Trava conhecida como "defensor de joelho" é ameaça ao convívio nos aviões

Marcel Vincenti

Do UOL, em São Paulo

  • Divulgação/GadgetDuck.com

    O "defensor de joelho" impede que os assentos das aeronaves sejam reclinados

    O "defensor de joelho" impede que os assentos das aeronaves sejam reclinados

Nem marmanjos bêbados, nem crianças choronas. Hoje, a mais famosa ameaça à paz coletiva nos aviões é um dispositivo chamado "knee defender" (defensor de joelho), que está causando brigas e suscitando polêmicas nos Estados Unidos.

Composto por um par de travas capazes de impedir que os assentos das aeronaves sejam reclinados, o "knee defender" foi inventado pelo empresário Ira Goldman, um norte-americano com 1,90m de altura que estava cansado de passar aperto em suas jornadas aéreas. O instrumento, vendido na internet por US$ 21,95, tem sido usado por passageiros da classe econômica para travar o assento à sua frente, impedindo que o viajante sentado adiante incline seu encosto.

O dispositivo já causou problemas nos Estados Unidos: na semana passada, duas pessoas tiveram uma ríspida discussão em um voo da United Airlines entre Newark e Denver, quando uma delas usou o "defensor de joelho" para impedir que a outra reclinasse seu assento. A briga ficou tão feia que o piloto resolveu fazer um pouso de emergência na cidade de Chicago. Os dois viajantes foram expulsos da aeronave.

A confusão, noticiada por veículos de mídia do mundo inteiro, ajudou a popularizar o instrumento: nos últimos dias, a procura online pelo "defensor" aumentou 500 vezes, segundo afirmou Ira Goldman à CNN. 

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) ainda não tem nenhuma determinação que proíba o uso do dispositivo em voos dentro do Brasil. Porém, consultadas pelo UOL, as empresas TAM, Gol, American Airlines, Air France, KLM e Emirates disseram que não irão permitir a utilização do "knee defender" em suas jornadas aéreas. 

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  • http://viagem.uol.com.br/enquetes/2014/09/02/o-que-voce-acha-do-knee-defender.js

A TAM, por exemplo, informa que sua "tripulação e os pilotos têm a prerrogativa e a autoridade para efetuar o desembarque compulsório" de passageiros que causem problemas a bordo.

Apertado demais?

Junto com a discussão do "protetor de joelho" vem a pergunta: a classe econômica das empresas aéreas está apertada demais?

No Brasil, a Anac realizou uma inusitada pesquisa para saber qual o tamanho da parte superior das pernas dos viajantes nacionais. Após medir 5.300 pessoas entre 15 e 87 anos nos 20 principais aeroportos do país, a entidade chegou a um resultado: o comprimento entre o glúteo e o joelho dos passageiros brasileiros varia, em média, entre 55 cm e 65 cm.

A Anac utilizou esta medida para criar, em 2010, um sistema que classifica os aviões das companhias aéreas nacionais de acordo com o espaço entre seus assentos. 

Segundo a entidade, para ter nota A, a aeronave deve oferecer um espaço útil entre assentos maior que 73 cm.

Para ganhar nota B, o espaço entre os assentos deve ser menor ou igual a 73 cm e maior que 71 cm. A nota C, por sua vez, é dada para aviões com espaço útil entre assentos menor ou igual a 71 cm e maior que 69 cm. 

Já a nota D é atribuída a aviões com espaço útil entre assentos menor ou igual a 69 cm e maior que 67 cm. Aviões com espaço entre assentos menor ou igual a 67 cm ganham nota E, a menor de toda a classificação. 

A Anac também desenvolveu um selo que informa ao passageiro a classificação da aeronave com a qual será feito o seu voo. O artigo 3º da Resolução nº 135 da entidade, de 9 de março de 2010, determina que "o selo deverá vir impresso no bilhete de passagem, ou equivalente, das empresas participantes e poderão ser expostos pela empresa em suas instalações, escritórios, balcões de despacho, aeronaves e materiais de propaganda, sempre mantendo a devida correlação com o tipo de aeronave".

A Gol e a TAM, por exemplo, informam a classificação da aeronave um pouco antes de o passageiro fechar a compra da passagem pela internet. Para saber a nota do avião, clique nos links que aparecem ao lado do número do voo. Este tipo de informação também pode ser pesquisado com os profissionais de vendas das companhias, incluindo a Azul e as internacionais -- que, se não têm a classificação da Anac para divulgar, podem informar a distância entre os assentos em seus aviões. 

Veja como a Anac classifica os aviões das companhias brasileiras
  • Divulgação
    Avianca
    A empresa detém uma frota de 36 aeronaves. Todas elas se enquadram na faixa A da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) Foto: Divulgação
  • Divulgação
    Azul/Trip
    A organização tem uma frota com 125 aviões. Desse total, 23 aeronaves têm nota A, 88 aeronaves têm nota B e 14 têm classificação C. Foto: Divulgação
  • Leonardo Wen/Folhapress
    Gol
    A empresa administra uma frota com 139 aviões. Desse total, 80 aeronaves têm nota A; 36 aeronaves têm nota B; 13 aeronaves têm nota C; quatro aviões têm nota D e seis aeronaves têm nota E. Foto: Leonardo Wen/Folhapress
  • Edson Silva/Folhapress
    Passaredo
    Frota da companhia soma seis aeronaves. Todas têm a classicação A da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Foto: Edson Silva/Folhapress
  • Reinaldo Canato/UOL
    TAM
    A empresa administra uma frota com 161 aviões. Desse total, 31 aeronaves têm nota A; 16 aeronaves têm nota B e 114 aeronaves têm nota C. Foto: Reinaldo Canato/UOL
Fonte: Anac

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