Viagem

Banho de rio refresca moradores e turistas no centro de Zurique

Zürich Tourism/Divulgação
O rio Limmat corta o centro histórico de Zurique; ao fundo, o lago da cidade Imagem: Zürich Tourism/Divulgação

CRIS GUTKOSKI *

Colaboração para o UOL Viagem

Maior cidade e centro financeiro da Suíça, Zurique oferece aos seus visitantes e moradores um raro programa entre as metrópoles da Europa ou de qualquer lugar do mundo: o banho de rio e de lago, em águas limpas, transparentes, no próprio centro da cidade. São 18 balneários públicos em centros de lazer que durante o dia abrigam serviços de sauna, massagem e bar, nos meses de verão, de junho a setembro. À noite, com as luzes da cidade e dos barcos ao fundo, as piscinas viram refrescantes pontos de encontro, oásis para sentar no trapiche e molhar os pés, curtir a brisa e shows de música nas margens do rio Limmat ou do imenso lago de Zurique.

As águas tratadas, sem poluição que ofereça risco à saúde dos banhistas, dizem muito da política suíça de sustentabilidade dos recursos naturais. Com cerca de 383.000 habitantes, Zurique também se destaca na vasta oferta de fontes de água potável. Segundo os guias turísticos, são 1.200 fontes ou bebedouros públicos, localizados em chafarizes, esculturas e simples tanques, onde basta espichar a mão para matar a sede. Cuidar da água do jeito que ela merece é uma tradição antiga no país: o balneário Frauenbad, por exemplo, nas margens do rio, data do século 19, preservado com a arquitetura de madeira da época. De dia, este recebe apenas mulheres banhistas, da mesma forma como o Männerbad é somente para homens.

À noite, os balneários são centros mistos de lazer. O Seebad Enge funciona até a meia-noite, se o clima ajudar. O Flussbad Unterer Letten tem das maiores áreas cercadas para nadar, com 100 m de comprimento, e piscina separada para crianças. O centro náutico tem o nome de Lago e conta com pedalinhos, táxis aquáticos, lounges ao ar livre e passeios de iate.

É no Lago que se realiza, em 14 de agosto próximo, um sábado, uma das principais festas de Zurique, a Street Parade. Milhares de pessoas se reúnem para dançar ao som de música eletrônica, em especial tecno e house. Em 2010, DJs, VJs e artistas internacionais vão tomar conta de sete palcos e 30 love móbiles (um tipo de trio elétrico).

  • Zürich Tourism/Divulgação

    Mergulho no lago de Zurique, que conta com balneários públicos na orla, no centro da cidade


Os passeios de barco são outra forma de aproveitar a natureza preservada no miolo da cidade grande. Com partida na Bürkliplatz, a Zürichsee Schifffahrt oferece excursões no lago com diversificados cardápios de almoço, nos dois andares da moderna embarcação, de segunda a sexta, ou breakfast, nos finais de semana. Na companhia dos turistas, os moradores de Zurique – executivos, bancários, professores – aproveitam o intervalo no expediente para fazer as refeições numa paisagem em tranqüilo movimento, que em dias de sol realça os tons de verde e azul das águas. No rio Limmat, as excursões ocupam pequenas embarcações retangulares que precisam passar sob as pontes da cidade. Como a altura é pequena, a água fica a poucos centímetros das janelas panorâmicas onde se acomodam os passageiros.

Segundo Susanne Staiger, diretora da Zürich Tourism, os países que atualmente mais enviam turistas para a Suíça são a vizinha Alemanha, os Estados Unidos e a Grã-Bretanha. Em geral, eles procuram atrações como os parques (o Jardim Chinês, o Zoo), as compras na avenida principal, a Banhofstrasse, os lugares históricos da Cidade Velha e, mais recentemente, a qualidade e diversidade da vida noturna. Entre os principais clubes e casas baladeiras estão Kaufleuten, Abart , Mascotte e Rohstofflager. Entre os balneários, Pier West e Barfussbar, ambos no rio Limmat, transformam-se em espaços chill out ao anoitecer. E em Zurich West, o antigo bairro industrial que aos poucos vira meca da balada, clubes como o Escherwyss, o BBQ, o Moods e o Helsinki injetam rock, hip hop, reggae, jazz, funk, blues e world music nos prédios que poucos anos atrás eram fábricas de sabão, cigarros, papel, tecidos e alimentos.

