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Brasil também tem castelos; construções vão do Sul ao Nordeste

Felipe Floresti

Do UOL, em São Paulo

19/10/2014 09h00

Não é raro em uma visita à Europa reservar um dia para conhecer algum antigo castelo. O que nem todos sabem, porém, é que o Brasil também tem os seus. De norte a sul do país grandes edificações com estilo medieval alimentam a imaginação de quem sonha viver em um conto de fadas.

Veja, abaixo, algumas dessas construções presentes em território nacional:

Castelo Di Bivar – Carnaúba dos Dantas (RN)
Depois de assistir a um filme que conta a história de Rodrigo Diaz Bivar, herói espanhol do século 11 conhecido como "El Cid", o empresário potiguar José Ronilson Dantas ficou encantado com aquele mundo medieval e decidiu recriar uma parte dele ali em sua terra natal, Carnaúba dos Dantas, município localizado a 219 km de Natal. Construído no alto de uma colina, tem arquitetura copiada de um castelo renascentista francês. A obra começou em 1984, mas nunca foi totalmente concluída. Mesmo assim o castelo se tornou uma atração turística da região do Seridó, servindo como cenário do filme “O Homem Que Desafiou o Diabo”, de 2007.

Castelo de Engady – Caicó (RN)
Um local de recolhimento, estudos, meditação e oração no árido município de Caicó, no Rio Grande do Norte. Esse era o objetivo do monsenhor Antenor Salvino de Araújo ao idealizar a construção do castelo Engady. O nome é em referência à fonte em que, na bíblia, Davi encontrava sossego e proteção quando era perseguido pelo rei Saul. O resultado é um castelo de arquitetura próxima ao estilo mouro-medieval, com estrutura composta de pátios, terraços, peitoris, balcões, guaritas, torres, pontes, escadas, batentes, poços, tanques, fortificações, ameias, salas, dormitórios, capela, dependências de serviços domésticos, vigias, muralhas e portões. Construído entre os anos de 1973 e 74, hoje encontra-se abandonado e parcialmente destruído. Em 2006 foi vendido por R$ 225 mil ao governo do Estado, que nada fez para revitalizar o castelo.

Castelo Labirinto de Zé dos Montes – Sítio Novo (RN)
O mais curioso castelo brasileiro fica em Sítio Novo, interior do Rio Grande do Norte, a 114 km de Natal. Ao contrário das histórias de nobreza e inspiração europeia, o castelo de José Antônio Barreto começou com uma visão. Em 1940, Nossa Senhora teria feito uma aparição para o militar reformado pedindo que ele construísse 13 castelos. O Castelo Labirinto do Zé dos Montes é o único pronto. Construído com recursos da aposentadoria de Zé dos Montes (como é conhecido) desde 1984 (está em constante reforma), hoje apresenta cerca de 100 pequenas torres espalhadas pelo castelo, com paredes de terra e teto pintados com cal branco. A aparência lembra antigas construções mouras ou, guardadas as devidas proporções, as obras do arquiteto catalão Gaudí. Por dentro, uma série de labirintos e passagens estreitas levam às torres, proporcionando bela visual da Serra da Tapuia. Está aberto a visitação, com direito a guia e, esporadicamente, a presença do excêntrico Zé dos Montes.

Castelo de Pedras Altas – Pedras Altas (RS)
Foi para agradar a esposa que o fazendeiro, político e diplomata Assis Brasil mandou construir um castelo na zona rural da pequena Pedras Altas, Rio Grande do Sul, a apenas 20 km da fronteira com o Uruguai. Lydia Pereira nasceu na Alemanha, onde o pai era embaixador, acostumada com o requinte europeu do começo do século passado. Construído em granito rosa, pedra típica da região, conta com 44 cômodos e 12 lareiras, levando oito anos para ficar pronto, sendo inaugurado em 1913. O objetivo de Assis Brasil ao construir uma fortaleza de traços medievais em um local ermo do Rio Grande do Sul era mostrar que era possível desfrutar da natureza sem ficar embrutecido, dando um ar de nobreza ao campo. Ele acreditava que o campo e a literatura juntos eram o segredo do progresso, o que justifica a rica biblioteca que até hoje o castelo ostenta. Apesar de prédio e mobília serem tombados pelo estado e em processo de tombamento nacional, encontram-se praticamente abandonados, sendo habitado por somente uma pessoa, a neta de Assis Brasil, Lygia Costa Pereira de Assis Brasil, de 60 anos. Até pouco tempo atrás ela recebia curiosos que desejavam conhecer o castelo, mas desistiu quando foi posto à venda pelos herdeiros do castelo, com preço estimado em R$ 12 milhões.

