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Viagem de moto é para quem não tem pressa de explorar o desconhecido

Arquivo pessoal
Na Argentina, Rômulo Provetti fez sua estreia internacional sobre duas rodas Imagem: Arquivo pessoal

Marina Oliveira e Maísa Correia

Do UOL, em São Paulo

07/10/2014 08h00

Nos últimos cinco anos, o administrador de empresas Rômulo Provetti, 47, de Belo Horizonte, percorreu mais de 120 mil quilômetros de estradas no Brasil e no exterior sobre duas rodas. A primeira viagem internacional foi em janeiro de 2009, quando visitou a Cordilheira dos Andes e o Deserto do Atacama, no Chile. Depois disso ele já cruzou a Europa, viajou pelos Estados Unidos, explorou mais países sul-americanos e atravessou diversas estradas que ligam os estados brasileiros. 

“Viajar de moto é extremamente recompensador. Não só pelo sentimento de conquista e realização, mas pela possibilidade de chegar a lugares incríveis, conhecer paisagens e culturas diferentes”, diz Rômulo, que também é autor do livro “A caminho do céu, uma viagem de moto pelo Altiplano Andino” (Editora Nova Letra). A obra foi escrita após uma viagem de 27 dias por sete estados brasileiros e cinco países da América do Sul: Peru, Bolívia, Chile, Argentina e Paraguai. 

Ele garante que, para quem viaja sozinho, a aventura se transforma em uma oportunidade de autoconhecimento. Além disso, há a vantagem de poder cumprir o roteiro que quiser sem ter que considerar opiniões e vontades de outras pessoas.
 
Por outro lado, quando bem acompanhado, o motociclista foge da solidão da estrada e ainda tem alguém com que dividir as despesas do passeio. A companhia também pode oferecer apoio em caso de imprevisto. Pode ocorrer, por exemplo, de o turista chegar a um posto de combustível e não encontrar gasolina, de ser obrigado a encarar um trecho de estrada mal conservada ou, ainda, de ter que lidar com extremos climáticos, temperaturas muito baixas ou altas demais.
 
Getty Images
Imagem: Getty Images
Quem já experimentou garante que, quando bem planejada, a experiência – incluindo até os percalços - vale a pena. “Assim que eu termino uma viagem, já começo a pensar na próxima. Cada uma é pensada durante 11 meses”, afirma o administrador de empresas.
 
O longo processo de planejamento tem razão de ser: pressa não combina com viagem de moto. Os roteiros devem ser bem estruturados para possibilitar que o turista conheça cada destino num ritmo calmo e prazeroso.
 
“Para não cansar muito, é legal fazer várias paradas. Uma a cada duas horas, no máximo”, diz o bancário Alex Santos, de 37 anos, de Santo André, que em setembro de 2012 percorreu um trecho da famosa Rota 66, da cidade de Williams a Oatman, nos Estados Unidos.
 
Mesmo com as paradas para abastecer, alongar as pernas, ir ao banheiro e fazer as refeições, o ideal é não passar mais do que nove horas por dia na estrada. “Para reduzir o desgaste de muitos dias viajando, sempre que possível eu incluo um dia de descanso a cada quatro ou cinco dias na estrada, o que é bom para conhecer com mais calma as atrações do local”, diz Rômulo. 
 
As condições das estradas também devem ser consideradas no planejamento. Assim, pode-se calcular a velocidade para percorrer determinado trecho. “Quando escolhi fazer uma parte da Rota 66 de moto, eu já sabia que o asfalto era muito bom e que seria possível rodar os quase mil quilômetros em três dias. Isso porque já tinha feito o mesmo trajeto de carro”, conta Alex. 
 