Em Zurich West, vale conhecer também um projeto que integra a engenharia de transportes do final do século 19 às necessidades atuais de consumo. A galeria Im Viadukt liga dois viadutos construídos para a passagem de trens em 1894. Agora, sob 36 arcos, ganhou conforto e design modernos uma diversidade de serviços: tem lugar para lojas, restaurantes, ourives, creche, oficina de artes plásticas, de música e até uma feira livre de frutas, legumes, queijos, carnes e peixes. Trata-se de uma revitalização urbana parecida com a que anos atrás ocorreu em Buenos Aires, na área de Puerto Madero, a zona portuária que estava deteriorada e voltou à vida com restaurantes, danceterias, museus e reserva ecológica.

Das dez igrejas de Zurique, seis são evangélicas protestantes, três são católicas – Augustinerkirche, Liebfrauen e St. Peter und Paul – e uma é ecumênica, a pequena Station Church, localizada na estação de trens. Na Fraumünster, fundada há mais de mil anos, em 853, como igreja e convento feminino, destacam-se os vitrais de Marc Chagall, uma série de cinco partes que figura entre seus últimos trabalhos, de 1970. Pintor russo radicado na França, de origem judia, Chagall fez gravuras sensuais de cenas bíblicas e vitrais também para a sinagoga da Universidade de Jerusalém e para a catedral de Metz. A Fraumünster oferece visitas guiadas sobre Chagall e sobre a música do órgão, o maior do cantão suíço que pertence Zurique, com 5.793 tubos.

Na Grossmünster, que serviu de sede para a Reforma protestante do século 16, o melhor programa para quem visita a cidade pela primeira vez é subir 187 degraus a fim de alcançar o topo de uma das torres e, de lá, ver as centenas de telhados escuros de Zurique, os blocos de prédios históricos, quase todos com sótão, sendo divididos pelas águas claras do rio Limmat. A ponte mais próxima é a Münster Brücke, à esquerda da qual se avistam as paredes verdes e a piscina do balneário Frauenbad e, ao longe, o lago de Zurique.

A cena GLS, vespertina e noturna, se concentra a cerca de 200 m da principal igreja, em Rathaus, nome que identifica um prédio renascentista da administração local, a ponte próxima e uma parada do bonde. Nas redondezas estão casas como o Barfüsser, pioneiro no atendimento ao público gay, na rua Spitalgasse, e ainda G-Colors Club, Pigalle Schlagerbar e T&M Club, os três na rua Marktgasse.

Com ou sem a vista panorâmica desde o alto de torres e de restaurantes nas coberturas, é bastante fácil se localizar e se movimentar em Zurique. A cidade não é gigantesca, como são Londres, Paris ou Berlim. O centro financeiro da Suíça, com cerca de 360 instituições bancárias, lembra mais o ambiente descontraído das ruas de Amsterdã, na Holanda, ou de Colônia, na Alemanha. Lugares onde os cães circulam com os donos pelas principais avenidas sem risco de serem pisoteados pela multidão. Para distâncias médias, dá para circular em bondes movidos a energia elétrica, que anunciam os minutos que faltam para o ponto de desembarque em terminais de vídeo, ou de bicicleta, alugadas em quiosques. São exigidos um documento de identidade e um depósito de 20 francos suíços (R$ 33), valor devolvido na entrega da bicicleta.

