Viagem

Hotéis-boutique com preço acessível em Nova York

STEPHEN HEYMAN

New York Times Syndicate

16/10/2010 09h13

Encontrar um local decente para dormir em Nova York nunca foi fácil. Tradicionalmente, ou você tinha que gastar muito (que tal o Ty Warner Penthouse no Four Seasons, por US$ 35 mil a noite?) ou economizar e torcer pelo melhor (alerta: uma recente pesquisa online por ‘percevejos’ no TripAdvisor encontrou 877 menções para hotéis da cidade).

O que um viajante com pouco dinheiro e preocupado com estilo deve fazer?

Procure o novo meio-termo. Em uma cidade que ainda se gaba de contar com as diárias mais caras do país (média de US$ 238 em Manhattan, segundo Smith Travel, que monitora o setor), os hotéis que miram na faixa intermediária estão atingindo novas alturas.

A tendência começou há aproximadamente três anos, com um punhado de hotéis-butique como o Pod, o Ace e o Jane - que ofereciam uma pátina de estilo sem os preços elevados. Ela acelerou nos últimos meses, com uma série de novos hotéis prometendo design bacana, concessões ao gosto local e preços bons para o bolso de cerca de US$$ 200 a US$ 250.

Pode chamá-los de hotéis-butique econômicos. Mas em vez de virem de jovens hoteleiros audaciosos, muitos estão sendo lançados por redes como InterContinental e Wyndham, em uma tentativa de atrair uma clientela mais descolada.

‘Há uma grande demanda, especialmente entre a geração Y mais jovem ou milênio, por propriedades que tenham algum estilo para elas’, disse Sean Hennessey, fundador da Lodging Advisors, uma empresa de consultoria do setor de hospitalidade.

Em maio, eu dormi em seis desses novos hotéis. Apesar de sua novidade, alguns deles já eram vítimas de seus próprios clichês. Bares de cobertura, chuveiro rainfall e base para iPhone estavam por toda parte. Ainda assim, os quartos eram grandes para os padrões minúsculos da cidade, o serviço era bom e, por ora, eles oferecem o melhor custo-benefício disponível.

 

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    Cada andar do Distrikt Hotel é inspirado em um bairro de Nova York

Distrikt Hotel


Por que fazer reserva? Na quadra ao lado da estação de ônibus da Autoridade Portuária, três novos hotéis idênticos estão posicionados um ao lado do outro, como caixas de cereais na prateleira, em uma configuração que os blogueiros de hotéis começaram a chamar de ‘pacote triplo’. O Distrikt, vizinho, é diferente: ele tem um simulacro de alma. Isso é impressionante, não apenas por causa de sua localização improvável - bem próximo de um abrigo para moradores de rua e de um escritório de condicional - mas também por causa do conceito de design kitsch: cada andar é inspirado em um bairro de Nova York.

Quarto: Meu quarto padrão ficava no 28º andar: Central Park. Não espere uma estátua de cera de Frederick Law Olmsted. As únicas referências ao famoso parque eram colagens de fotos penduradas no quarto e corredores. Não é preciso dizer, o parque de verdade não é visível da janela, mas eram possíveis vislumbres provocantes do Rio Hudson. O quarto em si era um retângulo bege mobiliado com o tipo de móvel contemporâneo inofensivo que alguém encontraria em um catálogo West Elm. O chuveiro era espaçoso e o carpete cinza era divertido de fincar os dedos do pé - como grama recém cortada.

Ambiente: Culpe os vizinhos arredios, mas partes do hotel parecem estar sob bloqueio. Cartões-chave são necessários para o funcionamento dos elevadores e o lobby em mármore e aço é um pouco frio, apesar de um jardim vertical de 3,5 metros. Um lounge adjacente, chamado Collage, parece um bistrô moderno de aeroporto. Ele serve café da manhã de dia (uma mesa continental de massas doces) e drinques e comida de bar à noite. Em uma noite recente de sexta-feira, ele estava vazio. ‘Esta é Nova York’, disse o jovem barman. ‘Quem quer ficar dentro do seu hotel?’

