabalhavam em Tchernóbil.

Após a explosão de um dos reatores da usina, que deu início a uma disseminação de material radioativo por toda a região, os quase 50 mil habitantes de Pripyat, que fica a três quilômetros do local do acidente, foram evacuados. 

Deixaram para trás prédios residenciais, um hotel, escolas, restaurantes, um hospital e centros esportivos que hoje, com seu aspecto fantasmagórico, atraem curiosos do mundo inteiro. No centro de tudo isso, um triste parque de diversões ainda exibe uma roda-gigante projetada para fazer a alegria das crianças locais. 

Jason Minshull/Creative Commons
Do alto dos prédios de Pripyat, é possível ver a central nuclear de Tchernóbil Imagem: Jason Minshull/Creative Commons

Atualmente, os forasteiros chegam a bordo de tours guiados vindos principalmente da cidade ucraniana de Kiev, a 150 quilômetros de distância.

Os passeios exploram as entranhas de Pripyat, ingressando nas antigas salas de aula, ginásios esportivos e apartamentos da cidade. Em muitos dos lugares, ainda é possível ver sinais de um local que foi abandonado às pressas, com objetos pessoais jogados pelo chão e até máscaras respiratórias espalhadas no interior de um dos prédios da área.

Os ambientes estão completamente deteriorados: em um antigo ginásio esportivo, uma tabela de basquete aparece sobre uma parede cinza e descascada. Ali perto, uma piscina vazia é iluminada através de janelas enferrujadas e quebradas.

Em algumas casas, é possível ver objetos pessoais de seus antigos moradores, como quadros e bonecas. E, em uma antiga maternidade, surgem camas enferrujadas em uma visão que inspira tristeza.  

Pavel Szubert/Creative Commons
A roda-gigante "fantasma" é uma das visões mais conhecidas de Pripyat Imagem: Pavel Szubert/Creative Commons

Um dos locais mais fotografados, porém, é o parque de diversões. Além de sua roda-gigante, o lugar exibe um pista com carrinhos de bate-bate caindo aos pedaços, em uma imobilidade melancólica. E alguns dos passeios chegam bem perto do reator 4 (aquele que explodiu), cuja área destruída se encontra hoje envolta por uma estrutura de concreto conhecida como "sarcófago".  

"Visitar este lugar desperta diversos tipos de emoções", escreve, em uma área de discussões do site TripAdvisor, o viajante britânico Ed L. "Estar em Tchernóbil e Pripyat é tão educativo como visitar [o campo de concentração nazista] Auschwitz", completa. 

Zona de exclusão

A incursão a Pripyat deve ser feita com agências turísticas autorizadas a conduzir o passeio. O tour, porém, não pode definido como livre de riscos. 

Estudos realizados na época da tragédia avaliaram que Tchernóbil e arredores estarão contaminados por níveis de radiação perigosos para seres humanos pelos próximos 24 mil anos - e, não à toa, a usina e a cidade de Pripyat estão dentro de uma zona de exclusão cujas entradas são controladas por forças de segurança ucranianas.

Tim Suess/Creative Commons
As ruínas de uma piscina em um dos edifícios perto da usina de Tchernóbil Imagem: Tim Suess/Creative Commons

Os próprios guias carregam, durante os tours, contadores Geiger, instrumentos que medem níveis de radiação e mostram se os locais visitados em Pripyat estão seguros para serem explorados.

Mas todo este cenário parece não amedrontar legiões de turistas. Uma das agências mais conhecidas que fazem o passeio, a Solo East Travel, afirma haver levado quase 2.000 pessoas até a área de Pripyat em 2015. E a organização governamental que controla a zona de exclusão calcula que mais de 16 mil viajantes de 84 países estiveram em Tchernóbil e arredores no ano passado. 

Mais informações: www.tourkiev.com

* O Manual de Redação da Folha adota a grafia Tchernóbil pois é a que mais se aproxima da versão original em ucraniano "Чорнобиль", que usa o alfabeto cirílico.

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