Viagem

Passeios por Berlim recontam a história da mutante capital alemã

Eduardo Vessoni

Do UOL, em Berlim*

A capital alemã não abriga atrativos turísticos cobiçados como os vizinhos europeus, é dona de uma gastronomia que nem sempre agrada os estômagos mais sensíveis e a população local (assim como o restante do país) fala uma língua que poucos se arriscam em pronunciar.

No entanto, Berlim é uma das capitais mais pulsantes e receptivas da Europa. Para conhecê-la, basta o visitante colocar os pés na rua para ser tomado por um cenário urbano único de uma espécie de cidade mutante que, resolvidos os erros históricos do passado, consegue se renovar a cada temporada.

Mesmo com a recente derrubada de parte do clássico Muro de Berlim para dar espaço à construção de um condomínio de luxo, a capital alemã ainda abriga um mundo infinito de opções para quem quiser conhecer esta cidade sob uma nova perspectiva da História e da arte de rua.

Na última quarta-feira (27 de março), a população local foi surpreendida com a retirada sem aviso prévio de quatro trechos do muro do complexo artístico East Side Gallery, em Friedrichshain, para dar acesso a um condomínio de luxo que será erguido em frente ao rio Spree. Segundo a agência alemã de notícias DW, serão retirados no total 22 metros de muro desta galeria com 1,3 km de extensão, considerada a maior galeria a céu aberto do mundo.

Durante anos, a Alemanha carregou o peso de seu passado histórico marcado pelos erros políticos de sistemas totalitários, mas seja qual for a programação e as preferências do viajante, o passado de Berlim começa a se reinventar com atrações que parecem mesmo preocupadas em evocar o presente.

Conheça algumas das experiências (clássicas ou inusitadas) que o UOL Viagem selecionou para a sua próxima viagem à capital alemã.


 

  • Arte de rua: 'Cidade da Música e do Teatro', nos anos 20, Berlim se transformou em uma perfeita e mutante galeria a céu aberto da Europa nas últimas décadas. Para ver arte na frenética capital alemã, basta sair às ruas.

    Grafite, escultura, pintura, estêncil, pôster e cartaz são alguns dos trabalhos que podem ser encontrados em quase todos os cantos dos setores mais centrais da cidade. Ilegais ou autorizadas, as obras garantem a Berlim uma constante mudança de visual e reforçam suas características mutantes.

    Fazer um roteiro em busca da arte de rua (informal ou acompanhado de algum especialista local) é como viver uma espécie de 'aqui e agora' em busca de uma arte que muitas vezes surge em um dia e, na próxima visita do viajante, pode ter dado espaço para novas manifestações. A maior concentração de obras está em bairros como Friedrichshain e Kreuzberg.

    Galerias particulares e espaços públicos tomados por artistas também são endereços para ver arte de rua reunida em locais fechados. Localizado em Friedrichshain, o obrigatório Raw Tempel é uma entidade sem fins lucrativos criada em uma área de mais de 8 mil m² que um dia abrigou os pátios de manutenção de uma ferrovia. Suas estruturas antigas servem, atualmente, como áreas de oficinas artísticas, bares, restaurantes naturalistas, casas de show, danceteria e as paredes locais são, constantemente, grafitadas por artistas. Parada obrigatória para quem visita a região.

    Seguindo proposta parecida, a arena do Yaam fica ao lado da East Side Gallery e oferece área para prática de esportes e ambiente baseado na cultura do reggae e arte urbana.

    Para ver galerias de arte contemporânea, vá ao Künstlerhaus Bethanien, edifício histórico situado na Mariannenplatz que abriga um programa de residência de artistas com 25 estúdios; e ao Skalitzers, galeria de Kreuzberg com foco em artistas de rua contemporâneos.