Agrado: Um brownie orgânico aguarda por você no quarto, juntamente com uma carta personalizada de boas-vindas - toques bacanas em um hotel desta classe. Não há academia de ginástica própria, mas há passes gratuitos para a vizinha Mid City Gym. Você pode checar seu e-mail em um dos três Macs grandes no lobby, mas prepare-se para esperar.

342 West 40th Street, entre as avenidas 8th e 9th; (888) 444-5610; distrikthotel.com; Wi-Fi gratuito; café da manhã por US$ 14,95; 155 quartos a partir de US$ 209.

 

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    Um grande terraço é um dos trunfos do Eventi

Eventi


Por que fazer reserva? Ocupando a extremidade da faixa de maior luxo está o Eventi, um hotel de 292 quartos ao norte de Chelsea. Operado pela Kimpton - uma rede de hotéis de San Francisco que foi uma das pioneiras no nicho de hotéis-butique econômicos - ele oferece doses de luxo que são incomuns nesta faixa de preço. Há design inteligente, serviço de quarto 24 horas, um grande terraço, uma academia de ginástica ensolarada, um spa que oferece algo chamado envoltura corporal com spirulina, além de até mesmo massagem para cães e gatos.

Quarto: O queen padrão era elegante e simpático, com móveis sob medida (madeira escura, revestimento cinza, cortinas pesadas) que o faziam parecer rico. Ele tinha um lado audacioso: um espelho enorme voltado para a cama, os roupões Frette apresentavam estampas de zebra, o bar contava com um Kit de Intimidade (US$ 6). Outros luxos aguardavam no banheiro revestido em mármore. Havia uma banheira alongada, um espelho de aumento para maquiagem e frascos de produtos italianos para cabelo com aroma musk.

Ambiente: É uma obra em progresso. Para outubro, está planejado um restaurante Basque de Jeffery Chodorow, uma praça com tela de cinema e um bar. Enquanto isso, o lobby - com mármore vermelho e cantos com assentos curiosos - fica cheio durante a hora do vinho gratuito que começa às 17h. Para um local mais arejado, leve sua taça para o terraço que envolve todo o quinto andar, mobiliado como vasos em terracota e grandes cadeiras de vime.

Agrado: Não há Pringles aqui. O minibar estava estocado de produtos como Gummy Pandas de mirtilo (US$ 4), bolachas orgânicas Late July (US$ 3) e creme de barbear Alba Botanica (US$ 5). Havia até mesmo uma garrafa de 375 ml de vodca Absolut, grande o bastante para uma festa improvisada. O serviço era refinado. Pasta de dente e gel para cabelo gratuitos foram entregues em menos de cinco minutos.

851 Avenue of the Americas, entre as ruas 29th e 30th; (212) 564-4567; eventihotel.com; Wi-Fi por US$10 por dia (gratuito para os membros do programa de recompensas da Kimpton); um bufê de café da manhã por US$ 22; 292 quartos a partir de US$ 399.

 

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    Referências à moda estão por todos os lados do Fashion 26

Fashion 26


Por que fazer reserva? Próximo do Fashion Institute of Technology, este novo hotel reluzente da Wyndham se esforça para estar à altura de seu nome. Ocasionalmente há um concurso Hóspede Mais Bem Vestido (os vencedores são transferidos para quartos melhores), o mural tipo Mondrian acima da recepção é feito de carretéis de linha e o concierge controla as vendas de amostras. Não, você não verá um desfile de modelos durante o check-in, mas o hotel gosta de brincar de se vestir.

Quarto: Um quarto padrão tem mais ou menos um tamanho médio, com muitos toques de moda: botões nos números das portas, roupa de cama de lã de carneiro em padrão ziguezague e paredes de bolinhas verdes. As camareiras vestem uniformes que insinuam, travessamente, uma criada francesa. Uma grande janela oferecia vistas de cartão postal do Empire State Building, assim como espiadas no interior dos showrooms de tecidos do outro lado da rua.

