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Turismo com mergulho é boa opção até para quem não sabe nadar

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Debaixo da água há um universo totalmente novo a explorar Imagem: Getty Images

Marina Oliveira e Suzel Tunes

Do UOL, em São Paulo

28/08/2014 06h30

Mergulhar é uma experiência única. Afinal, debaixo da água, há um universo totalmente novo a explorar, com formas, cores e texturas surpreendentes. É uma oportunidade de conhecer ao vivo o paraíso marinho, constantemente apresentado em filmes e fotografias.

Como benefício adicional, a prática é acessível e está longe de ser exclusiva para exímios nadadores. “O mergulho pode ser um excelente incentivo para buscar um aprimoramento nas técnicas de natação ou mesmo para aprender a nadar”, diz o mergulhador Sergio Viégas, fundador e presidente da DAN Brasil (Divers Alert Network). Na realidade, o uso de equipamentos que permitem respirar na água, assim como coletes e nadadeiras, fazem do mergulho uma atividade que exige menos técnica do que a natação convencional.

Ao decidir cair na água, o estreante pode optar pelo mergulho com snorkel (aquele tubo preso à boca e que permite respirar quando o rosto está submerso) ou pelo mergulho autônomo. No primeiro caso, basta um par de nadadeiras, uma máscara para enxergar embaixo da água, além de um snorkel, é claro, para praticar. A facilidade é tanta que esse tipo de mergulho é indicado a crianças a partir de 5 anos. Já o mergulho autônomo, feito com cilindro de ar comprimido, oferece a possibilidade de ficar submerso por um longo período de tempo. “Nesse tipo de mergulho, a experiência é completamente diferente, você descola do mundo real. Com snorkel, por mais prazeroso que seja, você observa apenas a superfície”, diz o instrutor de mergulho Julio Yaber, da operadora de turismo submarino Atlantes, em Guarapari, no Espírito Santo.

Para os que nunca fizeram curso de mergulho, o chamado batismo é a chance de mergulhar com cilindro e contando com todo o suporte de um profissional. Nessa experiência, o aluno recebe uma breve explicação sobre os equipamentos, aprende a se comunicar embaixo da água, a respirar pelo regulador (o tubo ligado ao cilindro) e se informa sobre normas e procedimentos do mergulho. Depois disso, desce até 12 metros de profundidade na companhia de um instrutor. “É como um voo duplo de asa delta”, diz Viégas.

A maior dificuldade dos iniciantes é se acostumar a respirar pela boca, já que é preciso sugar o ar comprimido vindo do cilindro. Uma vez submerso, a pressão atmosférica também pode incomodar, especialmente os ouvidos. 

Felizmente, esses incômodos são rapidamente superados após alguns minutos embaixo da água. O tempo submerso no batismo costuma ser de 30 minutos. Crianças a partir de 10 anos podem praticar, desde que aprovadas na avaliação do instrutor. “É a idade mínima, mas não garantida, porque é preciso considerar o amadurecimento da criança”, diz Yaber. Em compensação, não há limite máximo de idade para mergulhar.

Contudo, há condições físicas que impedem a prática. Como regra, mulheres em período gestacional não podem mergulhar. Pessoas com diabetes, histórico de problemas cardíacos e respiratórios, como asma e sinusite, devem consultar um médico antes da prática. “Asmáticos, por exemplo, podem ter crises embaixo da água, por conta do ar gelado que vem do cilindro”, diz Viégas. Gozando de boa saúde, até quem tem limitações físicas, como paraplégicos ou tetraplégicos, pode passar pela experiência, desde que esteja acompanhado de um instrutor treinado em mergulho autônomo adaptado.

Uma vez submerso, basta relaxar e contemplar, com cuidado para não desrespeitar o meio ambiente “Recomendamos não encostar em nada, até para não se ferir, porque o que parece uma pedra pode ser uma esponja, por exemplo, e queimar. Os peixes não podem ser encurralados, para não se assustarem”, diz a mergulhadora Aline Aguiar, vice-presidente do Instituto Mar Adentro. Também é importante ter cuidado no momento de fotografar embaixo da água. “Quem fica distraído registrando pode afundar demais e acabar esmagando algum ser vivo que está no chão”, diz Aline. No caso de câmeras com flash, vale, ainda, ter atenção para que a luz não incida diretamente sobre os animais.

Custos e regras

O preço do batismo vai variar dependendo do local do mergulho. Os pacotes com treinamento, aluguel de equipamentos e até alguns mimos dentro do barco, como bebidas e frutas, costumam custar a partir de R$ 200 por pessoa. Mas, antes de agendar a experiência, é preciso checar se a escola oferece todos os equipamentos, já que algumas pedem que o próprio turista leve suas máscaras e nadadeiras.

Quem estiver disposto a investir mais tempo e dinheiro também pode fazer um curso básico de mergulho. Nesse caso, é exigido que o aluno assista algumas horas de aulas teóricas – ainda que à distância, dependendo da escola - além de cumprir um treinamento em piscina antes de cair no mar. A duração média do curso é de quatro dias. Alunos devidamente habilitados podem atingir a profundidade de 18 metros no mar e passar cerca de 50 minutos embaixo da água. O custo do curso básico também vai variar de acordo com a localidade mas, no Brasil, é possível encontrar opções a partir de R$ 1 mil por pessoa.

As regras para a formação de mergulhadores são ditadas por associações internacionais, sendo a PADI (Professional Association of Diving Instructors) uma das mais reconhecidas mundialmente. Ao escolher uma escola, é preciso checar se ela é associada a alguma entidade de mergulho e se os profissionais são certificados.

Também vale a pena optar por um destino que ofereça estrutura para o mergulhador iniciante, como a possibilidade de parar o barco próximo a uma ilha, para poder descansar no meio da prática. Procurar pontos de mergulho que não estejam tão distantes da praia é outra recomendação para quem vai começar. Esse cuidado diminui o risco de enjoar durante a viagem e estragar o passeio. 

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