A partir da estação central de trens, são apenas cinco minutos a pé até o maior acervo sobre a história do país, o Scweizerisches Landesmuseum, ou 12 minutos de bonde até o Kunsthaus e sua preciosa coleção de artes plásticas. Em 2010, para comemorar o centenário do museu, será inaugurada uma exposição com 70 obras de Pablo Picasso, de 15 de outubro a 30 de janeiro de 2011. Nomes como Claude Monet, Joan Miró, El Greco, Henri Matisse e Jackson Pollock integram a exibição permanente. De Rembrant surge a tela Apóstolo Simão, de 1661. Na sala para Edvard Munch, as obras do pintor expressionista se espalham por três paredes! É a maior exibição dele fora da Noruega, o país natal do artista. Para quem chega a Zurique vindo do interior, dos Alpes, e sente falta do clima pastoril, o suíço Rudolf Koller pintou, em 1857, uma vaca leiteira – a cabeça quase em tamanho natural - que só falta mugir.

Mas a grande estrela da coleção imprime um tom de despedida: é uma pintura que Vincent van Gogh ainda retocava três dias antes de cometer suicídio, intitulada Chaumières à Chaponval. Os telhados das casas – as choupanas do título - parecem despencar, em avalanche, sobre duas crianças, uma delas encolhida, de mãos nos bolsos. Um menino de cabelos vermelhos em que alguns críticos enxergaram o próprio van Gogh.

 

  • Cris Gutkoski/UOL

    Preciosidade do Kunsthaus: 'Chaumières à Chaponval', tela em que Van Gogh trabalhava dias antes de morrer


Se a epifania com o adeus do mestre holandês provocar fome ou urgência de açúcar, lembre-se que você está na Suíça, terra de chocolates famosos, e corra até a confeitaria mais próxima. Melhor: vá direto para a Sprüngli da Paradeplatz. A grife existe desde 1836 e o casarão na Paradeplatz, vizinho da Banhofstrasse, é ponto de encontro há 150 anos. Uma caixa de trufas de champanhe, de 180 g, custa 34 francos suíços (R$ 57), mas também existem doces, bolos e fatias de tortas a módicos 5 francos (R$ 8,50). Para compras mais em conta das barras de chocolate e bombons da marca Lindt, a grife mais internacional da mesma família Sprüngli, os supermercados da rede Coop são a melhor opção.

Além dos chocolates, dos queijos, do canivete novo para cortar os queijos e da diversão sobre águas azuis, outra experiência legítima para férias na Suíça são os trens, naturalmente. E nesse sentido a estação central de Zurique proporciona confortáveis horas finais na cidade, a caminho do aeroporto ou de outras estações de trens. O Swiss Travel System permite o check-in do vôo lá mesmo, com despacho das bagagens. Em vários andares, a estação distribui lojas, farmácia, pizzaria, lan house, agência de turismo, floricultura, confeitaria, perfumaria (da L´Occitane), quiosques de café e pão fresco, restaurantes de fast food como Burger King e Nordsee, uma rede mais saudável, de pratos com peixes e frutos do mar, e um restaurante para quem está sem pressa, Au Premier, onde um menu com três pratos custa 59 francos (R$ 100). Entre os suíços, os trens fazem parte da rotina, de todas as formas de rotina, e também da fuga dela nas viagens.

 

SERVIÇOS


Zürich Tourism – Portal de Turismo de Zurique
Tel: + (41) 44 215 40 00

www.zuerich.com



MySwitzerland.com – Portal de Turismo da Suíça

www.myswitzerland.com



Street Parade

www.streetparade.com



* A jornalista Cris Gutkoski viajou a convite de Switzerland Tourism e Swiss International Airlines

ID: {{comments.info.id}}
URL: {{comments.info.url}}

Ocorreu um erro ao carregar os comentários.

Por favor, tente novamente mais tarde.

{{comments.title}}

{{comments.total}} Comentário

{{comments.total}} Comentários

Seja o primeiro a comentar

{{subtitle}}

Essa discussão está encerrada

Não é possivel enviar novos comentários.

{{ user.alternativeText }}
Avaliar:
 

* Ao comentar você concorda com os termos de uso. Os comentários não representam a opinião do portal, a responsabilidade é do autor da mensagem. Leia os termos de uso

Escolha do editor

{{ user.alternativeText }}
Escolha do editor

Topo