Apoie economia e tradições locais: veja dicas para ser turista responsável

Rita Trevisan e Suzel Tunes

Do UOL, em São Paulo

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    Adquirir itens do artesanato local ajuda a estimular a economia.

    Adquirir itens do artesanato local ajuda a estimular a economia.

O setor de viagens não para de crescer no Brasil. Segundo o Ministério do Turismo, novos empreendimentos da rede hoteleira geraram mais de 31 mil empregos diretos e um movimento de R$ 11 bilhões na economia entre 2011 e 2013. Mas o desenvolvimento do segmento, que pode trazer benefícios, também causa impactos negativos ao meio ambiente e às comunidades que vivem ao redor dos pontos mais visitados.

Turismo sexual, especulação imobiliária e exploração de mão de obra infantil são apenas alguns exemplos de práticas predatórias que, agora, especialistas e organizações estão buscando substituir por uma nova conduta: a do turismo responsável.

"O turismo responsável utiliza práticas para garantir a sustentabilidade social, ambiental e cultural da localidade", explica a turismóloga Denise de Souza, mestranda da Universidade de Caxias do Sul e pesquisadora do tema.

Denise destaca que muito já se falou sobre os impactos do turismo do ponto de vista das empresas envolvidas (hotéis, transportes etc). Mas o turista, o principal envolvido nessa operação, ficava esquecido. O conceito de turismo responsável é, portanto, direcionado às pequenas atitudes de consciência social e ambiental que, somadas, podem fazer toda a diferença para minimizar os impactos negativos que o turismo em massa pode vir a trazer a uma localidade. 

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Usar transportes menos poluentes é uma boa alternativa a turistas responsáveis

Mariana Aldrigui Carvalho, professora do curso de Lazer e Turismo da USP, conta que o conceito de turismo responsável, muito forte em alguns países, começou a ganhar corpo no Brasil mais recentemente. Uma iniciativa nesse sentido é a implantação, ainda em curso, da regional brasileira da ICRT ("International Centre for Responsible Tourism", Centro Internacional para o Turismo Responsável, em tradução livre), ligado à USP.

Segundo Mariana, a adoção de práticas responsáveis é vantajosa para todos: "No turismo responsável, há retorno financeiro para quem investe, sem prejuízo para quem mora no local", afirma. Para o turista, a vantagem de adotar um comportamento mais consciente é a possibilidade de vivenciar uma experiência completa.

"A interação de forma responsável com outra cultura e outro ambiente é bem mais enriquecedora do que simplesmente passar, observar e partir. Sem contar que, agindo como turista responsável (não transportar drogas e armas, denunciar práticas de exploração sexual, respeitar o patrimônio artístico e contratar profissionais especializados do turismo, por exemplo),o viajante irá reduzir as chances de ter problemas em sua viagem e, consequentemente, se divertirá mais", afirma Denise.

Veja, a seguir, dez orientações dadas pelas especialistas e pela Organização Mundial de Turismo para quem quer ser um viajante responsável. 

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Lembre-se de preservar a natureza: nada de jogar lixo em qualquer canto

1 - Respeite as tradições e costumes locais. Antes da viagem, conheça um pouco da cultura do lugar para onde você pretende ir, para não cometer gafes. E tente deixar os preconceitos em casa. "O que é estranho para nossos hábitos pode ser normal em outras culturas. Já presenciei pessoas muito irritadas com o fato de que alguns locais consomem carne de cachorro. Mas há outros onde não se come carne bovina, que é habitualmente consumida aqui", diz Denise de Souza. "Não precisamos concordar com as diferenças culturais, somente respeitar", afirma.

2 – Conheça a legislação e as normas. Para não cometer nenhuma infração, fique por dentro das leis locais – incluindo as de trânsito, caso pretenda dirigir em outro país. "Quando estamos viajando de férias, a tendência é querer romper com as regras do cotidiano. Mas é preciso tomar cuidado com os excessos", diz a professora Mariana Aldrigui Carvalho.

3 - Apoie a economia. Contribua com o desenvolvimento econômico adquirindo produtos e itens de artesanato produzidos na região que está visitando. Só é preciso ter certeza de que não está levando para casa artigos falsificados ou proibidos pelas leis nacionais e internacionais. Por outro lado, evite dar esmolas. Os especialistas garantem que, melhor que isso, é contribuir com associações comunitárias ou organizações não governamentais que mantenham projetos de assistência e desenvolvimento no local.

4 - Respeite o meio ambiente. Reduza o impacto ambiental de sua viagem respeitando as riquezas naturais e históricas. Como recordação, leve apenas fotos dos locais. "Quem nunca pegou uma conchinha da praia, que atire a primeira pedra! Claro que não é necessário radicalismo, mas é preciso pensar no coletivo. Se cada turista recolher uma estrela-do-mar, ao longo dos anos isso representará um grande impacto", declara Denise. O descarte do lixo também deve ser cuidadoso. Ao viajar de carro, jamais jogue objetos pela janela, principalmente pontas de cigarro. E, ao fazer passeios na mata, leve um saquinho para carregar restos de alimentos até a lixeira mais próxima. 

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5 - Evite destinos muito procurados nos fins de semana e feriados prolongados. O turismo de massa é o que mais impacta o ambiente. Assim, sempre que possível, procure ampliar seu campo de visão: além dos pontos turísticos tradicionais, tente descobrir outras atrações visitadas pelos moradores locais. Nesses lugares, não tão óbvios, podem se esconder riquezas naturais e culturais ainda pouco exploradas pelo turismo comercial.

6 – Respeite os Direitos Humanos. Denuncie práticas de turismo sexual e exploração do trabalho. No Brasil, denuncie trabalho escravo pelo site do Ministério Público do Trabalho e casos de abuso e exploração sexual contra crianças e adolescentes pelo Disque 100.

7 – Procure viajar com segurança. Informe-se sobre as condições sanitárias do local para onde você vai e pesquise as medidas de prevenção necessárias (como vacinas, por exemplo) e os acessos aos serviços de saúde e emergência locais. Para fazer passeios, sobretudo os mais radicais, contrate guias de turismo especializados e utilize os devidos equipamentos de segurança.

8 – Prefira transportes menos poluentes. Sempre que possível, use o transporte público, ande a pé ou passeie de bicicleta. Assim, além de poluir menos, você tem a oportunidade de conhecer melhor os lugares. Para facilitar os deslocamentos, faça malas mais leves.

9 –Seja gentil com os moradores locais. Na euforia das férias, muita gente acaba excedendo os limites da boa educação. Evite abusar da bebida, da música alta e do barulho, especialmente em comunidades mais afastadas dos grandes centros urbanos. Procure interagir com a população local com respeito, paciência e simpatia. "Para tirar fotografias de pessoas, é de bom tom pedir permissão. Na maior parte das vezes, as pessoas ficam felizes por estarem mostrando seu trabalho ou sua comunidade", diz Denise.

10 – Não se deixe explorar. Resista a preços abusivos de produtos e serviços. "O lanche na praia está caro demais? Não há problema algum em fazer a comida em casa e levar para consumir na praia", orienta a professora Mariana. O erro do tão criticado "farofeiro" é, simplesmente, deixar lixo na praia. "Não se deixar explorar é, sem dúvida, uma prática que deve ser estimulada".

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