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Glampings unem o prazer da vida ao ar livre com a sofisticação de exclusivos hóteis design

ANELISE SANCHEZ

Colaboração para o UOL Viagem, de Roma

12/07/2011 08h00

Esqueça o estresse para montar a barraca, as filas para utilizar o chuveiro, a cozinha improvisada com o fogareiro e o desconforto dos sacos de dormir. Para os fãs do acampamento, a novidade é o "glamping", combinação das palavras inglesas “glamour” e “camping”.

Apesar de parecer um paradoxo, os glampings são quase como campings cinco estrelas; estruturas que conseguiram unir o luxo e o contato direto com a natureza, sem que isso comportasse um desastroso impacto ambiental.

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Ao contrário dos campings convencionais, esse tipo de hospedagem não prevê o uso de barracas tradicionais ou a clássica ocupação de módulos. Com essa nova forma de turismo sustentável, tudo é pensado privilegiando o emprego de materiais naturais, a eficiência energética e o prazer da vida ao ar livre. Em muitos glampings, por exemplo, foram adotadas iniciativas como a iluminação fotovoltaica, a reciclagem do lixo e redutores de fluxo de água.

Apostando em opções de hospedagem como os lodges - espaços luxuosos mas situados no mundo selvagem - a África foi um dos primeiros continentes a demonstrar que aventura e sofisticação não são contrastantes. Graças a esse conceito, existe uma ampla variedade de modelos de glampings. Podem, por exemplo, ser compostos por estruturas que imitam as “yurts”, as tendas das tribos mongóis. Trata-se de barracas de forma cilíndrica e que terminam em cúpula, que originariamente eram construídas com um trançado de madeira de salgueiro, unido por tiras de couro de cabras. Além delas, os glampings também podem dispor de eco-pods (casas portáteis e ecocompatíveis), caravanas em estilo vintage, antigos trailers Airstream ou ainda barracas com cúpula geodética.

A idéia é aproveitar o que o contato com a natureza oferece de melhor sem renunciar a comodidades, como banheiros privativos e conexão wi-fi, ou, se preferir, pequenos mimos como camas com lençóis de seda, televisão de plasma e até um mordomo particular. Tudo isso, obviamente, a custos razoáveis. Nos glampings mais parecidos com os campings tradicionais, o preço médio é de 50 euros por dia, enquanto nos mais luxuosos as tarifas chegam a 150 euros.

Atualmente existem mais de 60 glampings espalhados pelo mundo, mas é na Europa onde está a maior concentração deles. No velho continente, a França lidera o ranking dos países com maior número de glampings, mas essa “moda” europeia está se espalhando rapidamente. Além da França, há outras nações europeias que possuem um ou mais glampings, como Áustria, Bélgica, Irlanda, Itália, Holanda, Noruega, Portugal, Reino Unido, Eslovênia, Espanha, Portugal, Suécia e Suíça.

  • Divulgação/goglamping.com

    No parque de raros trailers Airstream próximo à Mirepoix, na França, o glamping foi criado por ex-artistas de circo e oferece uma vista deslumbrante

Na Escócia, por exemplo, um dos estabelecimentos mais originais é o Ecopod Boutique Retreat, localizado entre Oban e Fort William, na costa oeste do país, com vista para o castelo Stalker. Em vez de barracas, esse glamping dispõe de cúpulas luminosas, estruturas temporárias pensadas para não provocar danos ao meio ambiente e que surpreenderão inclusive os turistas que já provaram os mais famosos hotéis design.

Do lado de fora as cúpulas lembram um planetário, enquanto o seu luxuoso interior é decorado com móveis clássicos e aparelhos de alta tecnologia de baixo consumo energético. O preço para a estadia de uma semana, na alta estação, é de 995 libras esterlinas.

Uma opção menos pretensiosa, mas não menos interessante, é passar férias em stilo “vintage” no Happy Days – Retro vacations, localizado próximo das praias nos arredores de Dorset (Inglaterra). Jenni e Kevin abandonaram o ritmo frenético de Londres e decidiram mudar completamente de vida. Assim, criaram um glamping onde as barracas foram susbtituidas por trailers Airstream, modelos famosos na década de 30 e facilmente reconhecíveis graças ao seu corpo de alumínio. Os preços ficam entre 400 e 600 esterlinas por semana.

Se o seu sonho sempre foi experimentar a vida de um aristrocrático francês sem que isso possa arruinar as suas finanças, uma boa pedida é passar alguns dias no LeChato, um castelo histórico situado a poucos quilometros da cidade medieval de Souvigny e do Parque Nacional dos Vulcões de Auvergne, meta dos praticantes de ciclismo e caminhadas.

Os arredores do castelo foram cercados por barracas de luxo de diversos tipos, como aquelas em estilo beduíno. O LeChato também oferece uma área de lazer com piscinas e quadras de vôlei.

Ainda na França, para quem prefere algo mais rústico, o Ecolodge family de Batilly- en-Puisaye, a menos de duas horas de carro de Paris, dispõe de antigas caravanas puxadas por cavalo transformadas em acolhedores alojamentos. Todos são independentes e os hópedes recebem cotidianamente uma cesta com o café da manhã, além de poder usufruir do "wellness centre" do Ecolodge.

Para aqueles que não temem paisagens nevadas, passar alguns dias em um glamping norueguês pode ser uma grande aventura. O Halvorseth Camping, localizado na cidade de Prestfoss, em meio a uma floresta cercada por montanhas e lagos, adaptou os yurts – a versão moderna das tendas mongóis – ao rigoroso clima da escandinávia.

Os dois yurts disponíveis têm pisos de madeira e estão equipados com fogão a lenha, cozinha com geladeira, uma televisão de plasma com leitor de DVD e até chuveiro.

  • Divulgação/goglamping.com

    As modernas tendas geodésicas do Ecocamp localizado na Patagônia chilena compõem um cenário quase surreal

Na América do Sul, dois refúgios imperdíveis para quem sonha uma viagem até à Patagônia são o Ecocamp Patagônia, no Chile, e Campo Cielo Grande, na Argentina.

O primeiro possui alojamentos inspirados nos abrigos que antigamente eram construídos pelos chamados Kawésqar ou Alacalufes, os nômades que construiam cabanas provisórias com a madeira, pele de lhama e couraças encontrados no território. A forma hexagonal do abrigo lembra um iglu e um domo, e o design do Ecocamp chileno imita as estruturas dos Kawésqar. O lugar une a comodidade de uma casa, mas é rodeado por uma paisagem selvagem.

Campo Cielo Grande, na Argentina, fica aberto de novembro a abril e situa-se em Lago Rosario, a apenas 30 minutos do povoado de Trevelin. As barracas do glamping imitam aquelas de estilo africano e foram equipadas com cama king size e um fogão a lenha, aceso assim que os hóspedes retornam ao acampamento. O melhor de tudo, no entanto, é acordar com uma boa xícara de café quente e deslumbrar-se com a vista dos Andes nevados e com um cristalino lago azul.

Para aqueles que programam uma viagem em breve, vale a pena consultar o site www.goglamping.com para conhecer a lista completa dos glampings espalhados pelos outros continentes. No site você encontrará uma descrição detalhada de cada projeto.

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