Ambiente: Apesar de todos os paramentos sob medida, os hóspedes se vestem como em qualquer hotel típico. Em uma recente segunda-feira, havia pais do Fashion Institute of Technology no lobby cinzento e executivos trocando histórias de aeroporto no elevador. Havia bastante animação no bar no lobby, mas o Rare, o salão de jantar laranja, estava desolado. Talvez o cardápio sem graça -parte lanchonete de hambúrguer, parte churrascaria formal - fosse culpado. Um bar na cobertura deverá abrir em breve.

Agrado: O serviço era elegante e discreto. Chegar duas horas antes do check-in não foi problema; o recepcionista tinha um quarto pronto. Volte do jantar e a cama estará arrumada para dormir, com um bilhete deixado nos lençóis com a previsão do tempo para amanhã e uma pastilha de hortelã. Também há uma academia de ginástica decente no porão e máquina de café Keurig no quarto.

152 West 26th Street, entre a Avenue of the Americas a 7th Avenue; (212) 858-5888; f26nyc.com; Wi-Fi gratuito e um bufê de café da manhã frio (US$ 15) e quente (US$ 19,70), além de à la carte; 280 quartos a partir de US$ 229.

 

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    O Glass Bar da cobertura do Hotel Indigo oferece uma bonita vista de NY

Hotel Indigo


Por que fazer reserva? O Hotel Indigo pode ser o protótipo desta nova classe de hotel. Lançado pelo InterContinental Hotels Group, que é dono do Holiday Inn e outras redes, a marca Indigo visa ser econômica, mas com estilo, apesar de sua primeira propriedade em Nova York ainda não atingir a meta. Ele abriu em outubro no coração do distrito das flores, de forma que está cercado por todos os lados de orquídeas e salgueiros. Também há flores dentro do hotel, apesar da maioria ser pintada. Os tapetes dos corredores com anileiras comicamente gigantes e paredes laranjas conspiram para criar um visual de selva. Pena que o tema floral não se estenda ao cheiro. O lobby cheirava mais a produto de limpeza do que flores.

Quarto: O padrão de cores saturadas continuou dentro do quarto, com cabeceira unindo retalhos vermelhos, laranjas e amarelos. Mesmo assim, o quarto era claro e arejado, com piso de madeira, uma pequena mesa e um papel de parede do piso ao teto de agulhas de costura. A vista era quintessencialmente nova-iorquina: escadas de incêndio e os fundos de velhos prédios de fábricas. Como em muitos desses hotéis-butique econômicos, o banheiro era bem projetado. Mas neste caso faltava pressão na água do chuveiro e uma poça da noite anterior ainda estava no piso do chuveiro pela manhã.

Ambiente: Uma mistura estranha. Turistas estrangeiros vestindo camisetas ‘Eu (coração) Nova York’ estavam sentados no lobby. Funcionários de escritório lotavam o Glass Bar esfumaçado na cobertura. E no Blu, seu restaurante italiano no térreo, não havia ninguém. O risoto ensopado que me serviram certa noite pode ter algo a ver com isso.

Agrados: O serviço foi inesperadamente atencioso; a recepção ligou logo após o check-in para assegurar que tudo estava em ordem. No porão, há um centro básico de negócios (dois computadores desktop) e um estúdio de fitness minúsculo, mas bem equipado, com pesos e esteiras.

127 West 28th Street, entre a Avenue of the Americas e a 7th Avenue; (212) 973-9000; indigochelsea.com; 122 quartos a US$ 269; bufê de café de manhã por US$ 15,99 e brunch à la carte servido nos fins de semana.

 

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    Dependências de um dos quartos do The MAve (uma abreviação de “Madison Avenue”)

The MAve


Por que fazer reserva? The MAve parece ótimo visto de fora. Aberto em julho do ano passado, ele fica situado em um belo prédio com um teto com duas inclinações de 1902, com um lobby branco feito fantasma que parece uma butique de cosméticos saída do Boulevard St.-Germain. O espírito de Stanford White paira com aprovação sobre os magníficos prédios de pedra calcária do bairro. E o Madison Square Park, a uma quadra de distância, é um lugar sereno para tomar seu café e comer um bolo dinamarquês (fornecido de graça) pela manhã.