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Imagem: Getty Images
Mais espaço e conforto
É possível viajar utilizando qualquer tipo de moto, mas alguns modelos tornam o passeio mais confortável. É o caso das motos da categoria touring, que possuem mais espaço para bagagem, bancos confortáveis, boa ergonomia e apoio para lombar e pernas. “Também são boas as das categorias big trail e custom, porque são grandes e vão bem em asfalto e terra; naked, para viagens curtas em estradas pavimentadas; e esportivas, para andar mais rápido”, explica o instrutor de pilotagem Leandro Panades, proprietário da oficina Panades Racing Team. 
 
Além disso, é possível comprar peças e acessórios à parte, para a maioria dos modelos de motocicletas, para utilizar na viagem, como apoios para os pés e para as costas, bancos com gel ou espuma especial. “Esses equipamentos podem ser trocados no momento da revisão”, diz Leandro. 
 
E, se para viagens de carro e avião já não é recomendado exagerar na bagagem, em roteiros de moto essa é uma regra, ainda que existam equipamentos como alforjes e cases –compartimentos específicos que podem ser fixados na moto e que dão conta de acomodar os pertences.
 
Para evitar problemas, a orientação é montar a moto com tudo o que pretende levar alguns dias antes da partida e dar pelo menos uma voltinha no veículo. “É uma oportunidade para perceber como a moto se comportará e qual o peso que você estará se sujeitando a carregar e a descarregar, pelo tempo que durar o passeio”, diz Rômulo Provetti.
 
Documentos e segurança
Além de roupas e outros itens pessoais, é preciso espaço para carregar um kit básico de ferramentas e um kit para pneus. Equipamentos de segurança, como capacete, roupas especiais e luvas devem ser preferencialmente de cor clara, para serem vistos por outros motoristas à noite. 
 
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Imagem: Getty Images
Carteira de motorista e documento do veículo também são imprescindíveis, além de passaporte ou cédula de identidade, a depender do país, caso vá cruzar fronteiras. Em destinos internacionais, pode ser que seja exigida a Permissão Internacional para Dirigir. Se o documento do veículo estiver no nome de outra pessoa física ou jurídica, é necessário também levar uma autorização do proprietário, com firma reconhecida em cartório, validada nos consulados dos países que irá visitar. 
 
Mesmo com a revisão da motocicleta em dia, antes de cair na estrada é indicado passar por uma oficina mecânica. Lá, o profissional vai checar se todos os componentes do veículo estão em condições adequadas para funcionar durante a viagem inteira. “A revisão preventiva vai checar o desgaste do pneu, da pastilha e o óleo, principalmente”, diz Leandro Panades.
 
Viagens internacionais
Se a ideia é pilotar uma moto em outro país, há a opção de alugar o veículo, como fez Alex Santos. “Alugamos três motos da Harley Davidson: uma Heritage, outra Road King e uma Electra Glide Ultra. Todas de motor 96 polegadas cúbicas”, diz Santos.  
 
A aventura durou três dias e terminou com a uma visita à borda sul do Grand Canyon. “Reservamos um hotel em Williams, durante o período, só para deixar nossas malas e o carro que alugamos para esticar a viagem até Las Vegas. No percurso, levamos apenas uma mochila”, explica. 
 
Nos Estados Unidos, o aluguel de uma boa moto custa a partir de US$ 100 a diária, incluindo impostos e o seguro do veículo. Algumas locadoras até incluem jaqueta e capacete no preço.
 
Na Europa, a diária do veículo é de aproximadamente 100 euros. “Eu cheguei a comprar uma moto na França e viajei com ela por vários países da Europa. No final da viagem, vendi”, diz Rômulo Provetti.  No entanto, para esse tipo de transação valer a pena, a viagem precisa durar no mínimo 20 dias e o turista deve conhecer algum residente no país que possa facilitar a venda, além de orientar sobre todos os procedimentos do comércio local. 
 
Ao alugar uma moto, o cuidado deve ser o mesmo da locação de um carro, ou seja: escolher uma empresa confiável para fazer a negociação, pesquisar preços, checar a documentação exigida e a forma de pagamento. Algumas companhias, por exemplo, não aceitam cartão de crédito na retirada do veículo. 
 

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