    Mais informações sobre arte de rua: www.visitberlin.com / Raw Tempel: www.raw-tempel.de / Yaam: www.yaam.de / Künstlerhaus Bethanien: www.bethanien.de / Skalitzers: www.skalitzers.com

  • East Side Gallery – Maior galeria a céu aberto do mundo: Apesar dos protestos recentes encabeçados por moradores locais, parte desta galeria foi removida, secretamente, nos últimos dias para a construção de um condomínio de luxo. Localizado às margens do rio Spree, o trecho mais longo do Muro de Berlim ainda preservado abriga uma curiosa galeria ao ar livre conhecida até os acontecimentos recentes como a mais extensa em seu gênero. Logo após a sua queda, em 1989, este pedaço de muro, que até as mudanças das últimas semanas tinha 1316 metros, foi tomado pelos trabalhos de quase 120 artistas de mais de 20 países. Originais da época, alguns grafites foram restaurados, recentemente, e outros substituídos por novos trabalhos de autoria do mesmo autor ou deixados em branco no caso de artistas que se recusaram a retocar a pintura feita na década de 1990. É ali que se encontram clássicos de Berlim como o beijo entre dois líderes comunistas que aparecem na obra do russo Dimitri Vrubel conhecido também como Bruderkuss ('Beijo fraterno', em português). Mühlenstrasse, s/n (Friedrichshain), grátis. www.eastsidegallery-berlin.de

  • Gedenkstätte Günter Litfin (Memorial Günter Litfin): Entre tantos pontos históricos com apelo turístico da capital alemã, este memorial emociona pela simplicidade e atenção com que o visitante é recebido por Juergen Litfin, cujo irmão foi assassinado durante uma tentativa de fuga para o lado ocidental da Alemanha. Günter Litfin é considerado a primeira vítima morta na antiga fronteira alemã. Localizado no interior de uma torre de controle do quartel general das tropas da fronteira da DDR, no bairro Spandau, o local é um claustrofóbico e impactante exemplo arquitetônico da época em que o país esteve dividido pelo Muro. Algumas fotos e recortes de jornal complementam a visita guiada pelo próprio Juergen, unicamente, em alemão pelos andares e pequenas janelas deste caixote usado para evitar fugas da Alemanha Oriental. Fischerinsel, 2. Diariamente, das 12h às 17h (de março a outubro, exceto às sextas. Entrada paga. www.gedenkstaetteguenterlitfin.de

  • Memorial do Holocausto (Holocaust Memorial): Sem dúvida, esta é uma das homenagens aos judeus mais famosas de toda a cidade e recebeu, só no primeiro ano de existência, 3,5 milhões de visitantes. Inaugurada em 2005 como tributo às vítimas perseguidas e mortas durante o Holocausto, a obra do arquiteto americano Peter Eisenman reúne 2700 estelas (espécie de colunas funerárias) com quase um metro de profundidade, 2,38 de largura e altura variável que formam corredores estreitos por onde os visitantes podem circular. Este 'Campo de Estelas', como o local é conhecido, é feito de concreto armado e está exposto ao ar livre em uma área de vinte mil m².

    Menos interessante, mas complementar, é o Centro de Informações localizado no subterrâneo onde estão reunidos documentos, longos textos sobre o assunto, projeção de cartas, gravações em áudio e vídeos com mais de 150 entrevistas relacionados com a perseguição e extermínio de judeus na Europa.

    Cora-Berliner-Straße, 1 (entre o Portão de Brandemburgo e a Potsdamer Platz). Memorial do Holocausto: aberto 24h por dia. Centro de Informações : De ter. a dom. das 10h às 20h (de abril a setembro); e das 10h às 19h (entre outubro e março). Entrada grátis. www.stiftung-denkmal.de

  • Museu DDR: Só em 2009, quatrocentas mil pessoas passaram por este que é um dos museus históricos mais interativos da capital alemã. Dedicado à antiga Deutsche Demokratische Republik ('República Democrática Alemã', em português), o museu reconta o passado socialista da Alemanha. Seu acervo permite viver a experiência de conhecer como era o dia a dia do setor oriental nos tempos do Muro de Berlim em salas que recriam residências da época e enormes gavetas manipuladas pelo próprio visitante que abrigam objetos doados pelas famílias que viveram no setor oriental e que estão divididos por temas como trânsito, educação, trabalho, mídia e cultura.