Quarto: Eu fiquei em um quarto de US$ 159 que o MAve caridosamente chama de quarto “urbano”. Com 15 metros quadrados, ele transmitia aquela sensação especial de viver em Nova York: claustrofobia. Havia um banheiro moderno, uma TV de tela plana e base para iPhone, mas não havia espaço para uma mesa e nem para uma cadeira (você precisa reservar um quarto maior para esses luxos). O ar-condicionado na janela obstruía uma vista já estreita da Rua 27th. Uma massagem no quarto soava boa (US$ 100 por hora), mas seria impossível abrir ali uma mesa de massagem.

Ambiente: The MAve (uma abreviação de “Madison Avenue”) rotula a si mesmo de “retiro urbano relaxante”, mas utilitário poderia ser mais preciso. Há uma sensação de alojamento nos corredores, com uma escadaria aberta, coberta naquele metal resistente que você às vezes vê em assoalhos de caminhão. Em uma recente noite de sábado, o lobby do hotel parecia vazio, até mesmo assustador, provavelmente o motivo para os poucos hóspedes circulando por ali -europeus de meia-idade usando Pumas surrados - se sentirem compelidos a sussurrar.

Agrados: Escondido em um sótão no último andar há uma sala de ginástica hilariamente minúscula. O serviço de quarto é fornecido pelo Park Avenue Bistro próximo, com um adicional de US$ 3,50 por cada prato, mais uma gorjeta de 25%. Mas com quartos tão espartanos, sem bar ou espaços comuns, o MAve não se presta a uma refeição em seu interior.

62 Madison Avenue com 27th Street; (212) 532-7373; themavehotel.com; Wi-Fi e café da manhã básico gratuitos; 72 quartos a partir de US$ 159.

 

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    O bar na cobertura do Strand oferece vistas de King Kong do Empire State Building

The Strand


Por que fazer reserva? Ou talvez a melhor pergunta seja: por que há gelo nos urinóis do banheiro masculino no lobby? Seja qual for o motivo, está entre os muitos floreios - alguns bacanas, outros nem tanto - que dão ao Strand, que abriu em outubro passado em uma quadra anônima da West 37th Street, seu charme acidental. Outro bônus: o bar na cobertura, que oferece vistas de King Kong do Empire State Building, apareceu recentemente na edição do ‘Melhor de Nova York’ da revista ‘New York’, alertando os nativos.

Quarto: Meu quarto queen de US$ 260, no 10º andar, parecia novo e não necessariamente da melhor forma: abajures pequeninos e cadeiras revestidas em estampas contemporâneas ousadas. Ainda assim, o quarto era aconchegante e a vista das caixas d’água e dos prédios de tijolos pré-guerra transmitia o espírito da cidade. Ampliações de moda de edições antigas da ‘Vogue’ davam um toque pop às paredes. Até a abertura em breve de um restaurante de tapas de peixes e frutos do mar, não há serviço de quarto. O banheiro era arejado, mas estéril, com mármore bege e um espelho grande, apesar de apenas metade da espaçosa área do chuveiro ter parede de vidro, o que proporcionava um despertar frio.

Ambiente: O lobby, com seu piso de pedra calcária branca, metal escovado e móveis vagamente art déco, também parecia um pouco frio. O clima era mais caloroso no bar de cobertura, o Top of the Strand, graças em parte ao teto retrátil que mantém a festa em andamento mesmo com tempo ruim. O pátio de aspecto Hamptons é de autoria de Lydia Marks, que foi responsável pelos cenários dos filmes ‘Sex and the City’.

Agrados: The Strand não é sovina em seu café da manhã gratuito: pilhas de frios, queijos, ovos cozidos, frutas, rolinhos recheados com carne. Foi surpreendentemente saboroso. Há uma academia de ginástica 24 horas que parece subutilizada. O serviço era informal, conversador, com um carregador de malas que falava até demais.

33 West 37 Street, entre a 5th Avenue e a Avenue of the Americas; (212) 448-1024; thestrandnyc.com; Wi-Fi e bufê de café da manhã gratuitos; 177 quartos a partir de US$ 259.

Tradutor: George El Khouri Andolfato

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