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Château Lacave – Caxias do Sul (RS)
Um empresário uruguaio tinha o sonho de produzir vinhos finos no sul do Brasil e, como sede da fazenda, mandou construir um castelo medieval. A construção, que teve início em 1968, durou 10 anos e seguiu a planta original de um castelo espanhol do século 11. Hoje o castelo mantém firme a tradição idealizada pelo uruguaio. Aberto para visitação, é uma atração turística de Caxias do Sul. O passeio pelo castelo conta ainda com degustação dos vinhos e espumantes por lá produzidos.

Castelo do Batel – Curitiba (PR)
A partir do desejo do rico cafeicultor e cônsul Luís Guimarães foi erguido no centro de Curitiba uma réplica dos castelos do Vale do Loire, na França. A construção, iniciada em 1923, levou quatro anos para ser concluída devido à quantidade de detalhes do requintado castelo. Os jardins, com cerca de 3.000 m², merecem destaque, assim como as obras de arte espalhadas pelo interior do castelo, sendo parte realizada por artistas suíços e alemães, outra parte do tempo em que o segundo dono do castelo, Moysés Lupion, governador do Paraná, foi dono do castelo. Conhecido por ser mecenas de artistas paranaenses na década de 40 e 50, o ex-governador decorou as paredes do castelo com obras de alguns deles. Em 2003 passou por uma reforma que o transformou em um centro de eventos.

Castelo de Garcia D’Ávila – Mata de São João (BA)
No município de Mata de São João, na Bahia, fica a sede do que um dia foi o maior latifúndio do mundo. Filho de Tomé de Sousa, primeiro governador geral do Brasil, Garcia D’Ávila mandou construir em 1550 o único exemplo original de castelo medieval da América. As propriedades dos Ávilas iam da Bahia ao Maranhão, dentro de uma área de cerca de 800 mil quilômetros quadrados, equivalente a 1/10 do território brasileiro de hoje, o que equivale às áreas, somadas, de Portugal, Espanha, Holanda, Itália e Suíça. O latifúndio ganhou o nome de Casa da Torre, cuja principal sede compreende o próprio castelo com sua torre e anexos, o Forte Garcia D'Ávila, o Porto do Açú da Torre, e sua ambiência, formada pelas áreas adjacentes. O castelo foi construído em pedra em torno de um pátio em estilo renascentista e conta com uma capela em estilo medieval canônico, e salas contíguas recobertas por cúpula e abóbada de aresta com arcos diagonais, iguais às do Paço de Sintra, em Portugal. Hoje funciona como parque histórico e cultural, com sítio arqueogeológico e centro de visitação.

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Castelo da Ilha Fiscal – Rio de Janeiro (RJ)
O império brasileiro precisava de um posto alfandegário perto do porto de sua capital, o Rio de Janeiro. A antiga Ilha dos Ratos, na Baía de Guanabara, foi o local escolhido, mas o novo prédio não podia desfigurar a bela paisagem da Serra do Mar. “A ilha é um delicado estojo, digno de uma brilhante joia”, afirmou o imperador D. Pedro 2º. Assim nasceu a Ilha Fiscal, conhecida como "Castelinho" pelos cariocas. A construção imita a arquitetura medieval da região de Provença, na França. A Ilha ficou marcada na história por ter sediado o último baile do império, dias antes da Proclamação da República. Atualmente está aberto para visitação, com exposições permanentes que contam a história da Ilha Fiscal e da Marinha brasileira.

Castelo do Barão de Itaipava – Petrópolis (RJ)
Quem sonha em conhecer um castelo europeu, mas não pode ir até o velho continente, encontra um em Petrópolis, no Rio de Janeiro. Construído em 1920 a mando do Barão J. Smith de Vasconcellos, tem arquitetura e matéria-prima europeia. É réplica de um castelo renascentista com estio medieval e foi construído com pedras vindas de Portugal. E tem mais. O telhado é de ardósia francesa, o mármore é italiano, as ferragens de portas e janelas são inglesas e os vitrais são austríacos. A construção durou cinco anos, resultando em um portentoso castelo com 42 cômodos, sendo 19 quartos, diversos salões, bibliotecas, sala de música, halls, duas torres e diversos terraços. Atualmente o castelo é sede de eventos de gala, como casamentos, formaturas, exposições e vernissages.

Castelo São João – Recife (PE)
De um canivete presenteado pelo tio aos doze anos de idade nasceu o fascínio do empresário Ricardo Brennand pelas armas. Desde então começou uma coleção de armas, que inclui adagas, espadas, armaduras, balestras e outros tipos de armas vindos de vários países do mundo, como Inglaterra, França, Itália, Egito, China e Índia. Em 1996 Brennand decidiu construir um prédio para abrigar a coleção. Nasceu aí o castelo São João, uma réplica de um castelo francês de estilo gótico. Somente em 2002 o local foi convertido em museu, além de pinacoteca e biblioteca, que compõem o instituto que leva o nome do empresário. É considerado um dos melhores museus da América do Sul. 

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