    No restaurante local, é possível provar a comida do período socialista como o tradicional macarrão parafuso com molho picante e salsicha ('jägerschnitzel', nome original em alemão) que vale mais pelo peso histórico do que pelo sabor do prato.

    Karl-Liebknecht-Strasse. 1 (próximo à Catedral de Berlim). Diariamente, das 10h às 20h (sáb. até às 22h). Entrada paga. www.ddr-museum.de

  • Portão de Brandemburgo: Turístico e sempre lotado, este portal é parada obrigatória para quem visita a cidade pela primeira vez. Construído em arenito no final do século 18, este exemplar do Classicismo Alemão é um dos símbolos do período em que a cidade esteve dividida e é formado por seis colunas em estilo dórico que o dividem cinco passagens por seu interior.

    Pariser Platz, s/n. Grátis

  • Tour de bicicleta pelo Muro de Berlim (Wall Tour): Plana, arborizada, dona de um trânsito que respeita transeuntes não motorizados e com mais de 500 km de ciclovias. Berlim é um convite para longas pedaladas em busca de atrativos históricos da cidade como este tour que passa por diversos endereços relacionados com o Muro de Berlim (seja em forma de ruínas ou como obra de arte). Durante o roteiro de quatro horas e 12 km de extensão, visitam-se locais como o Mauerpark, parque em Prenzlauer Berg que ainda abriga um pedaço do muro cujas intervenções artísticas são destaques; Topografia do Terror (www.topographie.de), antigo quartel nazista com exposições internas e restos da estrutura original do muro; Checkpoint Charlie, o clássico posto militar onde era feito o controle da passagem de soldados aliados do lado ocidental para o oriental; e um centro de documentação (www.berliner-mauer-gedenkstaette.de), cujo destaque é a torre de observação de onde se vê do alto a antiga fronteira. Acompanhados por um guia que faz paradas em cada uma das atrações para detalhamentos históricos (e tempo suficiente para conhecer algumas das atrações), os ciclistas contam também com outras saídas temáticas como a de história prussiana e do período nazista narradas em inglês, francês, espanhol e (claro) alemão.

    Berlin on Bike - Kulturbrauerei Hof, 4 (Prenzlauer Berg). Tel.: (49) (30) 43 73 99 99. www.berlinonbike.de

  • Torre de TV (Berlin 360º): Berlim pode ser observada do alto desta torre histórica de 207 metros de altura construída durante os anos 60 pelo governo da Alemanha Oriental. Esta obra de arquitetura imponente e formas espaciais, cuja esfera é uma referência ao satélite soviético Sputnik, funcionou não só como torre de telecomunicações durante a existência da RDA ('República Democrática Alemã'), mas também como um símbolo daquele sistema socialista. Do alto, é possível avistar atrativos turísticos e históricos da cidade como o Portão de Brandemburgo, a Ilha dos Museus e a Potsdamer Platz. Evite subir à torre após o entardecer, pois a pouca iluminação noturna da cidade e os vidros do atrativo com excesso de reflexos frustram a visita.

    Panoramastraße, 1A (próximo a Alexander Platz). Diariamente, das 9h à meia-noite (de março a outubro); das 10h à meia-noite )de novembro a fevereiro). Entrada paga. www.tv-turm.de


 

Informações turísticas

Hauptbahnhof Central Station (entrada pela Europaplatz)
Diariamente, das 8h às 22h
Tel.: (49) (30) 25 00 25
www.visitberlin.com

 

* O jornalista Eduardo Vessoni viajou à Alemanha a convite da TAM e do Visit Berlin

 

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